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  • Orientações para o trabalho com o disléxico na escola

    Orientações para o trabalho com o disléxico na escola

    Olá! Abrimos este espaço para autores convidados. Não iremos interferir na liberdade de expressão. Portanto, esperamos que os autores sintam-se acolhidos e à vontade para expor suas ideias sobre educação, mesmo se estas não representarem a nossa opinião.

    Muito Obrigada!

    Solange Moll Passos

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    ORIENTAÇÕES PARA O TRABALHO COM O DISLÉXICO NA ESCOLA

    Sônia Moojen

    Antes da análise das acomodações necessárias ao disléxico na escola, é fundamental um esclarecimento sobre as características fundamentais da Dislexia Evolutiva ou Transtorno Severo da Aprendizagem da Leitura e Escrita.

    A dislexia

    • é um problema no processamento fonológico que afeta a leitura e a escrita, na ausência de problemas cognitivos (nível intelectual);
    • é um transtorno específico nas operações implicadas no reconhecimento das palavras que compromete,  em maior ou menor grau,  a compreensão da leitura. Os disléxicos são mais lentos para ler palavras e pseudopalavras, beneficiando-se mais do contexto ao ler. Eles não automatizam plenamente as operações relacionadas ao reconhecimento de palavras, empregando mais tempo e energia em tarefas de leitura. A escrita ortográfica e a produção textual também estão comprometidas;
    • afeta a  um subconjunto, claramente minoritário, dos alunos com problemas  na aprendizagem da leitura e escrita. Talvez não mais que 3% da população escolar;
    • representa  o extremo de um contínuo com a população normal. Os disléxicos não  diferem qualitativamente dos sujeitos normo-leitores. Há uma continuidade entre ambos os grupos, sendo a dislexia mais adequadamente comparada com a obesidade (onde há graus)  do que com o  sarampo – que é algo que uma pessoa tem ou não – (Ellis, 1984);
    • possui uma moderada evidência de origem genética (Rack e Olson, 1993).Os dados proporcionados pelo Projeto Colorado, onde foi estudada a incidência de problemas de leitura em gêmeos monozigóticos (de igual dotação genética) e gêmeos dizigóticos (que somente compartem parte da herança genética) parecem justificar a existência de uma moderada influência genética nas habilidades implicadas no reconhecimento de palavras. Entretanto, em alguns casos de dislexia evolutiva, não existe evidência alguma de antecedentes familiares que possam sugerir uma influência genética;
    • tem um prognóstico reservado, constituindo-se em um problema persistente. O aluno disléxico que, evidenciando alto grau de adaptação escolar, consegue entrar na Universidade, apresenta  dificuldades importantes na leitura de palavras não-familiares e, particularmente,  muita dificuldade na escrita;
    • requer um tratamento que envolve um processo lento, laborioso e sujeito a recaídas, conforme sugerem os dados de estudos longitudinais de sujeitos reabilitados (Rueda e Sanchez, 1994);
    • requer uma equipe multidisciplinar para seu diagnóstico e tratamento.

     

    Os disléxicos

    • possuem capacidade intelectual normal (acima de 85 na escala WISC);
    • tiveram escolarização adequada, ou seja, não trocaram de escola (língua materna) mais de 2 vezes nos três primeiros anos escolares e não faltaram mais de 10% de aulas nesta época;
    • devem ter visão e audição normal ou corrigida;
    • possuem um nível de adaptação psicossocial  normal (Vellutino,1979; Siegel, 1993);
    • não são portadores de problemas psíquicos ou neurológicos graves;
    • estão atrasados na leitura  e escrita, com relação a seus pares, com no mínimo dois  anos, (se a criança tem mais de 10 anos) e um ano e meio (se tem menos desta idade).

    Portanto, até o final de 2ª série não se pode fazer diagnóstico de dislexia. O problema tem que ser persistente, apesar de tratamento adequado.

     

    ORIENTAÇÃO À ESCOLA

    É imprescindível que todo disléxico receba um tratamento específico. Mas é crucial que, ao mesmo tempo, se atenda em aula seu problema. A seguir, serão recomendadas uma série de normas que deverão ser individualizadas para cada caso, com o objetivo de otimizar o seu rendimento e, ao mesmo tempo, tentar evitar problemas de frustração e perda de autoestima, muito frequentes nos disléxicos.

    1) Atitudes:

    • Dar a entender ao disléxico que seu problema é conhecido e que será feito o possível para ajudá-lo. Deve estar muito claro para o professor que o problema não é devido à falta de motivação ou à preguiça.
    • Dar-lhe uma atenção especial e animar-lhe a perguntar em caso de alguma dúvida. Para tanto seria recomendável que o disléxico sentasse perto do professor para facilitar a ajuda.
    • Comprovar sempre que o material oferecido para ler é apropriado para o seu nível leitor, não pretendendo que alcance um nível leitor igual aos dos outros colegas.
    • Destacar sempre os aspectos positivos em seus trabalhos e não fazê-lo repetir um trabalho escrito pelo fato de tê-lo feito mal.
    • Evitar que tenha que ler em público. Em situações em que isto é absolutamente necessário, oportunizar que ele prepare a leitura em casa.
    • Aceitar que se distraia com maior facilidade que os demais, posto que a leitura lhe exige um grande esforço.
    • Nunca ridicularizá-lo ou permitir que colegas o façam.

