Tag: alfabetização lúdica

  • Tira, Põe

    Tira, Põe

    O-lá!

    É comum associarmos os jogos ao lazer e à descontração. E de fato, eles cumprem bem esse papel. Mas, na prática educativa, o jogo vai além: ele se transforma em um território fértil para o desenvolvimento do pensamento.

    Quando propomos uma atividade lúdica, o que está em jogo não é apenas vencer ou perder. Está em jogo o modo como a criança observa, planeja, compara, experimenta, erra, tenta de novo. É ali, nesse entrelaçar de ações e decisões, que o cérebro se exercita de maneira potente e significativa.

    Mas quando… ou até quando podemos utilizar jogos?

    Celso Antunes (2023, p. 15, grifo do autor) nos lembra:

    […] Poder-se-ia dizer a ‘vida inteira’, mas com prioridade na fase dos dois aos doze anos, pois no início dessa fase o organismo produz mielina, uma substância que envolve os neurônios e que ajuda a aumentar a velocidade na transmissão das informações.

    Ou seja: quanto mais estímulos adequados nessa fase, maiores as possibilidades de fortalecer as rotas neurais e ampliar a capacidade de aprendizagem.

    Os jogos são um excelente caminho para isso, especialmente quando planejados para desenvolver diferentes áreas do saber. Em uma única proposta é possível articular linguagem escrita, noções matemáticas, pensamento lógico, atenção, memória e organização espacial. Tudo de forma viva, concreta e engajada.

    O jogo “Tira, põe” é um ótimo exemplo dessa integração. Com ele, estimulamos a alfabetização e a construção do número (adição, subtração), além de outras habilidades. Vamos ver como utilizar?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana.
    2. Espalhe as fichas com sílabas.
    3. Sorteie quem iniciará.
    4. Cada criança, na sua vez, joga os dois dados. Um deles determina se ela deve colocar fichas sobre o tabuleiro ou tirar. O outro dado indica a quantidade.
      Importante: Oriente a criança a ler em voz alta as sílabas antes de colocá-las ou retirá-las.
    5. Vence quem completar o tabuleiro colocando a última ficha.

    Gostou?

    As crianças podem formar palavras com as fichas das sílabas. E se você quiser focar apenas em matemática, pode utilizar o mesmo tabuleiro e os dados, substituindo as fichas de sílabas por botões.

    Veja mais detalhes no vídeo que segue abaixo.

    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    ANTUNES, Celso. Estimular o cérebro da criança. São Paulo: Vozes, 2023.

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    Talvez você queira saber:

    1. O que fazer quando a criança tem dificuldade em formar palavras com as sílabas?

    Nesse caso, o mais importante é respeitar o estágio em que a criança se encontra. Se ela ainda não consegue formar palavras com autonomia, o adulto pode fazer intervenções leves: dar dicas, perguntar “o que será que pode começar com essa sílaba?”, ou mesmo ajudar a montar palavras conhecidas. Aos poucos, com a repetição e o envolvimento no jogo, a criança tende a se apropriar das regularidades da escrita e formar palavras com mais facilidade.

    2. De que forma o jogo trabalha a construção do número e o pensamento matemático?

    O jogo exige que a criança compreenda e manipule quantidades: ela precisa identificar o número sorteado no dado, contar corretamente, colocar ou retirar fichas do tabuleiro e acompanhar o efeito dessas ações no jogo coletivo. Isso favorece a noção de número, a contagem, a adição e a subtração, além de estimular o pensamento lógico e a antecipação de resultados.

    3. O jogo pode ser utilizado em grupo ou é melhor em dupla?

    O “Tira, põe” foi pensado para funcionar bem em grupo. Como o tabuleiro é coletivo, o revezamento entre as crianças promove a interação social, o respeito à vez do outro e a observação das jogadas. No entanto, ele também pode ser jogado em duplas, caso o número de crianças seja menor ou o espaço limitado. Ambas as formas são válidas — o mais importante é que a experiência seja significativa e envolvente.

  • Ponto Final & Companhia

    Ponto Final & Companhia

    O-lá!

    Escrever bem vai além de saber regras gramaticais ou dominar a ortografia. Uma frase pode estar correta do ponto de vista sintático, sem nenhum erro de grafia, conter palavras bem escolhidas — e, ainda assim, ser mal compreendida.

    É que a clareza na escrita não depende apenas do que se escreve, mas de como se conduz o leitor por aquilo que foi escrito. E é aí que entra a pontuação.

    A pontuação funciona como uma espécie de mapa: orienta a leitura, indica pausas, entonações, marca o ritmo e dá sentido ao texto. Como diz Cláudio Moreno (2004, p. 8):

    Esta é, como veremos, a única (e preciosa) função dos sinais de pontuação: orientar o leitor para a melhor maneira de percorrer os textos que escrevemos.

    E para entender o valor disso, vale uma curiosidade histórica:

    Você sabia que a pontuação não nasceu junto com a escrita?
    Durante séculos, os textos eram escritos sem vírgula, sem ponto e sem espaço entre palavras. Essa prática se chamava scriptio continua e era comum em manuscritos gregos e latinos da Antiguidade até a Idade Média.

    Por que escreviam assim?

    • Possivelmente porque o papiro e o pergaminho eram caros.

    • Porque a fala não tem pausas visuais.

    • E porque se lia em voz alta — e o leitor experiente entendia.

    Mas aí… veio a leitura silenciosa.
    E com ela, a necessidade de pausas visuais para compreender o texto. Foi assim que surgiram os sinais de pontuação e os espaços entre palavras: para organizar o pensamento na página.

    Ou seja, a pontuação não é um detalhe.
    Ela é um recurso que o leitor aprendeu a precisar.

