Tag: Funções Executivas

  • Número Secreto

    Número Secreto

    O-lá!

    Muita gente reconhece o quanto a matemática está em tudo: nas compras do mercado, no trabalho, na organização do tempo, na compreensão de dados… Ainda assim, com frequência, a disciplina ganha fama de “difícil” ou “distante da vida real”.

    Como lembram os autores:

    A matemática é uma ciência curiosa e interessante, cujas aplicações na vida cotidiana e no mundo do trabalho e das ciências são de importância reconhecida por todos. Entretanto, a imagem pública da matemática escolar, construída ao longo das décadas, parece divorciada da importância que a ela se atribui” (BIGODE; FRANT, 2011, p. 6)

    Nossa proposta com o jogo “Número Secreto” é contribuir para aproximar a matemática da experiência da criança, transformando o conteúdo em descoberta, investigação e conversa. Ao ler pistas, comparar possibilidades e justificar a resposta, a criança vivencia a matemática como linguagem para pensar, e não apenas como um conjunto de contas.

    O que a criança pratica ao jogar:

    • Pensamento lógico-dedutivo: encadear pistas, eliminar hipóteses e sustentar a escolha final com argumentos (ex.: “é 50 porque é par, está entre 46 e 51 e não é o dobro de 24”).
    • Compreensão da reta numérica (0–100): ordenar, estimar, perceber intervalos (“maior que… menor que…”), localizar números e pensar em vizinhanças numéricas.
    • Fatos básicos e operações: somar, subtrair, multiplicar e dividir.
    • Propriedades simples dos números: par/ímpar, composição e decomposição (10 + 15), aproximações e pistas ligadas a tabuadas familiares.
    • Linguagem matemática e clareza comunicativa: ler com atenção, interpretar “maior que e…” e explicar o raciocínio ao colega.
    • Funções executivas: atenção sustentada, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e autocontrole.

    Por que funciona:

    • Contexto de brincadeira: a dinâmica de descobrir o número cria propósito e engajamento.
    • Pistas curtas e progressivas: cada carta pede combinar informações; nenhuma pista isolada resolve tudo, o que favorece o pensamento lógico-dedutivo e evita chutes.
    • Feedback imediato: ao verificar a resposta, a criança percebe onde acertou ou errou e ajusta estratégias.
    • Generalização: os mesmos modos de pensar (comparar, estimar, justificar) aparecem na vida diária, como no troco, na leitura de tabelas e de horários.

    Mediação que potencializa a aprendizagem:

    Modelar a leitura das pistas: ler pausadamente e sublinhar palavras-chave (“maior que…”, “par/ímpar”, “dividir por 2”).

    Pedir justificativas: “qual pista eliminou esse número?” e “o que te fez trocar de hipótese?”.

    Ufa! Cansei… Rsrs! Vamos a explicação do jogo?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro sobre uma superfície plana.
    2. Deixe as fichas em uma pilha.
    3. Cada jogador, na sua vez, pega uma ficha da pilha e lê as pistas para o outro jogador tentar descobrir o número secreto.
    4. Se acertar, quem adivinhou fica com a ficha. Se errar, quem leu as pistas fica com a ficha.
    5. Vence quem conquistar mais fichas ao final.

    Quando a matemática aparece em forma de investigação, ela retoma seu lugar de origem: uma maneira potente de observar, perguntar, testar e concluir. É isso que o “Número Secreto” oferece: um convite para que cada criança se sinta capaz de pensar matematicamente e encontre prazer em descobrir, pista a pista, como os números se organizam e fazem sentido.

    É isso, gostou do que viu por aqui? Que tal me deixar saber?

    Um abraço e até o próximo post.

    Referência Bibliográfica

    BIGODE, Antonio J.L; FRANT, Janete Bolite. Matemática: soluções para dez desafios do professor. São Paulo: Ática, 2011.

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    • Instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar 🙂

    Talvez você queira saber:

    1. Para qual faixa etária o jogo é indicado?

    O Número Secreto é indicado, em geral, para crianças de 6 a 9 anos, podendo variar conforme os conhecimentos prévios da turma. Para as crianças menores ou em fase inicial, é fundamental oferecer apoio concreto e visual (tampinhas, palitos de picolé) para os cálculos, além, claro, de mediação próxima do adulto.

