O-lá! 💚
Quando uma criança encontra dificuldade para realizar uma atividade, olhar apenas para a resposta pode ser pouco. Observar como ela pensa, quais estratégias utiliza e de que maneira enfrenta o desafio pode nos dar pistas importantes sobre seu processo de aprendizagem.
Foi justamente esse olhar para o processo de pensar e aprender que tornou o PEI tão significativo na minha trajetória profissional.
O PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental), desenvolvido por Reuven Feuerstein, é um programa de intervenção cognitiva composto por 14 instrumentos. Esses instrumentos foram organizados em uma sequência progressiva de complexidade, permitindo que o sujeito avance gradualmente em suas habilidades de pensamento.
Um ponto essencial do PEI é que ele não se propõe a ensinar conteúdos escolares. Seu foco está no desenvolvimento das funções cognitivas e na promoção da chamada modificabilidade estrutural cognitiva, ou seja, na possibilidade de transformação da maneira como a pessoa aprende, pensa e resolve problemas. Essa transformação pode impactar tanto o desempenho escolar quanto situações do cotidiano.
A importância da mediação
Na abordagem de Feuerstein, a mediação é o elemento central do processo. Os instrumentos, por si só, não garantem desenvolvimento cognitivo. Quando aplicados sem mediação adequada, tornam-se apenas atividades comuns, sem o potencial transformador que caracteriza o programa.
Por isso, a aplicação do PEI é restrita a profissionais habilitados e autorizados pelo ICELP (International Center for the Enhancement of Learning Potential), em Israel, ou por centros credenciados em diferentes países.
Como afirma Feuerstein: “O ser humano é modificável.”
Habilidades cognitivas trabalhadas
Entre as principais competências favorecidas pelo programa, destacam-se:
– Organização do pensamento e planejamento de ações
– Interiorização e desenvolvimento da memória
– Raciocínio lógico-verbal
– Controle da impulsividade
– Desenvolvimento da autonomia no pensar e agir
Essas funções não são trabalhadas de forma isolada, mas integradas ao processo de mediação, favorecendo uma aprendizagem mais consciente e estruturada.
Essa forma de compreender o desenvolvimento cognitivo também passou a fazer parte do meu olhar ao criar atividades para as crianças.
Jogos que também convidam a criança a pensar
A formação em PEI, realizada no CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná), ampliou meu olhar para as funções cognitivas e influenciou a maneira como penso e desenvolvo recursos pedagógicos.
Ao criar um jogo, não penso apenas no conteúdo que será trabalhado. Também procuro criar situações em que a criança precise observar, comparar, estabelecer relações, organizar informações, tomar decisões, testar possibilidades e, quando necessário, mudar de estratégia.
É essa perspectiva que está presente em alguns dos jogos disponíveis aqui no site. Eles não são instrumentos do PEI nem substituem o programa, mas foram pensados para, além de seus objetivos pedagógicos específicos, proporcionar desafios que mobilizem diferentes processos cognitivos.
Marque a Igual
No Marque a Igual, a criança precisa observar atentamente, comparar estímulos e identificar correspondências. A proposta estimula habilidades como atenção, percepção visual e orientação espacial, além de envolver processos importantes como raciocínio visual, controle inibitório e flexibilidade cognitiva.
Qual é o Intruso?
No Qual é o Intruso?, a criança observa um conjunto de elementos e precisa identificar aquele que não pertence ao grupo. A proposta envolve pensamento lógico, classificação e estabelecimento de relações, além de trabalhar aspectos relacionados à alfabetização.
Construtor de Palavras
O Construtor de Palavras une alfabetização e desenvolvimento cognitivo. Ao construir palavras e lidar com diferentes possibilidades, a criança precisa pensar, analisar, experimentar e, quando necessário, modificar sua estratégia.
Além das habilidades relacionadas à alfabetização, o jogo estimula flexibilidade cognitiva, pensamento lógico, atenção e percepção.
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Esses são apenas alguns exemplos de propostas em que o conteúdo pedagógico se encontra com desafios que convidam a criança a pensar.
Para mim, um bom jogo pedagógico pode ir além de ensinar um conteúdo: pode também convidar a criança a pensar sobre o que está fazendo, perceber relações, testar possibilidades e encontrar caminhos para chegar a uma solução.
Considerações finais
A formação em PEI, realizada no CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná), representou um marco importante na minha prática profissional. Além de ampliar minha compreensão sobre o processo de aprendizagem, também transformou profundamente a minha forma de mediar o desenvolvimento cognitivo.
Foi uma formação que me ensinou a olhar para além da resposta apresentada pela criança: observar como ela pensa, quais estratégias utiliza, onde encontra dificuldades e de que maneira pode ser ajudada a construir novos caminhos para aprender.
Mas, talvez, o ensinamento mais importante tenha sido aprender a perceber e identificar o potencial de aprendizagem que cada criança traz consigo. Olhar para uma criança não apenas a partir daquilo que ela ainda não consegue fazer, mas também reconhecer suas possibilidades, seus recursos e aquilo que pode desenvolver quando encontra a mediação adequada.
Esse olhar continua presente no meu trabalho e também na criação dos meus jogos. 💚
Se você deseja mais informações sobre o Programa de Enriquecimento Instrumental, pode acessar o CDCP – Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná.
E, se está procurando atividades lúdicas para utilizar em seus atendimentos, na sala de aula ou em momentos de aprendizagem, conheça também os jogos Psicosol.
Um forte abraço!