    E essa orientação é fundamental desde o início do processo de alfabetização. Quando ensinamos uma criança a usar um ponto final, por exemplo, não estamos apenas ensinando um sinal gráfico — estamos mostrando que toda ideia tem começo, meio e fim. Estamos ajudando a organizar o pensamento e a torná-lo comunicável.

    A vírgula, por sua vez, exige mais do que conhecimento técnico. Ela pede escuta. Ensina a reconhecer pequenas pausas, a dar ritmo, a separar ideias que caminham juntas. Os dois-pontos, os sinais de interrogação e de exclamação — todos têm uma função que vai além da gramática: são recursos para dar vida à escrita.

    E, como tudo que envolve leitura e escrita, a pontuação também precisa ser ensinada de forma significativa.

    Hoje eu trouxe uma ideia divertida para aguçar a argumentação. Um jogo no qual as crianças são expostas a situações práticas e precisam decidir qual pontuação utilizar. O bacana é que a proposta incentiva a discussão e a exposição de pontos de vista entre elas. Isso vai além de simplesmente dizer se está certo ou errado. Entende?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro sobre uma superfície plana. Embaralhe as cartas e forme uma pilha com elas. Entregue a cada jogador marcadores (como botões, pedrinhas etc.).

    2. Na sua vez, o jogador pega uma carta do topo da pilha. Lê a frase em voz alta e diz qual sinal de pontuação está faltando: ponto final, vírgula, ponto de exclamação, ponto de interrogação ou dois-pontos.

    3. Os outros jogadores devem concordar com a resposta. Caso haja dúvida, o grupo pode discutir até chegar a um consenso.

    4. Em seguida, o jogador marca uma casa no tabuleiro que contenha o mesmo sinal de pontuação mencionado.

    5. Vence quem, ao colocar seu marcador, completar uma linha inteira (na horizontal ou vertical), mesmo que outros jogadores tenham marcado parte dela.

    6. Para finalizar, que tal escolher uma das frases e propor que as crianças criem um pequeno texto a partir dela?

    É isso! Espero que as informações que deixei aqui tenham sido úteis para você.
    Um abraço e até o próximo post.

    Referência Bibliográfica

    MORENO, Cláudio. Guia prático do português correto: pontuação. Porto Alegre: L&PM Editores, 2004.

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    • 30 cartas com frases;
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    • Instruções de Uso.

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    Talvez você queira saber:

    1) O jogo pode ser usado como introdução ao conteúdo de pontuação ou é mais indicado após explicação prévia?
    Pode ser usado das duas formas. Como introdução, ele desperta curiosidade e favorece conversas significativas sobre os sinais e suas funções. Já após uma explicação prévia, o jogo funciona como excelente forma de fixação, promovendo argumentação e aplicação prática do que foi aprendido.

    2) O jogo pode ser utilizado em contextos de reforço escolar ou intervenção psicopedagógica?
    Sim! O jogo é versátil e pode ser adaptado para diferentes contextos. Em atendimentos psicopedagógicos, por exemplo, ele permite observar como a criança compreende o funcionamento da pontuação e favorece intervenções mediadas, com foco na linguagem, leitura e organização do pensamento.

  • Tic-Tac

    Tic-Tac

    O-lá!

    Para o bom desenvolvimento cognitivo, emocional e físico de uma criança, sabemos que é muito importante oferecer tempo, silêncio e espaço para que ela pense, organize suas ideias e encontre o caminho das respostas com tranquilidade.

    No entanto, nem sempre o desafio está em ter tempo de sobra. Às vezes, o que a criança precisa é de ritmo. De desafio. De jogos que façam seu cérebro se mexer mais rápido. De brincadeiras que ativem sua atenção, que instiguem a curiosidade e, ao mesmo tempo, peçam agilidade na resposta.

    É aí que entra a ideia de estimular, de forma lúdica e cuidadosa, a velocidade de processamento — uma habilidade cognitiva que envolve perceber, interpretar e responder a um estímulo em pouco tempo. Ela está diretamente ligada ao desempenho em leitura, escrita, cálculo e também na maneira como a criança lida com tarefas do cotidiano.

    Mas, claro: isso precisa ser feito com equilíbrio. Segundo o capítulo “Memória, estresse e ansiedade” (Fiorino, 2006, p.322):

    Qualquer atividade envolvendo um limite de tempo, até mesmo um jogo, é uma fonte de tensão. A presença de um prazo final pode interferir em sua habilidade de concentração.

    Ou seja, não se trata de apressar a criança o tempo todo. Trata-se de saber dosar. De oferecer tanto jogos que acolham o tempo interno da criança, quanto desafios que provoquem uma resposta mais rápida — sem cobrança, mas com ludicidade.

    Jogos com tempo marcado, como o Tic Tac, por exemplo, instigam a criança a organizar ideias, tomar decisões, testar hipóteses rapidamente. E sabe o que é melhor? Ela nem percebe que está treinando funções executivas… porque está brincando. Ou seja, de maneira controlada, é importante oferecer atividades que desafiem a criança a apresentar respostas com mais rapidez.

    No fim das contas, é isso que buscamos: estimular com sentido e desafiar com alegria.

    Chega de falação, vamos à explicação do jogo?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana.
    2. Cubra as letras dos quadros com as fichas.
    3. Cada criança, na sua vez, joga o dado.
    4. Em seguida, ela deve procurar no tabuleiro uma ficha que tenha o mesmo tempo sorteado.
    5. A criança retira a ficha para descobrir as letras e tenta formar a palavra no tempo estipulado. No alto de cada coluna está indicado se as letras do quadro pertencem a um brinquedo, animal, fruta, parte do corpo ou peça de vestuário.
    6. Se conseguir, fica com a ficha. Do contrário, devolve-a ao mesmo quadro.
    7. O jogo termina quando todas as palavras tiverem sido descobertas.
    8. Ganha quem tiver conquistado mais fichas.