     

    2) Proposta de ação pedagógica:

    • Ensinar a resumir anotações que sintetizem o conteúdo de uma explicação
    • Permitir o uso de meios informáticos, de corretores e de gravações.
    • Permitir o uso de calculadora já que muitos disléxicos  têm dificuldade para memorizar a tabuada. Ele necessita de mais tempo para fazer os cálculos já que não automatizou a tabuada.
    • Usar materiais que permitem visualizações (figuras, gráficos, ilustrações) para acompanhar o texto impresso.
    • Evitar, sempre que possível, a cópia de grandes textos do quadro de giz, dando-lhes uma fotocópia.
    • Diminuir os deveres de casa, envolvendo leitura e escrita.

     

    3) Aprendizagem de línguas estrangeiras:

    Considerando o esforço que os disléxicos fazem para dominar a fonologia de sua língua materna, é difícil também que eles dominem uma nova língua. Podem até ter habilidade para aprender oralmente a língua, mas o domínio da escrita é particularmente difícil. Schawytz (2006) sugere que, em caso de muita dificuldade, seja requerida isenção de língua estrangeira, substituindo essa disciplina pela elaboração de projetos independentes sobre conhecimentos relativos à cultura do país em que falam esta língua.

     

    4) Avaliação escolar 

    • Realizar avaliações de forma oral, sempre que possível, – conduta válida em todos os níveis de ensino, particularmente no ensino superior.
    • Prever tempo extra como recurso obrigatório, não opcional, pois a capacidade de aprender do disléxico está intacta e ele simplesmente precisa de tempo para acessá-la.  Como o disléxico não automatizou a leitura, terá que ler pausadamente, com muito esforço e se apoiar nas suas habilidades mais altas de pensamento. Ele precisa utilizar o contexto para entender o significado da palavra, um caminho mais longo e indireto que requer tempo extra.
    • Evitar a utilização de testes de múltipla escolha que, pelo fato de descontextualizarem as informações e reduzirem o tempo de execução, tornam-se muito difíceis para o disléxico. Estes testes não são indicadores do conhecimento adquirido por ele.
    • As instruções  devem ser dadas de forma breve já que a memória para mantê-las é fraca e o tempo de atenção reduzido. Instruções curtas evitam confusões.
    • Valorizar sempre os trabalhos pelo seu conteúdo e não pelos erros de escrita. Infelizmente não adianta o professor apontar o erro, pois o disléxico não grava a grafia correta.
    • Oportunizar um local tranquilo ou sala individual para fazer testes ou avaliações para que o disléxico possa focar a sua atenção na tarefa que tem para realizar. Qualquer barulho ou distração atrapalhará a leitura, fazendo com que ele mude a atenção da leitura, o que interfere na performance do teste.
    • É indicado o uso de calculadora, ou da tabela de multiplicação, em função de dificuldades de memorização de tabuada.

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    A autora é Pedagoga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica. Mestre em Educação: Psicologia Escolar, UFRGS, 1976. Professora universitária UFRGS, UNIFRA, URI (Erechim e Frederico Westphalen) nas disciplinas dos cursos de Especialização em Psicopedagogia Terapêutica. Autora  do livro A escrita ortográfica na escola e na clínica; do Confias – Consciência fonológica Instrumento de avaliação sequencial, participação em capítulos de livros tais como: Transtornos da aprendizagem: aspectos neurobiológicos e multidisciplinares; dentre outros.

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    BIBLIOGRAFIA

    ARTIGAS, Josep. Quince cuestiones basicas sobre la dislexia. Conferences Topic: neuropediatrics. Educational sit: www.uninet.edu/union99/congress/confs/npd/

    MOOJEN, S. A escrita ortográfica na escola e na clínica: Teoria, avaliação e tratamento. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2009.

    MOOJEN E FRANÇA: Visão fonoaudiológica e Psicopedagógica da Dislexia. In ROTTA, OHLWEILER & RIESGO: Transtornos de Aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar, POA, Artmed, 2006.

    RUEDA, Mercedes: La lectura: adquisición, dificultades e intervención, Salamanca, Amaru, 1995.

    SANCHEZ, Emilio. A Aprendizagem da leitura e seus problemas – in COLL, PALACIOS, MARCHESI (Org).  Desenvolvimento Psicológico e Educação (Org) Porto Alegre, Artes Médicas, Capítulo 7, 1995.

    SANCHEZ, Emilio. Estratégias de Intervenção nos problemas de leitura – in COLL, PALACIOS, MARCHESI (Org).  Desenvolvimento Psicológico e Educação (Org) Porto Alegre, Artes Médicas, Capítulo 8, 1995.

    SANCHEZ, Emilio. As dificuldades na aprendizagem da leitura. In: BELTRAN, SANTIUSTE. Dificultades de Aprendisaje. Madrid, Sintesis, 1997.

    SANCHEZ, Emilio. El lenguaje escrito y sus dificultades: una visión integradora In: MARCHESI, COLL Y PALACIOS. Desarollo humano y Educación. Madrid, Allianza Editorial. 1999.

  • Uma conversa sobre síndromes, transtornos, distúrbios . . .

    Uma conversa sobre síndromes, transtornos, distúrbios . . .

    Vamos conversar um pouquinho?

    Com este texto, quero “bater um papo” com você que acompanha o meu trabalho. Por motivos óbvios vou falar primeiro..haha, mas espero seu comentário depois!