    2. Como organizar a dinâmica do jogo com a turma?

    Funciona muito bem jogar em duplas, alternando os papéis de leitor e detetive a cada carta; em turmas maiores, organize estações e faça rodízio entre as duplas.

    3. Como lidar com erros e evitar chutes?

    Estabeleça a regra de que a criança só responde depois de ouvir as três pistas e sempre com justificativa do tipo “é 50 porque…”. Peça que ela liste dois ou três candidatos no tabuleiro e vá eliminando cada um dizendo qual pista descartou, antes de decidir. Ofereça feedback imediato, perguntando “Por que você eliminou este número?” e modelando o raciocínio quando preciso.

  • O que eu faço?

    O que eu faço?

    O-lá!

    Muitas vezes, na pressa em ajudar, acabamos oferecendo a resposta pronta à criança diante de um problema. A questão é que, assim, tiramos dela a oportunidade de refletir, buscar soluções e confiar no próprio pensamento. Dar espaço para que a criança pense não significa perder tempo. Significa investir na sua autonomia e na confiança necessária para enfrentar os desafios da vida. Por isso, é fundamental que fiquemos atentos para não ceder ao impulso de intervir com soluções imediatas sempre que a criança se vê diante de uma situação que exige reflexão.

    Hoje eu trouxe um jogo que vai direto nesse ponto: estimular a leitura, associação de ideias, pensamento crítico e a resolução de problemas. Essas habilidades estão diretamente ligadas à autonomia da criança.

    Os desafios propostos no jogo, são inspirados em situações do dia a dia, o que também favorecem o fortalecimento das funções executivas. Especialmente o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva. Ao ler uma situação-problema, refletir sobre ela e propor uma solução, a criança ativa mecanismos de planejamento, antecipação de consequências e pensamento crítico.

    Segundo Lino de Macedo (2000, p. 10):

    […] jogar é, sobretudo, aprender a lidar com problemas. E isso exige pensar, propor hipóteses, testar, aceitar ou recusar soluções, ou seja, exige operar mentalmente com as situações.

    Essa afirmação reforça o valor dos jogos que estimulam o raciocínio e a tomada de decisões como ferramentas pedagógicas.

    Além das habilidades já mencionadas, o jogo “O que eu faço?”, também favorece o desenvolvimento da compreensão leitora, pois exige que a criança vá além da simples decodificação e compreenda o sentido do que foi lido para, a partir disso, tomar uma decisão.

    O jogo segue a dinâmica de um dominó tradicional, mas com um desafio extra: em vez de apenas juntar peças iguais, a criança precisa relacionar a imagem de uma peça com a frase de outra e, em seguida, propor uma solução para o problema apresentado.

    Vamos ver como utilizar?

    Sugestão de Uso:

    1. Distribua as peças igualmente entre os jogadores. Se sobrar alguma peça, reserve para uma eventual “compra”.
    2. Sorteiem quem começará colocando a primeira peça no centro da mesa.
    3. Na sua vez, cada jogador deve tentar encaixar uma de suas peças em um dos lados do dominó, fazendo a associação correta entre imagem e texto.
      Por exemplo: Se há uma peça com a imagem de uma bola, o jogador deve procurar uma de suas peças que tenha uma frase relacionada à bola.
    4. Depois de ler a frase em voz alta, o jogador diz o que faria para resolver o problema apresentado.
    5. Vence quem primeiro ficar sem nenhuma peça.

    Gostou do que viu por aqui? Vou amar saber!

    Um abraço e até o próximo post

    Referência Bibliográfica:

    MACEDO, Lino de. Ensaios construtivistas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000

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  • Tic-Tac

    Tic-Tac

    O-lá!

    Para o bom desenvolvimento cognitivo, emocional e físico de uma criança, sabemos que é muito importante oferecer tempo, silêncio e espaço para que ela pense, organize suas ideias e encontre o caminho das respostas com tranquilidade.

    No entanto, nem sempre o desafio está em ter tempo de sobra. Às vezes, o que a criança precisa é de ritmo. De desafio. De jogos que façam seu cérebro se mexer mais rápido. De brincadeiras que ativem sua atenção, que instiguem a curiosidade e, ao mesmo tempo, peçam agilidade na resposta.