    É isso! Gostou? Que tal me deixar saber?
    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    MEMÓRIA, estresse e ansiedade. In: FIORINO, Marie-Christelle (Coord.). 101 maneiras de melhorar sua memória. Tradução de Celimar de Lima, Stela Maris Gandour, Rodrigo Chia; adaptação: Eduardo Castelo Branco et al. Rio de Janeiro: Reader’s Digest, 2006

    Arquivo digital formato PDF contendo:

    • 01 tabuleiro;
    • 30 fichas;
    • 01 embalagem;
    • Instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar.

    Talvez você queira saber:

    1) O que exatamente é velocidade de processamento e por que ela é importante na alfabetização?

    A velocidade de processamento é a rapidez com que o cérebro percebe, interpreta e responde a um estímulo. No contexto da aprendizagem, isso significa: ouvir uma pergunta, entender o que foi dito, acessar o que já sabe e dar uma resposta — tudo isso em um tempo adequado.

    Ela está diretamente relacionada à fluência de leitura, à escrita espontânea e à resolução de problemas. Quando a criança tem uma velocidade de processamento muito lenta, pode, por exemplo, entender o conteúdo, mas leva tempo demais para reagir, o que pode atrapalhar seu desempenho escolar.

    Estimular essa habilidade de forma lúdica e respeitosa, como propõe o Tic Tac, ajuda a criança a pensar com mais agilidade — sem pressão, mas com desafio.

    2) Esse tipo de jogo com tempo não pode deixar a criança ansiosa ou muito frustrada?

    Depende de como for conduzido. Por isso, é essencial que o jogo seja apresentado com leveza, que o adulto monitore as reações da criança e que o foco esteja sempre no processo, não no acerto.

    A ideia é brincar com o tempo. Criar ritmo, dar movimento ao pensamento.

    Quando a criança percebe que pode errar, tentar de novo, rir, comemorar o que conseguiu… ela se sente segura. E quando se sente segura, ela aprende.

     

  • Frases Embaralhadas

    Frases Embaralhadas

    O-lá!

    Você sabia que aprender a ler transforma o cérebro da criança?

    Mais do que um marco simbólico no desenvolvimento, a aprendizagem da leitura provoca uma reorganização concreta nas estruturas cerebrais. Ao aprender a ler, a criança ativa novas conexões neurais, modifica a forma como processa sons e imagens e constrói um circuito de leitura no cérebro.

    E não, isso não acontece apenas porque ela atingiu uma certa idade. A transformação acontece porque foi exposta a experiências significativas de leitura e escrita.

    Pesquisas em neuroimagem confirmam: é o exercício ativo da leitura que molda o cérebro leitor. Como explica o neurocientista Stanislas Dehaene:

    […] à medida que melhora a leitura, a ativação da região occipito-temporal esquerda aumenta, precisamente nas coordenadas observadas no adulto. Esse aumento depende mais do nível de leitura alcançado pela criança do que de sua idade. Assim, trata-se de um reflexo da aprendizagem e não de um simples efeito de maturação cerebral. (DEHAENE, 2012, p. 224)

    Em outras palavras: quanto mais a criança lê, mais ativa se torna a área conhecida como “forma visual da palavra” — o mesmo circuito usado por leitores adultos experientes.

    Isso reforça a importância de uma mediação sensível e intencional no processo de alfabetização. Professores, famílias e profissionais da educação têm papel central em garantir que a aprendizagem da leitura ocorra de maneira efetiva. Quando a leitura se transforma em descoberta, o cérebro responde — e se transforma também

    Pensando nisso, apresento o jogo Frases Embaralhadas, criado para estimular a leitura, a compreensão e organização de frases de um jeito divertido. Lembra um jogo de quebra-cabeça, mas com palavras. Vamos ver?

    Sugestão de Uso:

    1. Espalhe todas as fichas sobre a mesa.
    2. Peça que a criança escolha primeiro uma ficha com a figura de um animal.
    3. Depois, selecione todas as fichas que trazem um círculo da mesma cor.
    4. O desafio é escolher quais destas fichas podem ser utilizadas para formar uma frase completa — com começo, meio e fim.

    Variação: Permita que a criança forme frases com fichas de cores diferentes. Isso amplia as possibilidades e incentiva a criatividade na construção das frases.

    Dica extra: Peça que a criança escreva a frase formada em um caderno. A escrita manual recruta circuitos cerebrais adicionais, reforçando ainda mais a aprendizagem.

    Gostou do que viu por aqui?  Observe como a prática fortalece o caminho da leitura. Exatamente como a ciência mostra!

    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica

    DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Tradução de Leonor Scliar-Cabral. Porto Alegre: Penso, 2012.

    Arquivo digital formato PDF contendo:

    • 84 fichas (sendo possível formar no mínimo 28 frases);
    • 01 embalagem;
    • Instruções de Uso.

    Para você imprimir, montar e jogar.

    Talvez você queira saber:

    1) O que esse jogo trabalha além da leitura?

    Ele estimula também a estruturação de frases, a atenção e o pensamento lógico.

    2) É possível usar esse jogo com grupos de crianças?

    Sim. Uma possibilidade é propor que as crianças joguem em duplas ou trios, colaborando para encontrar as fichas e montar a frase correta. Isso favorece a troca de ideias, a argumentação e o desenvolvimento da linguagem oral.

    3) É possível criar novas frases com as mesmas fichas?

    Sim! Para isso, basta não considerar a cor das fichas como um critério fixo. Ao permitir que a criança combine fichas de cores diferentes, surgem novas possibilidades de construção de frases — o que amplia a criatividade, o vocabulário e a capacidade de reorganizar ideias. Essa variação estimula a criança a testar diferentes estruturas e observar o que faz sentido, promovendo uma compreensão mais flexível da linguagem. É uma excelente forma de prolongar o uso do material e tornar o jogo ainda mais rico.