    Para começar, preciso dizer que sempre que recebo um e-mail com perguntas sobre como trabalhar com uma criança com diagnóstico de algum transtorno, síndrome, etc, eu me solidarizo com quem me envia a pergunta. E por um motivo muito simples: já li muitos livros e fiz diversos cursos procurando respostas às in-fi-ni-tas perguntas sobre o tema. Claro que muitas vezes a minha expectativa foi maior do que o resultado obtido.

    No entanto, hoje me sinto mais tranquila (mas não acomodada). É evidente que o estudo e a vivência prática me fortaleceram nessa caminhada, mas a maneira com que eu aprendi a lidar com esses diagnósticos, e que quero compartilhar, foi que parei de olhar para eles com medo e insegurança. Quer saber? Na verdade, eu simplesmente mudei o foco do meu olhar, da minha escuta. Hoje, ao invés de olhar uma folha de papel, olho o ser humano à minha frente, que – assim como eu e você – está em desenvolvimento.

    Se eu pudesse dizer o que considero de mais importante no nosso trabalho, sem dúvida nenhuma, diria: estudar, estudar muito mesmo(!); mas escutar, olhar, sentir o aluno/paciente é primordial. Sem isso o trabalho não flui!

    Quanto a algumas sugestões práticas posso afirmar que todas, absolutamente todas as atividades disponíveis neste site (clique em jogos brincadeiras e muito mais…) foram aplicadas com diversas crianças. O que acontece é que é necessário aprimorar a sua sensibilidade e se perguntar: O que meu aluno/paciente já sabe? Qual habilidade precisa desenvolver? Quais interesses ele tem? Sabendo isso você será capaz de escolher a melhor atividade.

    Ainda quero contribuir um pouco mais e por isso vou citar alguns quesitos importantes – não são os únicos – para a aprendizagem acontecer com mais eficiência. O único detalhe é que não vou dizer: esta é para síndrome tal, para transtorno tal… Você terá que refletir baseado em suas próprias observações qual atividade seu aluno/paciente está precisando. Eu não posso dizer, simplesmente porque não o conheço. E um diagnóstico não fará com que eu o conheça. Eu me sentiria uma charlatã se fizesse isso.

    Vamos lá:

    O vocabulário: Muitas crianças encontram dificuldade na realização de atividades porque tem um conhecimento restrito de conceitos.

    Pensamento lógico: O número é algo que é construído individualmente por muitos anos através da criação e coordenação de relações. Quando um adulto consegue criar um ambiente que indiretamente encoraje o pensamento das crianças acaba por surpreender-se com a quantidade de relações que elas por si acabam por demonstrar. As situações de conflito são ótimos momentos para colocar as coisas em relações e desenvolver a mobilidade e a coerência do pensamento. Se ao contrário de ser reprimida, a criança for encorajada a discutir ou justificar uma decisão estará desenvolvendo de uma maneira indireta o seu pensamento lógico. Leia mais…

    Percepção (tátil, olfativa, visual, auditiva…). Sabe aquela criança que você diz que não tem memória? É possível que a dificuldade dela esteja no fato de não ter boa percepção.

    Por fim, preciso terminar essa conversa dizendo-lhe que acredite, tenha confiança e principalmente persistência. Entendo que vivemos em uma era que queremos tudo para ontem, mas nós seres humanos precisamos de tempos diferentes. Também não é para ficar esperando que as coisas aconteçam, ok? Não menospreze a capacidade de aprendizagem do ser humano, que é infinita, mas absolutamente particular. Jamais um diagnóstico será capaz de medir e determinar o quanto um indivíduo tem de capacidade para se desenvolver. Porém, o seu olhar poderá ser capaz de incapacitar ou capacitar. Pense nisso!

    Bom, acho que já falei demais, e não quero que nossa conversa se transforme em um monólogo, então agora é a sua vez.  Espero que não me deixe aqui falando sozinha…rs

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    Apostila em PDF 

  • O que você tem feito com o seu conhecimento?

    O que você tem feito com o seu conhecimento?

    O-lá!

    Levante a mão quem já iniciou em um trabalho novo e pediu ajuda para um colega e sentiu que seu pedido não foi, digamos assim, bem aceito. Nossa! Quantos levantaram a mão!!!

    Brincadeiras à parte, pode parecer ridículo, mas que isso acontece, ah, isso acontece! Tem gente que adora guardar para si o que sabe e principalmente suas ideias. Fico pensando – eu aqui com os meus botões – o que faz uma pessoa não passar adiante o seu conhecimento? Talvez a melhor resposta para essa pergunta esteja na palavra insegurança! Ou por dar pouco valor ao que sabe ou por achar que poderá perder um lugar que ocupa em um ambiente de trabalho, de estudo. De qualquer forma, não sei o que pode ser pior!

    Ouvi certa vez:

    “Penei muito para saber o que sei, ninguém me ensinou a fazer nada. Agora vou ensinar outra pessoa que poderá tomar o meu lugar?  Nana… Nina… Não mesmo!”

    Mas que lugar é esse?

    Vamos refletir um pouco sobre isso. Se você não ensinar o que sabe para alguém, como poderá um dia assumir outro cargo, inclusive até melhor? Nenhum chefe em sã consciência irá promover alguém insubstituível… dãã… é lógico. Então você ficará neste lugar até criar mofo e se aposentar.