    É aí que entra a ideia de estimular, de forma lúdica e cuidadosa, a velocidade de processamento — uma habilidade cognitiva que envolve perceber, interpretar e responder a um estímulo em pouco tempo. Ela está diretamente ligada ao desempenho em leitura, escrita, cálculo e também na maneira como a criança lida com tarefas do cotidiano.

    Mas, claro: isso precisa ser feito com equilíbrio. Segundo o capítulo “Memória, estresse e ansiedade” (Fiorino, 2006, p.322):

    Qualquer atividade envolvendo um limite de tempo, até mesmo um jogo, é uma fonte de tensão. A presença de um prazo final pode interferir em sua habilidade de concentração.

    Ou seja, não se trata de apressar a criança o tempo todo. Trata-se de saber dosar. De oferecer tanto jogos que acolham o tempo interno da criança, quanto desafios que provoquem uma resposta mais rápida — sem cobrança, mas com ludicidade.

    Jogos com tempo marcado, como o Tic Tac, por exemplo, instigam a criança a organizar ideias, tomar decisões, testar hipóteses rapidamente. E sabe o que é melhor? Ela nem percebe que está treinando funções executivas… porque está brincando. Ou seja, de maneira controlada, é importante oferecer atividades que desafiem a criança a apresentar respostas com mais rapidez.

    No fim das contas, é isso que buscamos: estimular com sentido e desafiar com alegria.

    Chega de falação, vamos à explicação do jogo?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana.
    2. Cubra as letras dos quadros com as fichas.
    3. Cada criança, na sua vez, joga o dado.
    4. Em seguida, ela deve procurar no tabuleiro uma ficha que tenha o mesmo tempo sorteado.
    5. A criança retira a ficha para descobrir as letras e tenta formar a palavra no tempo estipulado. No alto de cada coluna está indicado se as letras do quadro pertencem a um brinquedo, animal, fruta, parte do corpo ou peça de vestuário.
    6. Se conseguir, fica com a ficha. Do contrário, devolve-a ao mesmo quadro.
    7. O jogo termina quando todas as palavras tiverem sido descobertas.
    8. Ganha quem tiver conquistado mais fichas.

    É isso! Gostou? Que tal me deixar saber?
    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    MEMÓRIA, estresse e ansiedade. In: FIORINO, Marie-Christelle (Coord.). 101 maneiras de melhorar sua memória. Tradução de Celimar de Lima, Stela Maris Gandour, Rodrigo Chia; adaptação: Eduardo Castelo Branco et al. Rio de Janeiro: Reader’s Digest, 2006

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    Talvez você queira saber:

    1) O que exatamente é velocidade de processamento e por que ela é importante na alfabetização?

    A velocidade de processamento é a rapidez com que o cérebro percebe, interpreta e responde a um estímulo. No contexto da aprendizagem, isso significa: ouvir uma pergunta, entender o que foi dito, acessar o que já sabe e dar uma resposta — tudo isso em um tempo adequado.

    Ela está diretamente relacionada à fluência de leitura, à escrita espontânea e à resolução de problemas. Quando a criança tem uma velocidade de processamento muito lenta, pode, por exemplo, entender o conteúdo, mas leva tempo demais para reagir, o que pode atrapalhar seu desempenho escolar.

    Estimular essa habilidade de forma lúdica e respeitosa, como propõe o Tic Tac, ajuda a criança a pensar com mais agilidade — sem pressão, mas com desafio.

    2) Esse tipo de jogo com tempo não pode deixar a criança ansiosa ou muito frustrada?

    Depende de como for conduzido. Por isso, é essencial que o jogo seja apresentado com leveza, que o adulto monitore as reações da criança e que o foco esteja sempre no processo, não no acerto.

    A ideia é brincar com o tempo. Criar ritmo, dar movimento ao pensamento.

    Quando a criança percebe que pode errar, tentar de novo, rir, comemorar o que conseguiu… ela se sente segura. E quando se sente segura, ela aprende.

     

  • Foco-Foco!

    Foco-Foco!

    O-lá!