  • Letra por Letra

    Letra por Letra

    O-lá!

    Aprender o sistema de escrita — compreender como as letras representam os sons da fala, como se organizam nas palavras e como essas palavras ganham sentido — é uma conquista central no processo de alfabetização. Mais do que uma habilidade isolada, trata-se de uma aprendizagem que sustenta e impulsiona outras tantas. Como nos lembra Tolchinsky (2003: xxiii), citada por Soares (2016, p. 36):

    […] aprender o sistema de escrita é apenas um fio na teia de conhecimentos pragmáticos e gramaticais que as crianças precisam dominar a fim de tornarem-se competentes no uso da escrita, mas é uma aprendizagem imperativa, e promove as outras.

    Ou seja: dominar o sistema alfabético-ortográfico não esgota o processo de alfabetização, mas é um passo imprescindível, que sustenta e impulsiona o desenvolvimento das demais competências que envolvem o uso pleno e competente da linguagem escrita — como a compreensão textual, a produção de textos, o uso adequado da linguagem em diferentes contextos comunicativos e a reflexão sobre o funcionamento da própria língua.

    Pensando nisso, o jogo Letra por Letra foi desenvolvido justamente para estimular essa interação entre o conhecimento do sistema de escrita e o desenvolvimento da autonomia na escrita de palavras.

    Um detalhe: O fato de haver a quantidade de quadros correspondente ao número de letras necessárias para escrever o nome da figura em destaque já serve de pista para a criança. Isso é especialmente relevante para aquelas que estejam apresentando hipótese de escrita silábica, pois, ao escrever, poderão perceber de imediato que faltaram letras. Essa constatação desestabiliza sua hipótese de escrita, instigando a criança a afinar e apurar sua escuta aos sons da palavra. Dessa forma, o jogo também estimula a consciência fonêmica. Vamos ver como utilizar o jogo?

    Sugestão de Uso:

    1. Deixe a criança escrever o nome da figura utilizando as fichas de letras.

    2. Em seguida, ela pode levantar a aba que está com “?” para verificar se escreveu corretamente. Assim, além de exercitar a formação de palavras, a criança tem a oportunidade de comparar sua hipótese de escrita com a grafia convencional, refletindo e ajustando seu conhecimento.

    Gostou?

    Letra por Letra propõe uma atividade de escrita ativa, reflexiva e autônoma, respeitando o processo de construção da linguagem escrita de cada criança. Eu amo jogos assim! E você?

    Um abraço e até o próximo post.

    Referência Bibliográfica:

    SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016.

     

    VALOR PROMOCIONAL DE LANÇAMENTO SOMENTE HOJE, 02/07/2025

    Arquivo digital formato PDF contendo:

    • 36 fichas com imagens;
    • Fichas com alfabeto;
    • 01 embalagem;
    • Instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar.

    Talvez você queira saber:

    1) O Letra por Letra pode ser utilizado em atendimentos psicopedagógicos individualizados?

    Sim. O jogo é um excelente recurso para o trabalho psicopedagógico individual, pois permite observar de forma lúdica e concreta o modo como a criança está organizando o conhecimento da escrita e mediar o processo de construção da escrita de forma mais assertiva.

    2) Ele também pode ser usado como um instrumento de avaliação diagnóstica do nível de escrita da criança?

    O Letra por Letra pode fornecer indícios valiosos sobre as hipóteses de escrita da criança, já que permite observar como ela organiza os sons e as letras ao tentar escrever. No entanto, como o próprio jogo oferece pistas visuais (a quantidade de quadros indica o número de letras da palavra), essas pistas acabam, de certa forma, mediando a produção da criança e podem influenciar suas escolhas. Por isso, o jogo pode auxiliar na observação e no acompanhamento do desenvolvimento, mas não substitui avaliações diagnósticas mais formais, nas quais a criança escreve livremente, sem apoios visuais.

    3) Qual o papel do adulto durante a atividade? Deve orientar ou deixar a criança explorar sozinha?

    O papel do adulto é de mediador. Inicialmente, pode ser necessário apresentar a dinâmica, esclarecer o funcionamento do jogo e modelar o raciocínio. Conforme a criança se familiariza com a proposta, o ideal é que ela tenha espaço para experimentar e testar suas hipóteses. Quando necessário, o adulto pode intervir com perguntas ou estratégias que favoreçam a reflexão, sem oferecer respostas prontas.

    Por exemplo: se a criança escreve AIA para representar SAIA, o adulto pode alongar os sons:
    “Vamos falar devagar: SSSSS-AAAAA-IIIII-AAA… Qual som você ouviu primeiro?”
    Essa mediação apoia a percepção auditiva dos sons da palavra e ajuda a criança a segmentar com mais precisão, favorecendo o avanço nas hipóteses de escrita e o desenvolvimento da consciência fonêmica.

  • Leia e Avance

    Leia e Avance

    O-lá!

    Aprender a ler não é um processo natural nem passivo. Ao contrário da linguagem oral, que se desenvolve espontaneamente em contextos de interação, a leitura exige um esforço consciente de decodificação, construção de sentido e integração entre diferentes sistemas cognitivos. É uma conquista cultural complexa, que exige do cérebro a reorganização de circuitos já existentes, conectando sons, letras e significados.

    Como explica Stanislas Dehaene (2012, P. 63):

    A identificação das letras e das palavras é um processo ativo de decodificação no qual o cérebro acrescenta a informação ao sinal visual.