    Outro ponto importante que também penso – ainda aqui com os meus botões – é que o conhecimento pode estar sendo seu, mas seu dever é repassá-lo adiante. Pense, se você tem um conhecimento que poderá ajudar no desenvolvimento de alguém e não compartilha, em pequena escala não está contribuindo para o crescimento do seu local de estudo ou de trabalho (xiii, será que poderá ficar sem emprego?), e, em escala maior, está impedindo o desenvolvimento da sociedade. Você não concorda comigo?

    Para encerrar, só mais uma coisinha: é incrível, mas é a pura verdade, quanto mais você transmite ideias, mais ideias você têm. Simplesmente porque outras pessoas também terão vontade de compartilhar com você o que sabem, e então se cria uma grande teia do conhecimento.

    Vamos, experimente, você irá se surpreender!!!  É sucesso garantido! Aqui neste espaço compartilho várias ideias, e tenho tido muitas alegrias. E para aqueles que acham que tem pouco ou quase nada para contribuir, só posso sugerir uma coisa: saia da casca!

    Uma das ideias que estava na minha cabeça e que eu desenvolvi é o jogo Quero Saber. Abaixo segue link para você dar uma espiada.

  • Educação (meia-boca) para todos

    Educação (meia-boca) para todos

    Olá! Abrimos este espaço para autores convidados. Não iremos interferir na liberdade de expressão dos mesmos. Portanto, esperamos que os autores sintam-se acolhidos e à vontade para expor suas ideias sobre educação, mesmo se estas não representarem a nossa opinião.

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    Solange Moll Passos

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    EDUCAÇÃO (MEIA-BOCA) PARA TODOS

    Wilson Luiz Stadnick

    O direito à educação é um dos direitos sociais dos brasileiros, garantido a todos pela Constituição Federal de 1988. Diz a Carta Magna que é competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, proporcionar os meios de acesso à educação, que não apenas é um direito de todos, mas também, dever do Estado.

    Apesar da letra da lei, o que se vê na prática não é exatamente aquilo que se almejava. Seja pela falta de interesse dos governantes, pela corrupção, pelo descaso, ou por interesse eleitoral, as escolas pelo Brasil afora estão relegadas a um plano muito inferior nas prioridades administrativas.

    Certamente foi com extrema boa intenção que o legislador constituinte impôs ao Estado a obrigação de garantir educação a todos os brasileiros. Entretanto, não imaginavam aqueles legisladores de um país recém saído da ditadura militar, que, talvez, em um futuro próximo, haveria necessidade de um complemento para aquela garantia.

    Talvez, o acréscimo do termo “de qualidade” à palavra “educação”, na Lei Maior, pudesse hoje pelo menos ter adicionado um pouco de empenho aos nossos mandatários em zelar pela melhoria do sistema de ensino público nacional.

    Apenas talvez, se a Lei houvesse recomendado proporcionar meios de acesso à educação “de qualidade”, quem sabe o Estado não teria investido mais na formação dos professores, qualificando-os e oferecendo melhor remuneração, tornando a carreira profissional muito mais atrativa e disputada, com reflexo direto no aprendizado dos alunos.

    Quem sabe as escolas não estariam em melhores condições de receber seus alunos, eis que professores bem remunerados e respeitados pela profissão que escolheram poderiam se dedicar em tempo integral à escola, sem precisar recorrer a empregos paralelos para reforçar sua renda. Em contrapartida, os alunos estariam mais bem assistidos, recebendo aula e conteúdos mais elaborados, pois, afinal, nesses dias de fácil acesso à tecnologia, é preciso mais que um “quadro negro” para que se sintam atraídos pela escola.

    O fato é que a “educação de qualidade”, pelo menos no sistema de ensino público, parece distante.  A solução, certamente, passa pela cobrança. Quando alguém nos deve dinheiro, cobramos. Logo, quando votamos em alguém porque esse alguém prometeu uma excelente solução, devemos nos empenhar em uma excelente cobrança. Do contrário continuaremos a ouvir falar em educação de qualidade apenas nessas épocas de eleição, em que os partidos políticos, à caça de nossos votos, empenham-se em produzir campanhas de qualidade. A mesma qualidade que anda faltando à educação.

    O autor é advogado, militante da área da Família e Trabalhista.

  • Como desmotivar pessoas

    Como desmotivar pessoas

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    COMO DESMOTIVAR PESSOAS

    Prof. Chafic Jbeili

    Então vamos lá! Em protesto à cultura anti-educacionista, vou ensinar em três passos como tirar a paz e acabar com o ânimo das pessoas. Depois de escolher a vítima do dia, fazer o seguinte:

    Primeiro: Faça comparações! 

    Compare a pessoa com outras pessoas que você e ela conheçam. Diga o quanto as outras pessoas são melhores e fazem tudo mais perfeito do que ela. Se for seu marido, compare-o com os gentis maridos de suas colegas. Se for seu filho diga a ele o tanto que o filho da vizinha é mais organizado, obediente, educado e prestativo. Se for um colega de trabalho recém-chegado, lembre-o de como o colega anterior fazia a mesma coisa de forma mais rápida e muito mais eficiente! Procure pessoas perfeitas e depois compare, compare, compare copiosamente!

    Segundo: Faça cobranças! 

