imageVou contar uma breve história de uma família e, apesar de que eu não vou citar nomes, possivelmente, vocês irão saber de quem estou falando.

Vivia em uma terra não muito distante daqui uma linda família. Um dos membros dessa família era um menino. Eles viviam muito felizes até que… O primeiro dia de escola do menino chegou!
Logo o grupo escolar chamou a família com ar preocupado:

– seu filho não está aprendendo!

Para resolver tal situação a família e a escola decidiram que o melhor era convocar vários profissionais das mais diversas áreas. E assim foi feito!
Bem, então o batalhão entrou em ação. Na parte da manhã o menino ia para escola e na parte da tarde era aula disso e daquilo para que ele superasse a sua dificuldade! À noite era o momento de estudar para provas e fazer tarefas. Um sacrifício para corpos cansados. Então caiam exaustos em suas camas! O outro dia era igualzinho ao anterior só que com outros profissionais.
Um dia alguém alertou: Este menino precisa brincar!
Mas a família e a escola estavam em um ritmo tão louco para enquadrar o menino – é: enquadrar, fazê-lo ter o mesmo rendimento que os demais – que não conseguiam ver nada além disso!
Responderam apenas que não havia tempo para pensar em brincar!
E, por falar em tempo… Você sabe, ele não perdoa ninguém. E então, de repente, um dia… o menino simplesmente não mais existia.
É que ele já era um adulto. E o que ele tinha para falar da vida? O que tinha aprendido? Bom, ele tinha consciência das suas dificuldades. Afinal, sua vida inteira ouviu sobre o que NÃO sabia fazer. E o que ele sabia fazer? Ah, isso ele não podia responder porque não teve oportunidade para conhecer e desenvolver. FIM!

P.S. Esta é uma reflexão que faço sempre que estou diante de uma criança sobrecarregada. E tenho a convicção que cabe a nós alertarmos os pais tanto em situações de descaso como em situações de excesso. Vale, inclusive, refletir sobre o que é mais importante para aquela criança. E por vezes, é preciso dizer que outros atendimentos são mais excenciais, naquele momento, do que o nosso. Isso é, na minha opinião, compromisso ético.

Imagem: Shutterstock

Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem e em PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná) Centro de Treinamento Autorizado pelo Hadassah Wizo-Canada Reserach Institute e pelo ICELP - The Internacional Center for the Enhancement of Learning Potential, Jerusalém - Israel. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem. Autora do e-book: "Mamãe, deixe-me crescer" e idealizadora da Revista Psicosol. Ama ler e tem levado bem a sério a sua brincadeira de escrever.

3 comentários em “Cadê o menino que estava aqui?

  1. Isis Sampaio Moreira on said:

    Gostei muito do artigo. Dá para percebermos o quanto corremos para lançar conteúdos e esquecemos que tudo tem seu momento: de ler, de brincar (porque nós adultos precisamos também de um momento de lazer), de estudar. Esse mundo globalizado de correria que passa e não volta mais.
    Bom demais para refletir sobre nossa atitude com os nossos pequeninos e ver que todos têm alguma habilidade para mostrar. Busquemos isso!
    Obrigada sempre.
    bjs
    Isis

  2. lia veiga silva on said:

    excelente reflexão já roubar…tilhei….rsrss no meu face!!acredito no potencial de cada ser mesmo que fica submisso a tanta pressão da globalização! , Nós terapeutas tbm temos que dar tempo ao nosso próprio tempo, enquanto sujeito, que vai interferir no processo de aprendizagem e as x. nos esquecemos e lotamos a terapia de atividades sem fim!! cada minuto e precisos pra resgatar a crainca’que existe em cada um de nos

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