    Hoje eu trouxe o jogo “Foco-Foco!” e quero falar um pouquinho sobre algumas das habilidades estimuladas com ele e a sua importância para a aprendizagem das crianças. Topa?

    Duas das habilidades estimuladas são a atenção e o foco, que estão diretamente ligadas  à capacidade da criança de manter-se engajada em uma atividade. É por meio dessas habilidades que ela consegue filtrar estímulos distratores e concentrar-se no que realmente importa. A concentração, por sua vez, está intimamente conectada à memória de trabalho, que armazena e manipula informações temporárias durante o aprendizado, permitindo que a criança compreenda e resolva problemas de forma eficaz.

    Já a coordenação motora fina envolve o controle preciso dos músculos das mãos e dos dedos, habilidades essenciais para ações cotidianas como escrever, desenhar, recortar ou manipular objetos pequenos. Quanto mais cedo essa habilidade é desenvolvida, melhor a criança se sairá em tarefas acadêmicas que exigem precisão, como a escrita, e também em tarefas que promovem sua independência, como vestir-se ou usar utensílios.

    A coordenação bimanual, que se refere ao uso sincronizado das duas mãos, é igualmente importante. Tarefas que exigem a atuação conjunta das mãos promovem uma maior integração entre os hemisférios cerebrais, fortalecendo conexões que serão úteis em uma variedade de contextos, desde esportes até a resolução de problemas matemáticos. Além disso, essas atividades desafiam a criança a executar movimentos complexos, promovendo o desenvolvimento da sua capacidade de planejamento motor.

    Essas habilidades são especialmente relevantes no contexto educacional, pois influenciam diretamente o sucesso em diversas áreas do aprendizado. Crianças que desenvolvem bem essas competências têm mais facilidade em manter-se focadas em suas tarefas, concluir atividades que exigem controle motor e realizar transições eficientes entre diferentes tarefas e estímulos. E, conforme destaca Piaget apus Rotta (2007, p. 208):

    O afeto é o motor que impulsiona a atividade práxica.

    Isso significa que, quando as crianças estão emocionalmente envolvidas, motivadas e se sentem seguras, seu desenvolvimento é otimizado. O afeto proporciona um contexto de apoio onde as habilidades motoras e cognitivas podem florescer de forma mais natural e profunda. Aprender se torna uma experiência rica e satisfatória, e não apenas uma obrigação.

    Atividades lúdicas que integram essas habilidades de forma divertida, como o jogo “Foco-Foco”, criam oportunidades para que a criança exercite e fortaleça suas competências motoras e cognitivas, enquanto mantém o prazer pela brincadeira e pelo desafio.

    Vamos ver como utilizá-lo?

    Sugestão de Uso:
    1. A primeira prancha é utilizada para treinamento. A criança, com sua mão dominante, coloca um dedo sobre a figura de um círculo e dois dedos sobre dois círculos, de acordo com a quantidade indicada. Em seguida, ela repete o procedimento com a mão não dominante.
    2. Na segunda prancha, a tarefa é feita simultaneamente: a mão direita atua na coluna da direita e a mão esquerda na coluna da esquerda, repetindo o procedimento de acordo com a quantidade de círculos. O mesmo deve ser feito nas pranchas 3 a 11.
    3. As pranchas 12 e 13 devem ser usadas ao mesmo tempo que a prancha 14. Na prancha 14, a criança precisa contornar o círculo enquanto realiza as ações das outras pranchas.

    Talvez o vídeo seja mais útil para compreender como utilizar o jogo “Foco-Foco”! Confira abaixo.

    E aí, gostou do jogo? E se eu te disser que essa belezinha está gratuita? É um mimo pelo Dia do Psicopedagogo – 12 de novembro. Espero que contribua muitooo! Não esquece de me contar, viu?

    Um abraço e até mais!

    Referência Bibliográfica:

    ROTTA, Newra Tellechea. Dispraxia. In ROTTA, Newra Tellechea; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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    Qualquer dúvida , entre em contato.

    Talvez você queira saber:

    1) O jogo pode ser utilizado com crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)?

