O-lá!
Durante muito tempo, o ensino da leitura esteve apoiado na ideia de que a criança aprenderia a ler reconhecendo palavras como um todo. No entanto, os avanços das pesquisas sobre o funcionamento do cérebro nos convidam a rever essa concepção.
No início do processo de alfabetização, aprender a ler envolve perceber unidades menores, como sílabas e fonemas, e compreender como elas se organizam para formar palavras com sentido. Nesse processo, o cérebro analisa, segmenta, compara e relaciona sons e grafias.
Ou seja, o que parece “global” no leitor fluente é, na verdade, o resultado de um sistema treinado e automatizado, mas fundado em unidades menores.
Stanislas Dehaene explica isso de forma muito clara quando afirma:
As particularidades do sistema visual dos primatas, que começa a se tornar bem conhecido, explicam por que as operações que nosso cérebro realiza não têm nada em comum com o reconhecimento “global”, da forma das palavras. (DEHAENE, 2012)
É justamente nesse ponto que propostas como o jogo Marque as Sílabas ganham intenção pedagógica. Ao observar uma figura e refletir sobre quais sílabas são necessárias para formar seu nome, a criança é convidada a pensar sobre a estrutura da palavra, e não apenas a “adivinhar” sua escrita.
Marcar as sílabas corretas exige atenção, análise dos sons, comparação visual e tomada de decisão. Quando essa experiência é ampliada com o registro da palavra em um caderno, a criança fortalece ainda mais a relação entre o que ouve, o que vê e o que escreve.
Durante o jogo, são estimuladas habilidades como:
• percepção auditiva;
• atenção e concentração;
• análise e segmentação das palavras;
• relação entre fonema e grafema;
• tomada de decisão e autonomia.
Muito bem! Agora vamos ver como utilizar o jogo?
Sugestão de uso:
A criança analisa as sílabas disponíveis ao redor da imagem e marca aquelas que formam o nome correto da figura, utilizando clips ou marcadores.
Para ampliar a aprendizagem, você pode sugerir que ela registre a palavra formada em um caderno, fortalecendo a relação entre o som e a escrita.
É a partir de experiências como essas que fica evidente: alfabetizar não é acelerar respostas prontas, mas criar situações em que a criança possa pensar sobre a língua, experimentar, errar, ajustar e construir hipóteses. Jogos bem planejados não substituem o ensino, mas tornam esse processo mais significativo, consciente e respeitoso com a forma como o cérebro aprende a ler.
É isso! Gostou do que viu por aqui?
Referência Bibliográfica:
DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Tradução de Leonor Scliar-Cabral. Porto Alegre: Penso, 2012.
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