Esta pergunta surgiu após a leitura do livro “Eu Sou Ozzy”, de Ozzy Osbourne, ex-integrante da banda Black Sabbath.

Ozzy é mundialmente conhecido pelo seu estilo de rock n roll mais pesado, e, também, pelas extravagâncias provocadas pelo consumo de drogas. Hoje ele se diz longe delas. Mas, antes de tudo isso, ele passou por uma escola e sua experiência não foi, digamos assim, muito divertida. Ozzy é disléxico e TDAH, no entanto, só teve esse diagnóstico aos 30 anos.

“A única coisa que queria da escola era que o sinal tocasse as quatro horas da tarde. […] Nada entrava na minha cabeça e não conseguia entender porque meu cérebro era um pedaço inútil de geléia. […] Estava numa classe com quarenta crianças e, se não entendesse, os professores não tentavam ajudar – eles o deixavam de lado. Foi o que aconteceu comigo. E quando eu precisava fazer alguma merda – como quando tinha de ler alguma coisa em voz alta – eu tentava divertir a classe. Pensava em todos os tipos de coisas doidas para fazer os outros rirem.” (Ozzy Osbourne, 2010).

Esse é um livro que deveria ser indicado nas faculdades de pedagogia. Talvez a sua leitura contribuísse para preparar melhor os futuros professores, que, por vezes, antes de entrar em uma sala de aula pela primeira vez, fantasiam que terão todos os alunos dispostos e comportados para aprender os conteúdos do currículo escolar. Então basta explicar o conteúdo, e pronto! Mágico. Os alunos irão entender.

Não, a escola não é assim!

É imprescindível que os professores tenham formação sobre como funciona a mente das crianças que apresentam algum tipo de dificuldade na aprendizagem, porém, com talentos escondidos. Muitas vezes eles acabam sendo os chamados “bobos da sala de aula”, importunando com gracinhas e atitudes inadequadas. É realmente muito difícil distanciar-se, e não achar que essas atitudes não são para nos agredir, ou que não estão querendo nos ofender. Porém, é preciso!

Nas escolas há muitos alunos que, assim como Ozzy, completam 15 anos com sérias dificuldades na leitura e escrita. Em alguns casos, ficamos sabendo mais tarde, esses alunos acabam indo parar nas drogas e/ou lotando os presídios. Esse caminho Ozzy conheceu muito bem.

Alunos como ele sempre existiram e sempre irão existir, no entanto, muitos precisarão de uma forcinha para que seus talentos sejam descobertos. O que não é uma tarefa simples, fácil e muito menos colorida, mas é necessária! Precisamos acreditar na capacidade de transformação do ser humano.

Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem e em PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná) Centro de Treinamento Autorizado pelo Hadassah Wizo-Canada Reserach Institute e pelo ICELP - The Internacional Center for the Enhancement of Learning Potential, Jerusalém - Israel. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem. Autora do e-book: "Mamãe, deixe-me crescer" e idealizadora da Revista Psicosol. Ama ler e tem levado bem a sério a sua brincadeira de escrever.

2 comentários em “Quantos Ozzys há nas escolas?

  1. Ótima reflexão!

  2. Eliane Guedes dos Santos Marques on said:

    Maravilhoso esses comentários e artigos faz com que nos professores, paramos um pouquinho para refletir. Eu tenho alunos que não sabem ler nem escrever, mas tem um talento enorme para a música. São as habilidades e competências.

    Vale a pena refletir!!!

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