    Cobre presença, cobre interação, cobre satisfação, cobre feedback, cobre mais pontualidade, cobre mais empenho, cobre mais dedicação, cobre mais compromisso, mais educação, cobre mais atenção, cobre mais resultados, cobre notas mais altas, cobre mais presentes, cobre mais serviço, mais agilidade, cobre mais cuidado, cobre mais e mais. Faça-a pensar o tanto que ela é insuficiente em tudo! Enfim, cobre tudo que você lembrar. Cobre, cobre, cobre intensamente!

    Terceiro: Depois de comparar bastante e cobrar muiiiiiito, agora Rejeite sem dó!

    Diga a pessoa que ela não é a pessoa ideal para sua vida ou para aquele trabalho ou tarefa e que está “muito decepcionada” com ela. Rejeite a presença dela, ignorando-a enquanto expõe idéias ou converse ao mesmo tempo em que ela fala. Rejeite a boa vontade dela e diga que “não precisa se preocupar”, pois você dá conta. Rejeite a opinião dela maneando a cabeça, enquanto ela fala. Rejeite suas justificativas, sorrindo cinicamente e dizendo que “não adianta se explicar”, pois você já entendeu tudo. Rejeite a ajuda dela dizendo que ela pode “ir fazendo outra coisa”. Rejeite a amizade dela, esquivando-se do abraço e do aperto de mãos oferecidos. Rejeite-a intensamente fingindo que nem a vê e por isso ela “já morreu” para você. Enfim, rejeite, rejeite, rejeite com força!

    Dificilmente um cônjuge, um filho, um colega de trabalho ou seja lá quem for ficará de pé e emocionalmente estável depois de ser copiosamente comparado, intensamente cobrado e nitidamente rejeitado. Não tem quem resista a este tripé maquiavélico! é bater e valer!

    Advertência: Só tem um probleminha básico para quem resolver aplicar esta receitinha: Todo sentimento que alguém provoca em outras pessoas, mais cedo ou mais tarde também voltará para si, com força! Que sentimento você tem aflorado nas pessoas? Afinal, quem não está gostando do “eco” que está ouvindo, precisa mudar o “som” que está emitindo.

    O autor é Especialista em Psicopedagogia Clínica pela FACETEN/RR; psicanalista clínico pelo Instituto IMPAR; autor do livro Superando o Desânimo; membro fundador da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática do Distrito Federal; professor convidado dos cursos de pós-graduação em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior do Instituto Educacional Multidisciplinar de Brasília – IMPAR e das Faculdades Santo Agostinho de Montes Claros; autor e tutor de diversos cursos nas modalidades presenciais e a distância pela UnicEAD.
  • Interdição Progressiva do Corpo de Joãozinho

    Interdição Progressiva do Corpo de Joãozinho

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    Solange Moll Passos

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    INTERDIÇÃO PROGRESSIVA DO CORPO DE JOÃOZINHO[1]

    Irene Debarba

    Joãozinho é um menino alegre e ativo. Desde muito pequeno evidenciou sinais de esperteza, inteligência e vivacidade.

    Atualmente, com cinco anos, aproveita seu tempo ao máximo e no término de cada dia, lamenta por ter que ir para a cama.

    Ele joga futebol com os meninos da rua, no campinho próximo a sua casa. Também empina pipa, brinca com seus carrinhos (transformando o quintal de sua casa em cenários diversificados). Adora subir nas árvores, pendurar-se em seus galhos, inventar brinquedos com pedaços de pau, latas, barbante, tampinhas, etc.

    Dificilmente vê-se Joãozinho dentro de casa. Quando está em frente à TV, raramente observa-se Joãozinho parado. Simultaneamente, presta atenção aos programas e brinca de pular corda, realiza gestos imitativos aos vistos nos desenhos, repete palavras ou frases pronunciadas por seus heróis, enfim, movimenta-se e até, de certa forma, interage com os programas assistidos.

    Joãozinho está prestes a iniciar uma nova etapa de sua vida. Em breve, completará seis anos e ingressará no primeiro ano do ensino fundamental. Ele acalenta inúmeras expectativas com relação à escola. Seus pais lhe disseram que ela lhe viabilizará um futuro melhor. Melhor que o deles, que a frequentaram muito pouco, por falta de oportunidade. Joãozinho não faz ideia de como o futuro possa ser ainda melhor. Ele já é tão feliz! Mesmo assim, fica pensando em como será bom aprender coisas diferentes, como será maravilhoso poder ler tudo que está escrito nas placas do seu bairro, nos anúncios da TV, nos seus poucos brinquedos comprados. Saber ler o que está escrito no único livro existente em sua casa: a Bíblia.

    Bem, o tempo passou e Joãozinho está impecável. Sua mãe trabalhou muito como diarista e seu pai na função de pedreiro, para poderem comprar tudo o que foi solicitado na lista de material. Seu uniforme está completo. O que mais incomoda Joãozinho são seus tênis. Estava acostumado a andar descalço. Mas está feliz… envaidecido. Achou-se tão bonito ao observar-se no espelho.

    Seus pais, orgulhosos, o levam à escola. Joãozinho não a imaginava tão grande. Logo lhe chamam a atenção o campo de futebol e o parquinho.

    – Nossa! – pensa ele. – Quanto espaço para brincar com o Paulo (amigo que também está ingressando na escola).

    Joãozinho ainda não conhecia as regras da escola. Era proibido correr. Somente poderia fazê-lo durante as aulas de educação física, quando a professora autorizasse.

