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  • Papa Erros

    Papa Erros

    O-lá!

    Quando a criança chega à escrita alfabética, muita coisa já foi conquistada, por exemplo: ela compreende a relação entre sons e letras e consegue registrar palavras de forma legível. Mas é justamente aqui que surge um novo desafio e, muitas vezes, o mais persistente: a ortografia.

    Se antes o foco estava em entender como representar os sons, agora entra em cena a escolha da letra quando há mais de uma possibilidade para o mesmo som.

    O desafio das correspondências irregulares

    Na língua portuguesa, nem sempre há uma regra que dê conta de tudo. Existem as chamadas correspondências fonográficas irregulares, ou seja, situações em que o mesmo som pode ser representado por letras diferentes, sem uma regra simples que permita generalização.

    Um exemplo clássico:
    • gigante (com G)
    • jiló (com J)

    As duas palavras começam com o mesmo som, mas são escritas de formas diferentes. E aí não tem “regra salvadora” que resolva: a criança precisa aprender e lembrar.

    Compreensão x memorização

    Esse é um ponto essencial para quem ensina.

    Nas regularidades, a criança pode compreender padrões. Já nas irregularidades, o caminho é outro: entra em cena a memória ortográfica.

    Ou seja, a criança precisa:
    • ver a palavra várias vezes;
    • usá-la em diferentes contextos;
    • e, aos poucos, fixar sua forma correta.

    Não é sobre “decorar por decorar”, mas sobre conviver com a palavra até que ela se torne familiar.

    O que priorizar no ensino?

    Nem toda palavra precisa ser cobrada da mesma forma, e esse é um cuidado pedagógico importante.

    Como destacam Artur Gomes de Morais e Tarciana Pereira da Silva Almeida (2022, p. 21):

    […] pensamos que é mais importante ajudar a criança a, desde cedo, escrever ‘homem’, ‘hoje’, e ‘hora’, palavras que reaparecerão nos textos de que será autora, do que cobrar, aos 7 ou 8 anos, que ela não erre ao escrever palavras raras como ‘harpa’, ‘holofote’ ou ‘hélice’.

    Essa reflexão nos convida a olhar com mais intenção para aquilo que ensinamos.

    Faz mais sentido, nesse momento em que a criança começa a se apropriar da ortografia, investir em palavras frequentes, significativas e que aparecem na produção da própria criança, do que exigir precisão em palavras pouco usuais.

    Uma proposta lúdica para esse momento

    Pensando nesse desafio, hoje eu trouxe uma sugestão lúdica para mediar esse processo e levar a criança a refletir sobre a escrita: o jogo “Papa Erros”.

    Na elaboração do jogo, procurei selecionar palavras irregulares de uso frequente, ou seja, algumas que a criança, possivelmente, irá utilizar em seus textos no dia a dia. Assim, o aprendizado se torna mais significativo e funcional.

    Habilidades estimuladas

    Com o jogo, é possível trabalhar:

    • palavras com S / Z, X / CH, C / Ç / SC, R / RR, G/J entre outras;
    • construção da memória ortográfica;
    • atenção e concentração;
    • reflexão sobre a escrita.

    Agora vamos ver como utilizar o jogo?

    Sugestão de uso

    1. Deixe que cada criança escolha o seu “monstro” (o seu lado).
    2. Coloque as cartas em uma pilha.
    3. Cada criança, na sua vez, pega uma carta da pilha, lê para o seu oponente a frase e diz qual palavra ele deverá soletrar.
    4. Se ele errar, deverá puxar o seu lado da tira, de modo que o monstro “coma” uma pastilha.
    5. Perde o jogo quem primeiro ficar sem nenhuma pastilha.

    Dica: Para favorecer a internalização da escrita correta dessas palavras, é importante que as crianças também as escrevam. Isso pode ser feito durante o jogo ou após, conforme vocês acharem mais pertinente.

    É, turma… quando o desafio deixa de ser “como escrever” e passa a ser “como escrever corretamente”, entramos no campo da ortografia. E, nesse campo, entender o que é regra e o que é memória faz toda a diferença. O uso de estratégias lúdicas pode tornar esse processo muito mais envolvente e eficaz.

    É isso o que eu tinha para vocês hoje. Gostaram do que viram por aqui? Espero que sim… hehe!

    Um abraço e até o próximo post.

    Referência Bibliográfica:

    MORAIS, Artur Gomes de. Jogos para ensinar ortografia: ludicidade e reflexão. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.

     

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