    Ou seja, o cérebro do leitor não se limita a decodificar símbolos visuais, mas interpreta ativamente aquilo que vê. Esse funcionamento ocorre em todo ato de leitura: ao reconhecer as letras, o cérebro busca sons, significados e conhecimentos já armazenados, combinando essas informações de forma automática e rápida. Quando há pistas contextuais prévias — como o tema do texto ou o campo de vocabulário esperado —, o cérebro dispõe de ainda mais informações para enriquecer o processo de decodificação.

    No caso de leitores iniciantes, ainda em fase de consolidação da correspondência entre letras e sons, essa antecipação de contexto pode ser uma estratégia pedagógica importante. Ao informar previamente, por exemplo, que o conteúdo da leitura envolve nomes de animais, cria-se uma base de apoio para o processamento da informação, reduzindo a sobrecarga cognitiva e permitindo que a criança concentre seus recursos mentais na decodificação e no reconhecimento das palavras.

    No jogo Leia e Avance, essa proposta é intencionalmente utilizada. As listas de palavras favorecem o acesso ao léxico e, quando necessário, contribuem para a ampliação e consolidação de novas palavras. Assim, o jogo estimula a fluência, fortalece a memória ortográfica e permite que o processo ativo de leitura descrito por Dehaene ocorra de forma lúdica, segura e desafiadora.

    Afinal, como nos lembra Dehaene, é o cérebro que, ao interpretar o que vê, torna a leitura possível.

    Ufa, mas vamos à explicação do jogo?… Rsrs!

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana e as cartas em uma pilha, com o texto voltado para baixo.
    2. Na sua vez, a criança sorteia uma carta, lê as palavras e avança no tabuleiro o mesmo número de casas correspondente à quantidade de palavras lidas (ex.: se leu três palavras, avança três casas).
    3. Se o peão parar na base de uma escada, a criança sobe o até o topo da escada.
    4. Se o peão parar na cabeça de uma cobra, a criança desce até o final da cauda da cobra.
    5. O jogo segue dessa forma até que um dos jogadores chegue ao final da trilha, sendo o vencedor.

    É isso! Gostou do que viu por aqui?

    Um abraço e até o próximo post 🙂

    Referência Bibliográfica

    DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Tradução de Leonor Scliar-Cabral. Porto Alegre: Penso, 2012.

    Arquivo digital em formato PDF contendo:

    • 32 cartas com palavras;
    • 04 cartas desafio;
    • 04 peões;
    • 01 tabuleiro;
    • 01 embalagem;
    • Instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar

    VALOR PROMOCIONAL DE LANÇAMENTO SOMENTE HOJE (11/06/2025)

    Talvez você queira saber:

    1. Além da leitura, o jogo trabalha outras habilidades cognitivas?

    Sim. Embora o foco principal seja a leitura de palavras, o jogo também estimula outras funções cognitivas importantes no processo de alfabetização, como atenção e memória de trabalho.

    2. Pode ser usado em atendimentos individuais e também em sala de aula?

    Sim. Pode ser aplicado tanto em contextos individuais, como em atendimentos psicopedagógicos e de reforço escolar, quanto em pequenos grupos em sala de aula. Em grupo, além dos aspectos cognitivos, o jogo também favorece aspectos socioemocionais, como respeito às regras, espera da vez e interação entre colegas. A proposta lúdica permite que o jogo se adapte facilmente a diferentes contextos educativos.

    3. Por que você não usou as imagens dos animais?

    Neste jogo, a proposta central é estimular o reconhecimento e a leitura da palavra escrita, favorecendo que a criança ative o conhecimento linguístico, e não apenas o visual. Sem a imagem, a criança precisa realmente ler para acessar o significado, o que fortalece a correspondência grafema-fonema, o reconhecimento ortográfico e a ampliação do vocabulário.
    Em outros jogos disponíveis no site, trabalhamos com imagens justamente porque o objetivo pedagógico é outro. Cada jogo é pensado de acordo com as habilidades que se pretende estimular.

  • Mistério no Galinheiro

    Mistério no Galinheiro

    O-LÁ!

    Quando a criança começa a aprender a ler, ela está se aventurando por um caminho no qual será preciso construir uma ponte entre o que se vê e o que se ouve — e essa ponte se forma com atenção, escuta e muito trabalho.

    Stanislas Dehaene (2012, p. 245) nos lembra que:

    A etapa decisiva da leitura é a de decodificação dos grafemas em fonemas, é a passagem de uma unidade visual a uma unidade auditiva. É, pois, sobre essa operação que se devem focalizar todos os esforços.

    Essa é, de fato, uma etapa decisiva no processo de alfabetização. Ou seja, a criança precisa reconhecer o que está escrito e relacionar isso aos sons que conhece da fala.

    Esse é um passo fundamental para transformar a leitura em algo com sentido — e não apenas em um exercício mecânico.

    Para apoiar essa construção, é importante oferecer experiências que sejam envolventes, desafiadoras e significativas.

    Pensando nisso, hoje trago como sugestão o jogo “Mistério no Galinheiro”. Nele, a criança encontra pistas rimadas e deve formar palavras a partir de sílabas embaralhadas. A proposta é ajudar a Galinha Dora a recuperar as palavras de sua tarefa escolar. E, enquanto brinca, a criança amplia seu vocabulário, desenvolve a leitura e refina sua atenção aos sons que compõem as palavras.

    🐔 Sugestão de Uso:

    1. Comece lendo a história da Galinha Dora para as crianças. Essa introdução cria envolvimento e dá sentido à proposta do jogo.
    2. Disponibilize o tabuleiro em uma superfície plana, acessível a todos.
    3. Sorteie uma carta do envelope e leia (em voz alta ou junto com as crianças).
    4. As crianças devem descobrir qual é a palavra e procurar no tabuleiro as sílabas que a compõem.
    6. O jogo termina quando todas as palavras forem completadas.

