Que horas são? | Um jogo para aprender a ler as horas

O-lá!

Aprender a ler as horas é uma habilidade importante para a autonomia da criança, pois o tempo está presente em diversas situações do cotidiano: horário de acordar, ir à escola, realizar atividades, brincar, fazer refeições e organizar sua rotina.

No entanto, compreender o funcionamento de um relógio não significa apenas memorizar que o ponteiro pequeno indica as horas e o ponteiro grande indica os minutos. A criança precisa observar, estabelecer relações e compreender gradualmente como os elementos do relógio se organizam.

Foi pensando nesse processo de aprendizagem que desenvolvemos o jogo Que horas são?, um jogo pedagógico de matemática que auxilia a criança na leitura das horas por meio de uma proposta lúdica e interativa.

A construção do conhecimento pela criança

A aprendizagem acontece de forma mais significativa quando a criança participa ativamente do processo, explorando, levantando hipóteses, comparando informações e buscando compreender aquilo que observa.

Segundo Kamii e Declark (1997, p. 50):

[…] Se a criança não consegue construir uma relação, nenhuma explicação do mundo fará com que ela entenda as afirmações da professora. […]

Essa reflexão mostra que determinados conceitos não são compreendidos apenas por meio de explicações prontas. A criança precisa ter oportunidades para pensar, experimentar e estabelecer relações que façam sentido.

O jogo e a BNCC: desenvolvendo conhecimentos sobre medidas de tempo

A proposta do jogo Que horas são? está alinhada às habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relacionadas às medidas de tempo e à leitura de horários.

Esse conhecimento é ampliado ao longo dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, partindo das noções de sequência e organização temporal até chegar à leitura de relógios e à compreensão de intervalos de tempo.

Entre as habilidades previstas, destaca-se a EF03MA22, que propõe:

“Ler e registrar medidas e intervalos de tempo, utilizando relógios (analógico e digital) para informar os horários de início e término de realização de uma atividade e sua duração.”

Dessa forma, o jogo pode ser utilizado como um recurso para explorar horas e minutos, permitindo que a criança observe diferentes horários e compreenda sua representação no relógio.

Habilidades estimuladas pelo jogo

  • leitura e interpretação de relógios analógicos e digitais;
  • compreensão das relações entre horas e minutos;
  • percepção visual e atenção aos detalhes;
  • raciocínio lógico;
  • associação entre representação visual e informação numérica;
  • concentração e memória;
  • organização temporal;
  • respeito às regras e espera da vez;
  • tomada de decisões e resolução de desafios.

Sugestão de uso

  1. Coloque o tabuleiro sobre uma superfície plana.
  2. Organize as cartas em uma pilha, deixando-as viradas para baixo.
  3. Cada participante, na sua vez, retira uma carta da pilha.
  4. Observa o relógio apresentado na carta e movimenta os ponteiros do relógio do tabuleiro para marcar o mesmo horário.
  5. Depois de ajustar os ponteiros, diz que horas o relógio está marcando.
  6. Se a resposta estiver correta, avança uma casa na trilha.

Durante o percurso, algumas cartas especiais deixam o jogo ainda mais divertido. Exemplos:

  • Hora do jantar: fique uma rodada sem jogar.
  • Você já alimentou as galinhas: avance 3 casas.

Vence o jogo quem chegar primeiro ao fim da trilha.

Sugestão de mediação

Durante o jogo, o adulto pode incentivar a criança a explicar como chegou à resposta. Isso ajuda a tornar visíveis as estratégias que ela utiliza e permite identificar o que já compreendeu e em quais aspectos ainda necessita de auxílio.

Algumas perguntas podem auxiliar:

  • “Qual ponteiro indica as horas?”
  • “Qual ponteiro indica os minutos?”
  • “Onde o ponteiro dos minutos está apontando?”
  • “Esse horário faz parte de algum momento da sua rotina?”

Essas intervenções incentivam a criança a pensar sobre o que observa e a estabelecer relações entre a posição dos ponteiros e o horário representado.

Aprender brincando também é construir conhecimento

O jogo “Que horas são?” transforma o aprendizado das horas em uma experiência de descoberta e participação.

Ao brincar, a criança não apenas identifica horários. Ela observa os ponteiros, compara diferentes representações e utiliza seus conhecimentos para resolver os desafios apresentados.

Gostou da proposta? Eu amoooo saber!

Um abraço e até o próximo post.

Referência bibliográfica e documental

Referência teórica

KAMII, Constance; DECLARK, Georgia. Reinventando a aritmética: implicações da teoria de Piaget. Campinas, SP: Papirus, 1997.

Documento oficial

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

O que você recebe

Clique no link abaixo para adquirir o arquivo digital em formato PDF contendo:

  • 48 cartas
  • 01 tabuleiro com relógio e trilha;
  • 04 peões;
  • 01 embalagem;
  • instruções de uso.

Perguntas frequentes

Como ensinar a criança a ver as horas?

Ensinar a criança a ver as horas envolve mais do que decorar os números do relógio. É necessário ajudá-la a compreender gradualmente a relação entre ponteiros, horas, minutos e situações do cotidiano. Jogos e atividades lúdicas podem tornar esse aprendizado mais significativo.

A partir de que idade a criança aprende a ver as horas?

A compreensão do tempo acontece gradualmente. Antes de aprender a ler um relógio, a criança começa a desenvolver noções como sequência de acontecimentos, antes e depois, duração e organização da rotina.

De modo geral, na Educação Infantil, a criança pode explorar conceitos relacionados ao tempo, como manhã e noite, dias da semana, sequência de atividades e acontecimentos da rotina.

Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, esse conhecimento é ampliado com a aprendizagem da leitura de relógios, inicialmente com horas exatas e, progressivamente, com a compreensão de minutos e intervalos de tempo.

A aprendizagem deve considerar os conhecimentos prévios e o ritmo de cada criança.

O jogo “Que horas são?” é indicado para quais crianças?

O jogo pode ser utilizado com crianças em diferentes etapas de aprendizagem, especialmente em atividades dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, reforço escolar e atendimento psicopedagógico, com adaptações conforme as necessidades de cada criança.

Solange Moll

Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem e em PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná), Centro de Treinamento Autorizado pelo Hadassah Wizo-Canada Reserach Institute e pelo ICELP – The Internacional Center for the Enhancement of Learning Potential, Jerusalém – Israel. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem. Psicomotricista Relacional. Mãe Atípica. Apaixonada por desenvolver jogos e compartilhar com vocês.

Comentários

Deixe um comentário