    Sim, o jogo “Foco-Foco” pode ser uma ferramenta útil para crianças com TDAH. Uma das características principais desse transtorno é a dificuldade em manter a atenção em uma única tarefa, e o jogo trabalha justamente essa habilidade de forma lúdica. Como o jogo exige que a criança direcione sua atenção para tarefas específicas, como contornar círculos ou tocar com os dedos em determinados pontos, ele ajuda a desenvolver a capacidade de foco por períodos curtos, mas intensos. Além disso, o aspecto motor do jogo, que envolve ações físicas rápidas, pode ser benéfico para crianças com TDAH, pois ajuda a canalizar a energia de maneira produtiva.

    2) De que forma o jogo pode ser ajustado para crianças em diferentes níveis de desenvolvimento motor ou cognitivo?

    Para crianças que estão em um nível mais inicial de desenvolvimento motor, é recomendado usar as primeiras pranchas repetidamente, para que a criança se familiarize com os movimentos e desenvolva suas habilidades motoras de forma gradual. Isso permite que ela tenha mais tempo para praticar e dominar as ações sem se sentir pressionada. Além disso, a velocidade e a precisão podem ser ajustadas, reduzindo a complexidade das tarefas, garantindo que o processo seja progressivo.

    Já para crianças com um desenvolvimento motor mais avançado, o desafio pode ser intensificado. Uma maneira de fazer isso é adicionar um tempo limite para a execução das tarefas. Por exemplo, você pode transformar a atividade em um desafio de tempo, dizendo algo como: “Você conseguiu completar esta página em 10 segundos, que tal tentar fazer em 8 segundos agora?” Isso não só mantém a criança engajada, mas também estimula o desenvolvimento de agilidade e precisão.

    3) Como o jogo pode ser utilizado em contextos de intervenção psicopedagógica para melhorar o desempenho escolar?

    O jogo pode ser introduzido em sessões de intervenção como uma atividade inicial para ativar o cérebro da criança e prepará-la para outras tarefas mais cognitivas. Além disso, as habilidades praticadas no jogo podem ser transferidas para o ambiente escolar, onde a criança poderá demonstrar maior atenção, controle motor e planejamento em atividades acadêmicas.

  • Dedos em Ação

    Dedos em Ação

    O-lá!

    A aprendizagem é um processo complexo que envolve diversas funções cognitivas, tais como a atenção, percepção e memória. Cada uma dessas funções desempenha um papel fundamental na forma como adquirimos e retemos novos conhecimentos. A atenção, por exemplo, é fundamental para que possamos focar em informações relevantes e ignorar estímulos irrelevantes, criando o ambiente mental adequado para o aprendizado. Já a percepção nos permite interpretar e organizar os estímulos sensoriais que recebemos, transformando-os em dados significativos que podem ser utilizados no processo de aprendizagem.

    A memória, por sua vez, é responsável pela retenção dessas informações e pela capacidade de evocá-las quando necessário. De acordo com Rudimar dos Santos Riesgo (2007, p. 19):

    Aprendizado e memória podem se confundir do seguinte modo: quando chega ao SNC uma informação conhecida, ela gera uma lembrança, que nada mais é do que uma memória; quando chega ao SNC uma informação inteiramente nova, ela nada evoca, e sim produz uma mudança — isso é aprendizado, do ponto de vista estritamente neurobiológico.

    Dessa forma, o aprendizado pode ser visto como uma mudança significativa nas conexões neuronais, resultando na criação de novas memórias e na adaptação do cérebro a novas situações. 

    Por isso, é essencial que a educadores levem em consideração a importância dessas funções no processo de ensino-aprendizagem. Quando bem estimuladas, essas funções cognitivas podem facilitar o aprendizado, tornando-o mais significativo e duradouro.

    O jogo “Dedos em Ação”, a princípio, pode parecer um jogo para trabalhar reconhecimento de cores, mas ele vai além, estimula a atenção, percepção, memória, concentração, pensamento lógico, coordenação motora fina, coordenação motora bimanual. Enfim, um verdadeiro “primor” 🤩. Vamos ver como utilizar?

    Sugestão de uso:
    1. Coloque as cartas em uma pilha com as imagens viradas para baixo. 
    2. Em seguida, oriente a criança a colocar as mãos sobre o tabuleiro. 
    3. Vire uma carta. A criança deve levantar apenas os dedos que têm círculos cujas cores correspondem à figura da carta.