    💡 Na margem inferior de cada carta, há a resposta (em tamanho pequeno e de cabeça para baixo), que pode ser usada como apoio caso a criança tenha muita dificuldade para identificar a palavra.

    🤝 E tem mais!
    Este é um jogo sem competição.
    As crianças podem jogar juntas, conversando, trocando ideias, cooperando.
    Uma brincadeira que valoriza o percurso, não apenas a chegada.

    É isso! Gostou do que viu por aqui? Espero que sim.

    Uma abraço e até mais!

    Referência Bibliográfica:
    DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2012.


    Arquivo digital em formato PDF contendo:

    • 27 cartas;
    • 01 tabuleiro;
    • 01 embalagem (envelope para cartas);
    • 01 card com uma breve história;
    • Instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar

    VALOR PROMOCIONAL DE LANÇAMENTO ATÉ (06/06/2025)

    Talvez você queira saber:

    1. Quantas crianças podem jogar ao mesmo tempo? É melhor em grupo ou individual?

    O jogo “Mistério no Galinheiro” pode ser utilizado tanto de forma individual quanto em pequenos grupos.
    Em contexto individual, a criança tem mais tempo para refletir, testar hipóteses e ser observada de perto. Já em grupo, o jogo ganha um valor social e colaborativo, pois favorece a troca de ideias, o diálogo e o raciocínio compartilhado.

    Como o jogo não é competitivo, ele se adapta bem a situações de cooperação entre pares — o que é excelente do ponto de vista pedagógico. Dois ou três participantes já formam um grupo ideal.

    2. Qual a faixa etária ideal para usar o “Mistério no Galinheiro”?

    O jogo foi pensado para crianças que já estão em processo de alfabetização, ou seja, que já reconhecem sílabas simples e estão começando a ler palavras.
    Geralmente, isso ocorre entre os 5 e 7 anos, mas depende do nível de conhecimento prévio da criança, e não apenas da idade.

    Crianças mais velhas (8 ou 9 anos) que ainda estejam consolidando a leitura de palavras também podem se beneficiar — especialmente se apresentarem dificuldades relacionadas à segmentação ou fluência.

    3. Há risco da criança se apoiar no gabarito e não fazer esforço para pensar na resposta? Como mediar isso?

    Sim, esse risco existe — especialmente se a criança souber desde o início que a resposta está visível. Por isso, no jogo “Mistério no Galinheiro”, o gabarito foi colocado de forma discreta, em tamanho pequeno e de cabeça para baixo, na margem inferior da carta.

    Ainda assim, a mediação do adulto é essencial.
    Antes de permitir que a criança consulte a resposta, é importante incentivá-la a tentar, refletir, conversar e até mesmo errar — como parte do processo de aprendizagem.

    Se você perceber que a criança está olhando automaticamente para o gabarito, uma sugestão simples é cobrir a resposta com um post-it ou pedacinho de papel dobrado, deixando claro que ela só poderá conferir depois de fazer uma tentativa real.

    Dizer algo como:

    “A resposta está ali, mas vamos tentar primeiro? Se ficar muito difícil, a gente dá uma espiadinha!”

    Dessa forma, o gabarito se mantém como um apoio pedagógico respeitoso, e não como um atalho que impede a aprendizagem.

  • Correio de Palavras

    Correio de Palavras

    O-lá!

    Antes mesmo de entrar na escola, a criança já convive com a escrita: vê adultos fazendo listas, observa placas nas ruas, manuseia livros e embalagens. Ela vive experiências com a linguagem escrita nos contextos sociocultural e familiar e, a partir dessas vivências, começa a construir suas primeiras ideias sobre o que é escrever.

    Mas é na escola, com mediação intencional e sistemática, que esse processo se aprofunda. Como afirma Magda Soares (2022, p. 51, grifo do autor):

    A criança vive, assim, experiências com a língua escrita nos contextos sociocultural e familiar. Mas é pela interação entre seu desenvolvimento de processos cognitivos e linguísticos e a aprendizagem proporcionada de forma sistemática e explícita no contexto escolar que a criança vai progressivamente compreendendo a escrita alfabética como um sistema de representação de sons da língua (os fonemas) por letras – apropria-se, então, do princípio alfabético.

    A apropriação da escrita alfabética não acontece de forma espontânea nem automática. Ela exige intencionalidade pedagógica, escuta sensível e propostas que dialoguem com o que a criança já sabe e com o que ainda precisa descobrir. É nesse encontro entre o vivido e o aprendido que a alfabetização ganha força.

    Pensando nisso, o jogo Correio de Palavras foi criado como uma proposta lúdica, planejada para estimular a leitura e a escrita de palavras.

    Sugestão de Uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana.
    2. Entregue para cada criança uma “bolsa de carteiro” com três palavras de cada categoria.
    3. A criança joga o dado e avança o número de casas correspondente.
    4. Ao parar, observa a categoria indicada na casa (ex: animais, alimentos, objetos).
    5. Em seguida, precisa “entregar” a mesma quantidade de palavras que foi sorteado no dado, dentro da categoria indicada.
    6. Se não tiver palavras suficientes na sua bolsa, deve escrevê-las para completar a entrega.
    7. Todos devem ir até o final da trilha e vence quem tiver feito o maior número de entregas ao final do percurso.

    👉 Dica pedagógica: Combine com as crianças que a leitura das palavras deve ser feita em voz alta, porque o carteiro precisa conferi-las antes da entrega. 🙂

    Variação:

    A criança lança o dado, observa a categoria sorteada (ex: animais, alimentos, objetos etc.) e precisa dizer em voz alta o maior número possível de palavras que lembra.

    Você pode usar um cronômetro (30 segundos, por exemplo) ou deixar mais livre, dependendo do grupo.