    O sinal bate e Joãozinho entra na sala (na qual irá permanecer quatro horas de seu precioso dia). A professora menciona que no primeiro dia podem sentar-se onde preferirem. Joãozinho olha ao seu redor e vê tantas crianças. Pensa:

    – Puxa, vai ser divertido brincar com essa molecada!

    A professora interrompe seus pensamentos informando aos alunos que aprenderão muita coisa importante. O ABC, os números, escrever, fazer continhas, etc.

    Era tudo o que Joãozinho queria… aprender! Tinha sede de aprender. Já sabia muito sobre a profissão de seu pai, observando-o quando o acompanhava ao serviço. Também conhecia os afazeres da mãe e desempenhava com responsabilidade sua quota de tarefas. Não era de dar trabalho, exceto, pelas muitas vezes que chegou em casa com arranhões, “galos”, hematomas, enfim, uma série de machucados resultantes de suas peraltices.

    Após uma breve conversa, em que a professora explica o que irão estudar durante aquele ano, todas as crianças apresentam-se, dizendo seus nomes e idades. Posteriormente, ela solicita que peguem o caderno de atividades. Joãozinho nunca tinha escrito num caderno pautado. Ele já havia rabiscado em pedras, tábuas, jornais, papéis velhos…

    A professora desenha no quadro a letra “A” e informa que aprenderão as vogais, iniciando pela vogal “A”. Mostra o movimento correto para traçá-la e pede-lhes que a façam no caderno. Joãozinho tenta, conseguindo fazer algo semelhante. Ocupa várias linhas.

    Enquanto isso, a professora passa de carteira em carteira para verificar se as crianças conseguiram. Ao chegar na carteira de Joãozinho, diz-lhe:

    – Joãozinho! A letra não pode passar fora da linha! Apague e tente novamente.

    Meio decepcionado, atendeu ao pedido da professora, realizando inúmeras tentativas, sem sucesso. Acaba rasgando a folha de tanto apagar. Finalmente, para pôr fim ao seu tormento, bate o sinal, anunciando a hora do recreio.

    – Oba! – verbaliza ele.

    Corre para o pátio e come seu lanche rapidamente em companhia de seu amigo Paulo. Enquanto lancham, também discutem qual das brincadeiras realizarão primeiro. Resolvem ir ao parque. Quando lá chegam, percebem que está vazio e trancado. Dirigem-se velozmente ao campo de futebol. Este está repleto de crianças, mas nem sinal de bola. Informam-se com colegas e descobrem que é proibido jogar futebol na hora do recreio. Só lhes resta a opção do pega-pega. Assim, aproveitam os últimos minutos.

    Retornando à sala, a professora pede-lhes que façam uma fila em frente à porta. Passando de um a um, para ao lado de Joãozinho, dizendo-lhe:

    – Joãozinho, o que é isso! Todo suado e sujo! Ah! Já sei, você correu. Você não sabe que é proibido correr durante o recreio? Claro! A culpa é minha que não lhes ensinei as regras da escola. Vamos entrar na sala, fechar os cadernos e durante o resto desta manhã, vou lhes ensinar todas as regras desta escola. E prestem muita atenção, pois quem for pego correndo ficará sentado durante o recreio no dia seguinte. Certo?

    E assim foi. O restante da manhã os alunos permaneceram sentados e a professora registrou em papel pardo uma série de normas a serem cumpridas. Tudo o que não podia ser feito ficou em evidência.

    Joãozinho vai para casa entristecido… decepcionado. Os pais o aguardam ansiosos para saber como foi o primeiro dia na escola. Ao ser indagado, Joãozinho não sabe o que responder. Então fala:

    – Foi mais ou menos – dirigindo-se ao seu quarto.

    Os pais de Joãozinho estranham sua atitude. Depois de conversarem melhor com ele, concluem que irá se acostumar com a nova rotina. Até então, só havia brincado. Agora, “tinha que dar duro” para vencer na vida. Disseram-lhe que a vida não é fácil e que precisaria se esforçar mais e parar de pensar só em brincadeira. Também lhe afirmaram que daquela data em diante, tudo seria diferente. Uma nova etapa de sua vida havia começado: a de estudante!

    Joãozinho é um menino obediente e valoriza a opinião dos pais. Conclui que eles devem estar certos.

    Os dias que se seguem na escola não são muito diferentes do primeiro. No tempo em que os alunos permanecem na sala ficam, a maior parte, sentados. Escrevem muito, geralmente copiando os exercícios e resolvendo-os. Também desenham, recortam e pintam. Algumas vezes, a professora propõe trabalhos grupais; em outras, atividades corporais, jogos, brincadeiras, com o objetivo de “entreter” as crianças. No entanto, estes momentos lúdico-corporais são geralmente adotados em “datas especiais” às crianças; tais como: festa junina, dia do estudante, dia da criança. A professora justifica a pouca frequência deste tipo de atividade em decorrência do excesso de conteúdos a serem trabalhados durante o ano letivo. Também acredita que atividades corpóreas sejam pertinentes a área específica de educação física.

    Joãozinho aprendeu a escrever dentro da linha, todavia, apresenta dificuldade para identificar as letras do alfabeto ensinadas. Comenta com os colegas que quando a professora permite fazer as tarefas em grupo ou quando proporciona ações pedagógicas pouco mais dinâmicas, parece-lhe tudo mais fácil de aprender. Lamenta que ela lance mão de recursos lúdicos somente no término das aulas, enquanto aguardam pelo sinal. Durante o tempo que permanece sentado, seu corpo reclama por movimentos. Gostaria de poder andar, se espichar, correr… A professora percebe sua inquietação e pergunta-lhe, às vezes:

    – Tem formiga na cadeira Joãozinho? Vê se fica parado! Assim você não consegue fazer nada direito, muito menos aprender o alfabeto. Você tem que prestar mais atenção, Joãozinho! É para o seu bem.