    Variação 1: A criança precisa levantar todos os dedos cujas cores não correspondem à cor da carta.

    Variação 2: Vire duas cartas. Uma carta determina o dedo da mão direita que deve ser levantado, e a outra carta determina o dedo da mão esquerda.   

    Vamos ver detalhadamente algumas habilidades estimuladas durante o jogo?

    • Atenção: A criança precisa focar nas cores das cartas e nas instruções dadas para saber quais dedos levantar, o que exige concentração e foco em detalhes específicos.
    • Percepção: O jogo trabalha a capacidade de observar e reconhecer cores, além de identificar as diferenças entre as cartas e relacioná-las com os movimentos correspondentes.
    • Memória: Ao jogar, a criança precisa recordar as regras e as instruções anteriores, o que fortalece a memória de trabalho.
    • Concentração: A atividade exige que a criança mantenha o foco durante a execução dos movimentos, aprimorando sua capacidade de se concentrar em tarefas.
    • Pensamento lógico: A criança precisa fazer associações entre cores e dedos, e tomar decisões lógicas para realizar o movimento correto.
    • Coordenação motora fina: O jogo envolve o movimento preciso dos dedos, o que desenvolve a habilidade motora fina, fundamental para tarefas como escrever.
    • Coordenação motora bimanual: Em algumas variações do jogo, a criança precisa usar ambas as mãos de forma coordenada, o que ajuda a integrar movimentos.

    Viu que bacana? Conta pra mim o que você achou do jogo, eu amo receber feedback.

    Um abraço e até mais ❤️

    Referência Bibliográfica

    RIESGO, Rudimar dos Santos. Anatomia da aprendizagem. In ROTTA, Newra Tellechea; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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    Talvez você queira saber:

    1) O jogo “Dedos em Ação” pode ser usado para estimular o desenvolvimento de habilidades cognitivas em crianças com necessidades educacionais especiais?

    Sim, o jogo “Dedos em Ação” pode ser utilizado de forma gradativa para estimular o desenvolvimento de habilidades cognitivas em crianças com necessidades especiais. O jogo pode começar com a utilização apenas da mão dominante, facilitando o processo para crianças que possam ter dificuldades motoras ou cognitivas. À medida que a criança ganha confiança e domínio, o desafio pode aumentar, utilizando a mão não dominante. O estágio final seria o uso de ambas as mãos ao mesmo tempo, promovendo o desenvolvimento da coordenação motora bimanual, além de trabalhar funções como atenção, memória e concentração. Essas adaptações progressivas permitem que o jogo seja flexível e acessível, respeitando o ritmo e as necessidades específicas de cada criança. 

    2) Quais são as faixas etárias recomendadas para o uso do jogo?

    O jogo “Dedos em Ação” é recomendado para crianças a partir de 4 anos, quando já possuem o desenvolvimento motor básico necessário para realizar movimentos com precisão. No entanto, ele pode ser utilizado por crianças de várias idades, incluindo até pré-adolescentes, pois os níveis de dificuldades podem ser ajustados para se adequar às diferentes faixas etárias e capacidades.

    3) Existe alguma forma de avaliar o progresso da criança no desenvolvimento das habilidades ao longo do jogo?

    Sim, uma forma de fazer isso é por meio da observação sistemática do desempenho da criança ao longo das rodadas. Por exemplo, você pode observar se a criança consegue identificar as cores com maior rapidez e precisão, ou se ela demonstra maior controle motor ao levantar os dedos corretos. Também é possível monitorar a capacidade de seguir as regras e fazer associações lógicas entre as cartas e os movimentos. Além disso, pode-se aumentar gradualmente a complexidade das instruções — como introduzir mais variações no jogo — e verificar se a criança consegue lidar com essas mudanças de forma eficiente. Registros informais de desempenho também podem contribuir.

  • Carinhas

    Carinhas

    O-lá!

    Primeiramente, quero iniciar este texto dizendo que o jogo “Carinhas” está gratuitooooo! Um mimo adiantado pelo Dia da Criança e Dia do Professor que comemoramos este mês. 

    Segundamente…Rsrs! Eu quero falar um pouco sobre desenvolvimento infantil e funções executivas antes de apresentar o jogo para vocês. Então, senta aí, porque o texto ficou longo! Mas, se você está com pressa e só quer o jogo, pode rolar direto até o final que o link está lá!