    Habilidades estimuladas nessa variação:

    • Memória de longo prazo (resgate de palavras já vistas ou ditas);
    • Atenção sustentada (manter o foco durante a evocação);
    • Organização verbal (acesso e fluência na nomeação);
    • Ampliação de vocabulário;
    • Categorização e evocação sem apoio visual.

    O Correio de Palavras pode ser usado em atendimentos individuais, em duplas ou pequenos grupos. Ele permite ao professor observar leitura, hipóteses de escrita, atenção, e tudo isso em um contexto lúdico, motivador e significativo.

    Referência Bibliográfica:
    SOARES, Magda. Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2022.

     

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo PDF contendo:

    • 01 tabuleiro;
    • 02 peões;
    • 01 embalagem “bolsa de carteiro”;
    • 20 fichas com 60 palavras;
    • Instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e usar 🙂

    Talvez você queira saber:

    1) É necessário que a criança já esteja alfabetizada para jogar?

    Não. O jogo foi pensado justamente para ser usado durante o processo de alfabetização. Mesmo crianças que ainda não escrevem ou leem convencionalmente podem participar, seja reconhecendo palavras, tentando escrevê-las com apoio ou jogando em duplas com colegas mais experientes.

    2) Posso usar o jogo em atendimentos individuais?

    Sim! O Correio de Palavras pode ser utilizado em atendimentos individuais, inclusive em contextos clínicos, como na psicopedagogia. Nesses casos, o jogo permite uma observação detalhada das estratégias e hipóteses da criança, favorecendo intervenções mais direcionadas. Também pode ser jogado em duplas ou pequenos grupos, com ajustes na condução conforme o objetivo pedagógico.

    3) Este jogo é indicado para qual fase da alfabetização?

    Para qualquer criança em processo de alfabetização. No entanto, pode ser mais proveitoso para crianças que estão nas fases silábica com valor sonoro e silábico-alfabética. Para crianças alfabéticas, talvez não represente tanto desafio, a menos que você adapte o jogo, propondo, por exemplo, que escrevam frases com as palavras das categorias.

  • Verbo Faltante

    Verbo Faltante

    O-lá!

    Cada vez mais os jogos têm ganhado espaço nas salas de aula. E com razão! Eles despertam o interesse, envolvem as crianças e promovem o prazer de aprender. Mas, para que cumpram seu papel pedagógico, é essencial que o professor ou professora planeje cuidadosamente como serão utilizados.

    Não basta entregar o jogo e esperar que a mágica aconteça. É preciso pensar nos objetivos, prever possíveis dificuldades e estar presente durante a atividade, fazendo intervenções que estimulem a reflexão e favoreçam a aprendizagem. Ao final do jogo, um momento de sistematização é fundamental: o que foi aprendido? Como esse conhecimento pode ser usado em outras situações?

    Como bem afirmam Morais e Almeida (2022, p. 38):

    É preciso que esses jogos tenham sido planejados previamente pela/o docente e que as jogadas sejam mediadas de modo a promover o máximo de reflexão e descobertas possíveis.

    Ensinar com jogos é potente quando há intencionalidade pedagógica, presença ativa e registro do que foi aprendido.

    Para ilustrar essa proposta de trabalho intencional com jogos, compartilho hoje o “Verbo Faltante”, um recurso simples, mas com muito potencial para estimular a leitura e a construção de sentido. Vamos conhecer?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque as cartas em uma pilha, viradas para baixo.
    2. Um jogador vira a carta do topo e, em seguida, lança o dado.
    3. Se o verbo sorteado puder completar a frase de forma coerente, o jogador lê a frase completa (flexionando o verbo, se necessário). Se acertar, fica com a carta. Caso contrário, o próximo jogador lança o dado.
    4. Vence quem conquistar mais cartas ao final da rodada.

    Gostou da ideia? Então experimente e conte como foi?! Vou amar saber 😊

    Referência Bibliográfica:

    MORAIS, Artur Gomes; ALMEIDA, Tarciana Pereira da Silva. Jogos para ensinar ortografia: ludicidade e reflexão. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo PDF contendo:

    • 30 cartas;
    • 01 dado;
    • 01 embalagem;
    • Instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e usar 🙂

    Talvez você queira saber:

    1. Como aproveitar melhor o jogo em turmas com diferentes níveis de leitura?

    Uma possibilidade é formar duplas ou pequenos grupos mistos, de modo que as crianças mais experientes possam ajudar as demais. Outra estratégia é o professor fazer a leitura das frases em voz alta para os que ainda não leem com autonomia, permitindo que participem da atividade de forma ativa, focando na compreensão e na construção do sentido da frase.

    2. É possível utilizar o jogo em atendimentos individuais de reforço escolar ou intervenção psicopedagógica?

    Sim, o jogo pode ser um ótimo recurso em contextos individuais. Ele permite observar como a criança lida com a leitura, com a compreensão de frases e com a construção de sentido. Além disso, a proposta lúdica favorece o vínculo e a motivação, aspectos essenciais no trabalho psicopedagógico. O profissional pode mediar de forma mais direcionada, ajustando o ritmo e explorando oralmente outras possibilidades para completar as frases.

    3. Qual a melhor forma de fazer a sistematização após a atividade?

    Ao final do jogo, é importante promover um momento de conversa com as crianças, retomando o que foi feito. Pode-se perguntar: “Quais frases vocês acharam mais engraçadas ou difíceis? ”, “O que aprendemos hoje com as palavras que usamos? ”. Esse momento pode ser acompanhado de registros escritos, por exemplo, escrever as frases completas que mais gostaram ou criar novas frases com os verbos usados no jogo. A sistematização ajuda a consolidar os aprendizados e dá sentido ao que foi vivenciado.

  • Zoo Embaralhado

    Zoo Embaralhado

    O-lá!