    Joãozinho respeita enormemente seus professores e tenta, sem muito êxito, ficar mais parado, concentrado. Já consegue desenhar as letras bem redondinhas, como as da professora. O que não consegue é gravar seus nomes, juntar as letras, formar as sílabas… Em casa os pais tentam ajudá-lo, fazendo-o escrever o alfabeto inúmeras vezes. Eles se questionam por que Joãozinho “tem cabeça boa” para aprender tanta coisa e na escola não vai bem. A professora lança mão de tudo o que sabe para ajudar Joãozinho. Chega a pensar que ele não aprende porque é um menino hiperativo. Encaminha-o para avaliação médica. O diagnóstico indicou que Joãozinho não tem nada. A mãe considera a possibilidade de que Joãozinho esteja com vermes. Ouviu falar que criança com vermes fica agitada. Ministra-lhe uma dose do remédio, sem atingir o resultado almejado.

    Joãozinho também tem muitas dúvidas. Depois de várias explicações, até entendeu porque não pode durante o recreio correr, jogar futebol ou ir ao parque. Percebeu que o espaço que inicialmente considerou tão grande é limitado para tanta criança, fazendo-se necessárias algumas regras que garantam o bem estar dos alunos e o bom funcionamento da escola. O que ele não entende, por mais que se esforce, é por que a maior parte do seu corpo é proibida na sala de aula. Ele pode utilizar suas mãos para copiar, resolver as atividades, recortar, pintar e desenhar o que a professora sugere. Ele pode utilizar os ouvidos para escutar as orientações e explicações da professora e alguns questionamentos dos colegas. Ele pode usar os olhos para observar o quadro, o caderno, os cartazes e os livros. Ele pode valer-se de sua capacidade de falar para responder à chamada e às interrogações da professora, cantar, fazer perguntas. Às vezes, pode verbalizar suas experiências sem demorar-se. Há muitas coisas importantes a serem feitas.

    – E o resto do corpo? – se questiona Joãozinho. – O que faço com ele? Como posso aquietá-lo? Como posso parar algo que nunca ficou inerte, passivo?

    Joãozinho não entende, mas continua se esforçando, pois acredita que deve haver uma explicação lógica para aquele procedimento.

    Assim, dois anos se passaram e, como diz o velho ditado: “Não há nada que o tempo não possa curar”. Neste caso, parar. Joãozinho aprendeu a dominar seu corpo, aprendeu a reprimir seus desejos, aprendeu a assumir uma posição passiva e receptiva na sala de aula. E, além do fator tempo, com muita insistência, no segundo ano conseguiu alfabetizar-se.

    Joãozinho venceu! Joãozinho é um vencedor! Ultrapassou todos os obstáculos encontrados no caminho da alfabetização.

    A escola venceu! A escola é vencedora! Conseguiu, gradativamente, interditar o corpo de Joãozinho.


    [1] Primeira versão desta narrativa foi elaborada e apresentada na Dissertação de Mestrado da autora no ano de 2003.

    A autora é Graduada em Pedagogia; Especialista em Psicopedagogia, Gestão Escolar, Neuropsicopedagogia e Desenvolvimento Humano; Mestre em Educação.

  • Segurança pública: pior cego é quem mesmo?

    Segurança pública: pior cego é quem mesmo?

    Artigo publicado no JORNAL DE SANTA CATARINA.

    http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,182,3776691,19709

    SOLANGE MOLL PASSOS|PSICOPEDAGOGA

    Possivelmente, neste exato momento em que você lê este texto, lágrimas que denunciam o desespero cobrem a face de alguém. Afinal, a todo instante ouvimos notícias sobre roubos, assaltos, sequestros, mortes… Toda essa tristeza parece sempre estar bem longe de nós. Parece! Isso até ela bater na nossa porta. Até sermos nós a notícia que tanto choca a população.

    Então, onde mora a segurança? Para onde devemos ir?

    Ora, não precisamos ir lá, nem acolá. Estaremos muito melhor protegidos se sairmos do cômodo lugar de expectadores desse circo em que tem se transformado a segurança pública e também se refletirmos sobre os caminhos que podem nos levar a condições melhores de vida.

    Será que somos mesmo tão impotentes para enfrentar o problema? A segurança pública passa antes pela educação com qualidade, por trabalho, diversão… E o que temos feito em nossa comunidade para que as pessoas efetivamente tenham acesso a esses itens?

    A bem da verdade, cada vez mais deixamos de nos preocupar com o outro. Fechamo-nos em nossas casas, cada um cuidando de si e dos seus. Tudo bem que não precisamos nos plantar à janela para bisbilhotar a vida alheia, porém, o outro lado dessa moeda, ou seja, ao nos despreocuparmos com a vida alheia, também não é nada salutar para a sociedade.

    Citando Gonzaguinha: “nós podemos tudo, nós podemos mais”. Precisamos cobrar insistentemente dos governantes, eleitos e pagos por nós, ações que realmente venham a nos deixar mais tranquilos e seguros, e também, a pôr em prática ações para fazermos a diferença em nossa comunidade.