    Agora sim… 1, 2, 3… começando:

    O desenvolvimento infantil é um processo dinâmico e multifacetado que abrange diversas áreas, como o físico, emocional, social e cognitivo. Ele é influenciado por uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, ambientais e culturais. Desde o início da vida, as crianças demonstram uma impressionante capacidade de adaptação, respondendo de maneira única aos estímulos ao seu redor. Os fatores genéticos fornecem a base inicial, mas o ambiente em que a criança cresce, incluindo o apoio familiar, a educação e as interações sociais, tem um papel fundamental na forma como esse potencial se expressa. As crianças enfrentam desafios diários, e a maneira como lidam com essas situações varia de acordo com suas experiências e o ambiente em que estão inseridas. Isso destaca a importância de um ambiente que promova seu crescimento saudável, tanto emocional quanto intelectual.

    Nesse contexto, é essencial lembrar que:

    Toda criança é semelhante a inúmeras outras em alguns aspectos e singularíssima em outros” (ANTUNES, 2003, p. 16).

    Ou seja, cada criança é única, e, ao reconhecermos suas individualidades, conseguimos criar estratégias de aprendizado mais eficazes, ajustadas às suas necessidades específicas.

    Estimular as funções executivas – como o controle inibitório, a flexibilidade cognitiva e a memória de trabalho, entre outras – é parte deste processo. Essas funções abrangem uma ampla gama de habilidades que ajudam a organizar pensamentos, planejar e tomar decisões, sendo fundamentais não apenas para o sucesso escolar, mas também para a vida cotidiana.

    Podemos pensar em ambientes de aprendizagem que promovam essas funções executivas através de jogos e brincadeiras. O aprendizado se torna muito mais eficaz quando a criança participa ativamente e se diverte, garantindo que as habilidades adquiridas sejam incorporadas de forma prática e duradoura.

    Hoje, estou disponibilizando gratuitamente o jogo “Carinhas”. Ele é uma ferramenta divertida e envolvente para estimular funções executivas, ajudando as crianças a desenvolverem habilidades como controle de impulsos, atenção e rapidez na tomada de decisões. E tem mais: o “Carinhas” também pode abrir espaço para conversas sobre expressões faciais e emoções. Abaixo, explico tudo em detalhes!

    Sugestão de Uso:
    1. Coloque as cartas em uma pilha com as imagens viradas para baixo.
    2. Se possível, disponibilize uma sineta.
    3. Vire a primeira carta da pilha e, antes de continuar o jogo, deixe que as crianças observem e falem sobre as expressões faciais das carinhas. Incentive-as a descrever o que cada carinha representa, como alegria, tristeza, raiva, surpresa, etc. Isso promove uma conversa sobre emoções e estimula a fala.
    4. Peça às crianças que escolham uma das carinhas e a sinalizem com uma seta.
    5. Em seguida, vire a próxima carta. Se houver uma carinha igual à escolhida anteriormente, a criança deve bater na sineta. Quem bater primeiro e acertar fica com a carta.
    6. Se a criança bater na sineta impulsivamente, sem que haja uma carinha igual, o outro jogador fica com a carta.
    7. Ganha quem conquistar mais cartas.

    Variação: Encontrar uma carta que não tenha a carinha selecionada. 

    Você percebeu que podemos explorar o jogo para falar sobre expressões faciais e emoções, não é mesmo? Porém, vamos ver como as funções executivas, que são o foco deste post, são estimuladas neste jogo?