    A leitura parece algo simples quando já sabemos fazer, mas, para a criança que está começando, trata-se de um verdadeiro desafio. Isso porque o cérebro humano não nasceu pronto para essa tarefa — ele precisa se adaptar, criar novas conexões e reorganizar funções para tornar possível aquilo que não é natural: reconhecer letras, formar palavras, compreender significados.

    Estudos como os de Stanislas Dehaene (2012) mostram que, para aprender a ler, o ser humano precisa adaptar áreas do cérebro originalmente responsáveis pelo reconhecimento visual — como rostos e objetos — para reconhecer letras, sílabas e palavras. Não nascemos com uma área específica para a leitura: ela precisa ser construída, transformando o que já existe em algo novo.

    Esse caminho, no entanto, não acontece de forma isolada. A aprendizagem da leitura e da escrita se dá no encontro com o outro — nas trocas, nas tentativas compartilhadas, nas escutas atentas e nas brincadeiras cheias de significado. Como afirma Ana Albuquerque (2022, p. 84):

    A participação em situações de leitura e escrita colaborativa contribui para o desenvolvimento da aquisição da linguagem escrita, sobretudo em interação com pares e adultos […].

    Ou seja, quando a criança está inserida em um ambiente que favorece a interação, o brincar e o pensar junto, as oportunidades de aprendizagem se multiplicam.

    Pensando nesse cenário, desenvolvemos o jogo Zoo Embaralhado, um recurso lúdico que contribui para o desenvolvimento de habilidades fundamentais no processo de alfabetização — como a percepção visual e a atenção.

    Durante o jogo, a criança:

    • Estimula a atenção, a percepção visual e o pensamento lógico;
    • Exercita a formação de hipóteses sobre palavras;
    • Participa de uma atividade socialmente compartilhada, em que escuta, argumenta e interage com os demais jogadores.

    Bora saber como jogar?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro sobre uma superfície plana.
    2. Coloque as fichas numeradas dentro de um saco.
    3. Deixe, ao lado, as cartas que mostram a parte superior dos animais, viradas para baixo.
    4. Cada jogador, em sua vez:
      • Sorteia uma ficha com número do saco.
      • Procura no tabuleiro o número correspondente.
      • Observa a parte inferior do animal e tenta identificá-lo com base na imagem parcial e nas letras embaralhadas.
      • Utiliza as mesmas letras (você pode oferecer letras móveis, como as de EVA) para formar o nome do animal que acredita ser.
      • Em seguida, pega a carta com a parte superior do animal e confere se o encaixe está correto.
      • Se acertar, fica com a ficha sorteada!
    5. Se sortear uma ficha “Ops!”, perde a vez.
    6. Se sortear uma ficha “Escolhe!”, o jogador pode escolher qualquer número do tabuleiro para tentar descobrir o animal correspondente. Se acertar, fica com a ficha “Escolhe!”.
    7. Ganha o jogo quem conquistar três fichas da mesma cor (vermelho, laranja ou verde) ou uma ficha “Escolhe!” e duas fichas da mesma cor.

    📌 Observação:
    Se, no decorrer do jogo, algum jogador sortear uma ficha com número já utilizado com a carta “Escolhe!”, essa ficha deve ser colocada de lado e uma nova deve ser sorteada.

    É isso! Gostou do que viu por aqui?
    Que tal me contar nos comentários? Eu amo saber quando estamos contribuindo com o nosso trabalho. 💚

    Referências Bibliográficas:

    ALBUQUERQUE, Ana. Linguagem escrita na educação infantil: práticas pedagógicas promotoras da aprendizagem em sala de aula. In: SARGIANI, Renan (org.). Alfabetização baseada em evidências: da ciência à sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2022

    DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.

    VALOR PROMOCIONAL DE LANÇAMENTO SOMENTE HOJE (23/04/2025)

    Arquivo digital em formato PDF contendo:

    • 32 fichas com animais;
    • 32 fichas com números;
    • 01 tabuleiro;
    • 01 embalagem;
    • Instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar.

    Talvez você queira saber:

    1) Como adaptar o jogo para crianças mais avançadas na escrita?
    Para ampliar o desafio, você pode cobrir as letras embaralhadas, deixando visível apenas a imagem da parte inferior do animal. Assim, a criança precisará fazer sua hipótese com base apenas na imagem e não terá o apoio para saber quais letras são necessárias para escrever o nome do animal. Além disso, pode-se propor que, após descobrir o animal corretamente, ela escreva uma frase com o nome dele, estimulando a produção de escrita e o uso contextual da palavra.

    2) Qual é a faixa etária mais indicada para o uso do Zoo Embaralhado?
    O jogo é indicado, em geral, para crianças a partir de 5 ou 6 anos — especialmente quando já começam a formar palavras (hipóteses silábica com valor sonoro ou silábico-alfabética). No entanto, tudo depende dos conhecimentos prévios da criança e de seu interesse.

    Com a devida mediação, o jogo também pode ser apresentado a crianças em fase pré-silábica, como uma forma de estimular a percepção de letras, sons e vocabulário — mesmo que elas ainda não consigam escrever os nomes dos animais sozinhas. Esse contato ajuda a construir a noção de que cada palavra tem suas próprias letras, ou seja, que a escrita não é uma escolha aleatória, e sim um sistema com regras e significados.

    Além disso, o Zoo Embaralhado pode ser utilizado com adolescentes ou adultos em processo de alfabetização, já que as imagens dos animais não são infantilizadas.

    3) Esse jogo pode ser usado em contextos terapêuticos, como em atendimentos psicopedagógicos?
    Sim! O Zoo Embaralhado é excelente para intervenções psicopedagógicas, pois trabalha linguagem, atenção, memória e organização do pensamento de forma lúdica e significativa.