    Por fim, o pior cego aqui é aquele que prefere não ver para nada precisar fazer.

  • Tem que arrepiar!

    Tem que arrepiar!

    Inicio este texto já colocando o dedo na ferida ao dizer que você é responsável por suas escolhas. Portanto, se o seu trabalho não está proporcionando satisfação é porque está na hora de refletir o que fez você escolher tal atividade. Buscando a fonte da escolha poderá repensar um novo caminho e então recomeçar. Recomeçar, Solange? Sim, é melhor do que ficar eternamente reclamando. Ou será que essa é sua opção: ficar reclamando?

    Pior, quem está fazendo o que não gosta geralmente contamina as pessoas ao seu redor. E tem que ser forte para trabalhar com alguém de mau humor e infeliz.

    Todo profissional precisa sentir emoção com seu trabalho, sentir-se útil, ter aquele arrepio ao final do dia, algo do tipo: puxa que legal, valeu! Do contrário a vida se encarregará de lá na frente trazer grandes frustrações decorrentes da própria irresponsabilidade diante da vida, diante das escolhas mal feitas.

    O mundo vive em constante evolução (que novidade!) e para acompanhar precisamos crescer com nosso trabalho. Para isso é necessário muitas vezes romper paradigmas, deixar de lado conceitos antigos e obsoletos. Para crescer é necessário romper!

    Espero que indiferente das escolhas (me incluo), possamos dar nossa contribuição para um mundo melhor, encarando os medos como desafios que podem ser superados, com mais respeito ao diferente, sendo mediadores do bem, com ética, compaixão, e tendo e transmitindo muitos, muitos arrepios!

    Ui… Fiquei arrepiada!

    Boas escolhas!

  • O modelo de escola ideal já foi pensado!

    O modelo de escola ideal já foi pensado!

    Artigo publicado no JORNAL DE SANTA CATARINA.

    http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,182,3657908,18956

    SOLANGE MOLL PASSOS|PSICOPEDAGOGA

    A escola ideal já foi pensada, discutida e colocada no papel por muitos autores. Mas a escola que temos atualmente, na prática, é a “ideal” que foi pensada?

    Muito bem, mais um ano letivo se inicia, e com ele mais uma oportunidade de se fazer diferente. Que produtivo seria se o ano já iniciasse com os papéis da família e da escola bem entendidos e definidos! Então, ficaria mais ou menos assim: a família estaria ciente que “educação começa em casa”. Portanto, assumiria, acompanharia e incentivaria o desenvolvimento emocional e cognitivo dos seus filhos.

    E a escola tomaria conta das rédeas do conhecimento, e efetivamente deixaria de ser uma repassadora de informações. Esse conhecimento estaria formando seres humanos mais completos e consequentemente promoveria uma interferência significativa no mundo. E a partir daí, o professor seria merecidamente reconhecido como autoridade pelo que sabe e não pelo autoritarismo.

    Nada do que foi escrito aqui é tarefa fácil de executar, simples e colorida, mas, se de fato quisermos, devemos nos mover para torná-la possível! Sem culpar esse ou aquele. Apenas cada um fazendo a sua parte do que é preciso ser feito.

    Pensando bem, quem sabe possamos ousar mais e ir além do que é preciso fazer, sem esperar que o outro o faça.

    Todos almejamos uma vida melhor, mais justa, com igualdade social. Para isso precisamos do esforço e empenho de cada indivíduo que compõe a grande teia a qual chamamos de sociedade. Todos têm sua tarefa a cumprir, indiferente de qual lado esteja. E a escola ideal? Ah, essa deixaria de ser uma utopia!

    SOLANGE MOLL PASSOS|PSICOPEDAGOGA

  • Palmadas. . .

    Palmadas. . .

    É possível que diante desse assunto tão polêmico críticas venham de todos os lados: dos que aprovam, dos que abominam e dos que têm dúvidas. Mas quem escreve se posiciona e precisa estar preparado, e talvez por isso poucos se atrevam. Então vamos lá… já que pouco a pouco tenho me tornado bem atrevida(!)

    Educar exige dos pais mais que amar seus filhos. Exige também atitude de saber dar limites e frequentemente exercitar o vocabulário. Palmadas não resolvem! Até pode parecer resolver, em um primeiro momento, como jogar um “balde de água fria”. No entanto, o que vai realmente fazer a diferença é a segurança dos pais diante de algo que deve ser corrigido.  Tem pai que bate e, em seguida, cede às vontades e birras dos filhos. Vira uma banalidade. A criança é capaz de olhar para o pai e dizer: “Nem doeu!”

    É impossível acreditar em uma educação com receita porque o que vale para uma criança, não vale para outra. O bom senso e a sensibilidade para perceber que cada ser reage de maneira diferente diante dos estímulos que recebe é essencial.

    Para quem cogita a ideia de ter um filho é imprescindível tomar consciência de que precisa praticar o respeito, o olho no olho, a segurança e a firmeza na cobrança do que deve ser corrigido, e, também, no seu dia a dia preocupar-se em dar bons exemplos, porque criança aprende muito mais com as nossas ações que com nossas palavras.

    Agora, há palavras que podem ferir e marcar tanto ou mais que palmadas. Na verdade, às vezes basta um olhar!

    Por fim, agradeço ao nobre advogado Leandro Foster pela sugestão do tema.