    • Controle inibitório: O controle inibitório é estimulado quando a criança precisa conter o impulso de bater na sineta imediatamente e esperar o momento certo, ou seja, quando identifica uma carinha igual à anterior. Esse autocontrole é fundamental para evitar ações impulsivas e agir de maneira consciente e pensada.
    • Memória de trabalho: A memória de trabalho é constantemente utilizada quando a criança precisa recordar qual carinha foi escolhida anteriormente e compará-la com as novas cartas viradas. Esse processo de retenção e comparação ajuda a fortalecer a memória de curto prazo, essencial para a aprendizagem. 
    • Flexibilidade cognitiva: A flexibilidade cognitiva é trabalhada quando a criança precisa mudar rapidamente de estratégia se perceber que agiu impulsivamente e precisa se adaptar. Esse ajuste mental, de avaliar o erro e alterar o comportamento, é uma habilidade chave para lidar com diferentes situações no dia a dia. Além disso, a cada nova carta virada, a criança precisa adaptar sua atenção de uma carinha para outra, descartando as opções que não são relevantes. Isso requer flexibilidade cognitiva, pois ela deve alternar entre diferentes estímulos e ajustar sua estratégia continuamente.
    • Atenção sustentada: O jogo exige que a criança mantenha a atenção por um período prolongado para identificar corretamente as correspondências entre as carinhas. Manter o foco no jogo ajuda a criança a desenvolver a capacidade de se concentrar em uma tarefa até completá-la.
    • Atenção seletiva: A criança precisa concentrar-se em uma única carinha entre várias opções e descartar as irrelevantes, exercitando sua capacidade de focar em estímulos específicos e ignorar distrações.
    • Tomada de decisão: A habilidade de tomada de decisão é ativada quando a criança avalia rapidamente se deve bater na sineta ou esperar a próxima carta. Isso envolve uma análise rápida e a escolha da melhor ação em um curto período, o que fortalece a capacidade de decidir sob pressão.

    Gostou do que viu por aqui? Que tal me contar nos comentários? Eu amo receber feedback!

    Um abraço e até a próxima 😊

    Referência Bibliográfica:

    ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

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    Talvez você queira saber:

    1) Quais adaptações podem ser feitas para que o jogo beneficie crianças com necessidades educacionais especiais, como crianças com TDAH ou autismo?

    Para adaptar o jogo “Carinhas” a crianças com TDAH ou autismo, é importante considerar algumas estratégias que ajudem a manter o foco e reduzir a frustração. Para crianças com TDAH, pode-se introduzir pausas curtas durante o jogo, para que elas possam descansar e se reorganizar. Já para crianças com autismo, adaptações podem incluir simplificar as regras, como retirar a necessidade de bater na sineta e focar apenas no reconhecimento de figuras iguais. Instruções claras e repetitivas também ajudam, assim como o uso de reforço positivo a cada conquista, reforçando comportamentos adequados e o controle de impulsos.

    2) Qual é a faixa etária mais apropriada para jogar “Carinhas”?

    O jogo “Carinhas” é recomendado para crianças a partir de 4 anos, pois nessa idade elas já começam a desenvolver as habilidades necessárias para reconhecer padrões e trabalhar com jogos de memória. No entanto, essa idade é apenas uma sugestão, pois depende muito do desenvolvimento individual de cada criança. Algumas crianças podem estar prontas um pouco antes, enquanto outras podem precisar de mais tempo para desenvolver as habilidades necessárias para jogar. O importante é adaptar o jogo às necessidades e ritmo da criança. Observando o interesse e o nível de concentração, é possível ajustar o número de cartas ou simplificar as regras para garantir que a experiência seja divertida e enriquecedora, independentemente da idade.

    3) Como podemos observar e monitorar o progresso das crianças em relação ao desenvolvimento de funções executivas ao longo do tempo com o uso do jogo?

    Para monitorar o progresso das crianças no desenvolvimento de funções executivas através do jogo “Carinhas”, é importante observar e anotar comportamentos específicos ao longo de várias sessões de jogo. Uma forma eficaz é criar uma tabela de observação que registre, por exemplo, a frequência com que a criança consegue controlar seus impulsos (não bater na sineta de forma precipitada), sua capacidade de manter a atenção por períodos maiores e sua habilidade em tomar decisões de forma mais rápida e acertada. Além disso, é possível registrar o tempo que a criança leva para completar uma partida e como ela lida com os erros ao longo do jogo. O progresso pode ser monitorado também na forma como a criança ajusta suas estratégias cognitivas, mostrando flexibilidade cognitiva ao mudar táticas de jogo quando necessário. Esses registros podem ser revisados com o passar do tempo, para identificar melhorias em cada habilidade das funções executivas.

    Se ficou com outras dúvidas, pode deixar nos comentários que eu terei o maior prazer em responder ou entre em contato!