O-lá!
Se você trabalha com alfabetização ou acompanha alguma criança nesse processo, talvez já tenha observado que, mesmo após um caminho bem construído, algumas delas ainda apresentam trocas na escrita, como F/V, P/B, T/D e M/N.
Essas trocas costumam gerar dúvidas e até preocupações, principalmente quando persistem por mais tempo do que o esperado.
Mas é importante dizer com clareza: nem toda troca indica um transtorno. Não precisamos, de imediato, patologizar ou associar essas dificuldades a quadros como dislexia ou déficit de atenção, ainda que, em alguns casos, possam estar relacionados.
Antes de qualquer rótulo, há algo essencial: a criança precisa de ajuda para perceber e diferenciar os sons da fala(fonemas) e as letras que os representam.
Muitas vezes, algumas crianças se beneficiam quando chamamos atenção para pequenas pistas na produção dos sons.
No som de /m/, por exemplo, os lábios se tocam; no /n/, não. O uso de um espelho para que a criança observe os movimentos articulatórios durante a produção dos sons também pode favorecer essa percepção.
Já no /v/, há vibração das cordas vocais, o que não acontece no /f/. Nesse caso, perceber a vibração colocando a mão no pescoço pode ajudar a criança a diferenciar os sons.
Esses apoios ajudam a tornar os sons mais perceptíveis e favorecem a discriminação entre letras que costumam gerar confusão.
Como destacam Artur Gomes de Morais e Tarciana Pereira da Silva Almeida (2022, p. 66):
[…] quando um aprendiz escreve faca em lugar de ‘vaca’, precisa de ajuda para perceber a distinção entre os fonemas /f/ e /v/.”
Ou seja, estamos falando de uma habilidade que pode, e deve, ser trabalhada de forma intencional.
O que essas crianças precisam?
- Apoio direcionado;
- atividades que evidenciem os sons;
- oportunidades de comparação entre palavras;
- intervenções que tornem essa aprendizagem mais concreta e significativa.
E, claro… de forma leve e envolvente.
Pensando nisso, criei o jogo “Intrusa F/V, P/B, T/D, M/N”, uma forma lúdica de trabalhar a discriminação entre sons que costumam gerar confusão.
A ideia é simples: identificar quando uma palavra “não pertence” àquele grupo. Ou seja, quando há um intruso sonoro.
Habilidades estimuladas:
- discriminação dos fonemas /F/V/, /P/B/, /T/D/, /M/N/;
- atenção e concentração;
- leitura e análise de palavras ;
- relação fonema–grafema.
Sugestão de Uso:
Coloque o tabuleiro no centro da mesa. Organize os jogadores sentados um de frente para o outro.
Cada jogador ficará com um lado do tabuleiro: um com palavras que devem ser completadas com F; outro com palavras que devem ser completadas com V.
Na sua vez, o jogador:
- Lança o dado e avança com o peão conforme o número sorteado.
- Ao parar em uma casa: Se a palavra corresponde ao seu lado (ex: jogador do F em palavra com F), segue normalmente. Se cair em uma palavra que deveria ser completada com a outra letra, ele encontrou uma intrusa. Nesse caso, ganha um bônus e avança mais três casas.
- O jogo continua alternando os turnos.
- Vence quem chegar primeiro ao círculo central do tabuleiro.
Por que funciona?
Porque a criança não está apenas escrevendo ou repetindo, ela está comparando, analisando e tomando decisões.
E isso faz toda a diferença no processo de aprendizagem.
Se você trabalha com alfabetização ou acompanha uma criança que apresenta esse tipo de troca, vale muito a pena incluir propostas assim na rotina.
Espero que esse jogo contribua com o seu trabalho e, principalmente, com o avanço das crianças.
Um abraço,
Sol
Referência Bibliográfica:
MORAIS, Artur Gomes de. Jogos para ensinar ortografia: ludicidade e reflexão. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.
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- 01 tabuleiro F/V;
- 01 tabileiro P/B;
- 01 tabuleiro T/D;
- 01 tabuleiro M/N;
- 01 dado;
- 04 peões;
- instruções de uso.
É para você imprimir, montar e jogar.
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