Lago das Sílabas

O-lá!

Em um primeiro olhar, especialmente quando ainda não conhecemos profundamente o processo de alfabetização, é comum que a escrita de uma criança chame atenção pelo que “não está certo”. Mas, por trás dessas produções, existe algo muito mais importante acontecendo: a criança está pensando.

Os estudos na área da alfabetização nos ajudaram a compreender que as primeiras tentativas de escrita não são aleatórias. Existe intenção, organização de ideias e construção de conhecimento em cada registro.

Mesmo que, para um olhar menos atento ou com pouco conhecimento sobre o assunto, pareça uma escrita cheia de erros, hoje já sabemos que isso não procede. No entanto, nem sempre foi assim.

Como aponta Ana Albuquerque (2022, p. 77):

[…] pouca importância era dada às primeiras produções escritas das crianças, sendo consideradas simples garatujas sem significado e que não envolviam qualquer ligação com a cognição. Eram vistas como reproduções erradas da escrita […].

Ainda bem que os tempos são outros, não é mesmo?…Rsrs!

Hoje, já sabemos que a criança está, sim, pensando sobre a escrita, testando hipóteses e organizando suas ideias sobre como a língua funciona.

E quando esse olhar muda, muda tudo junto. A escrita deixa de ser julgada apenas pelo acerto e passa a ser compreendida como parte essencial do processo.

É exatamente nesse ponto que os jogos entram com força. Porque, no jogo, a criança:

• arrisca sem medo;
• testa combinações;
• observa o que funciona e o que não funciona;
• aprende de forma ativa e significativa.

Hoje eu trouxe como sugestão o “Lago das Sílabas”. Um jogo em que o sapinho precisa pular de sílaba em sílaba, formando palavras ao longo do caminho.

 Habilidades estimuladas:

• formação e segmentação de palavras;
• leitura inicial;
• atenção e planejamento;
• orientação espacial;
• flexibilidade cognitiva.

Sugestão de uso:

  1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana.
  2. Cada jogador, na sua vez, avança com seu peão tentando formar uma palavra. Pode se mover para a direita, esquerda, frente, atrás e na diagonal, mas não pode pular sílabas.
  3. A cada jogada, deve registrar a palavra formada em uma folha ou caderno.
  4. O jogo termina para o jogador que chegar à última sílaba da margem superior. Ao chegar, não pode mais se mover. Mas atenção: o vencedor não é quem chega primeiro, e sim quem consegue formar mais palavras ao longo do caminho.

No fim das contas, mais importante do que chegar rápido é o que a criança constrói durante o percurso.

É isso, turma! Gostaram do que viram por aqui?

Um abraço e a gente se encontra no próximo post!

Referência Bibliográfica:

ALBUQUERQUE, Ana. Linguagem escrita na educação infantil: práticas pedagógicas promotoras da aprendizagem em sala de aula. In: SARGIANI, Renan (org.). Alfabetização baseada em evidências: da ciência à sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2022.

 

Clique no link abaixo para adquirir o arquivo PDF contendo:

  • 01 tabuleiro;
  • 04 peões;
  • instruções de uso.

É para você imprimir, montar e jogar.

Solange Moll

Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem e em PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná), Centro de Treinamento Autorizado pelo Hadassah Wizo-Canada Reserach Institute e pelo ICELP – The Internacional Center for the Enhancement of Learning Potential, Jerusalém – Israel. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem. Psicomotricista Relacional. Mãe Atípica. Apaixonada por desenvolver jogos e compartilhar com vocês.

Comentários

Deixe um comentário