Vamos conversar um pouquinho?
Com este texto, quero “bater um papo” com você que acompanha o meu trabalho. Por motivos óbvios vou falar primeiro..haha, mas espero seu comentário depois!
Para começar, preciso dizer que sempre que recebo um e-mail com perguntas sobre como trabalhar com uma criança com diagnóstico de algum transtorno, síndrome, etc, eu me solidarizo com quem me envia a pergunta. E por um motivo muito simples: já li muitos livros e fiz diversos cursos procurando respostas às in-fi-ni-tas perguntas sobre o tema. Claro que muitas vezes a minha expectativa foi maior do que o resultado obtido.
No entanto, hoje me sinto mais tranquila (mas não acomodada). É evidente que o estudo e a vivência prática me fortaleceram nessa caminhada, mas a maneira com que eu aprendi a lidar com esses diagnósticos, e que quero compartilhar, foi que parei de olhar para eles com medo e insegurança. Quer saber? Na verdade, eu simplesmente mudei o foco do meu olhar, da minha escuta. Hoje, ao invés de olhar uma folha de papel, olho o ser humano à minha frente, que – assim como eu e você – está em desenvolvimento.
Se eu pudesse dizer o que considero de mais importante no nosso trabalho, sem dúvida nenhuma, diria: estudar, estudar muito mesmo(!); mas escutar, olhar, sentir o aluno/paciente é primordial. Sem isso o trabalho não flui!
Quanto a algumas sugestões práticas posso afirmar que todas, absolutamente todas as atividades disponíveis neste site (clique em jogos brincadeiras e muito mais…) foram aplicadas com diversas crianças. O que acontece é que é necessário aprimorar a sua sensibilidade e se perguntar: O que meu aluno/paciente já sabe? Qual habilidade precisa desenvolver? Quais interesses ele tem? Sabendo isso você será capaz de escolher a melhor atividade.
Ainda quero contribuir um pouco mais e por isso vou citar alguns quesitos importantes – não são os únicos – para a aprendizagem acontecer com mais eficiência. O único detalhe é que não vou dizer: esta é para síndrome tal, para transtorno tal… Você terá que refletir baseado em suas próprias observações qual atividade seu aluno/paciente está precisando. Eu não posso dizer, simplesmente porque não o conheço. E um diagnóstico não fará com que eu o conheça. Eu me sentiria uma charlatã se fizesse isso.
Vamos lá:
– O vocabulário: Muitas crianças encontram dificuldade na realização de atividades porque tem um conhecimento restrito de conceitos.
– Pensamento lógico: O número é algo que é construído individualmente por muitos anos através da criação e coordenação de relações. Quando um adulto consegue criar um ambiente que indiretamente encoraje o pensamento das crianças acaba por surpreender-se com a quantidade de relações que elas por si acabam por demonstrar. As situações de conflito são ótimos momentos para colocar as coisas em relações e desenvolver a mobilidade e a coerência do pensamento. Se ao contrário de ser reprimida, a criança for encorajada a discutir ou justificar uma decisão estará desenvolvendo de uma maneira indireta o seu pensamento lógico. Leia mais…
– Percepção (tátil, olfativa, visual, auditiva…). Sabe aquela criança que você diz que não tem memória? É possível que a dificuldade dela esteja no fato de não ter boa percepção.
Por fim, preciso terminar essa conversa dizendo-lhe que acredite, tenha confiança e principalmente persistência. Entendo que vivemos em uma era que queremos tudo para ontem, mas nós seres humanos precisamos de tempos diferentes. Também não é para ficar esperando que as coisas aconteçam, ok? Não menospreze a capacidade de aprendizagem do ser humano, que é infinita, mas absolutamente particular. Jamais um diagnóstico será capaz de medir e determinar o quanto um indivíduo tem de capacidade para se desenvolver. Porém, o seu olhar poderá ser capaz de incapacitar ou capacitar. Pense nisso!
Bom, acho que já falei demais, e não quero que nossa conversa se transforme em um monólogo, então agora é a sua vez. Espero que não me deixe aqui falando sozinha…rs
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