Troca de letras na alfabetização: como ajudar crianças que confundem F/V, P/B, T/D e M/N
O-lá!
A criança troca F por V, P por B, T por D ou M por N durante a escrita? Essas trocas são relativamente comuns no processo de alfabetização e nem sempre indicam um transtorno. Neste artigo, você entenderá por que elas acontecem, como ajudar a criança a diferenciar esses sons e conhecerá um jogo pedagógico criado para tornar essa aprendizagem mais concreta e significativa.
Por que algumas crianças trocam letras na escrita?
Se você trabalha com alfabetização ou acompanha uma criança nesse processo, talvez já tenha observado que, mesmo após um caminho bem construído, algumas delas ainda apresentam trocas na escrita, como F/V, P/B, T/D e M/N.
Essas trocas costumam gerar dúvidas e preocupações, principalmente quando persistem por mais tempo do que o esperado.
Mas é importante dizer com clareza: nem toda troca de letras indica um transtorno. Não precisamos, de imediato, patologizar ou associar essas dificuldades a quadros como dislexia ou TDAH, embora, em alguns casos, essas condições também possam estar presentes.
Antes de qualquer rótulo, há algo essencial: a criança precisa desenvolver sua capacidade de perceber e diferenciar os sons da fala (fonemas) e relacioná-los às letras (grafemas).
Esse trabalho faz parte do desenvolvimento da consciência fonológica e da aprendizagem do sistema de escrita alfabética.
Como ajudar a criança a diferenciar os sons?
Muitas crianças se beneficiam quando direcionamos sua atenção para pequenas pistas durante a produção dos sons.
Por exemplo:
- No som de /m/, os lábios se tocam; no /n/, isso não acontece.
- O uso de um espelho permite que a criança observe os movimentos da boca enquanto produz os sons.
- No /v/, ocorre vibração das cordas vocais; no /f/, não. Colocar a mão no pescoço durante a pronúncia ajuda a perceber essa diferença.
Esses recursos tornam os sons mais perceptíveis e favorecem a discriminação entre letras que costumam gerar confusão durante a leitura e a escrita.
Como destacam Artur Gomes de Morais e Tarciana Pereira da Silva Almeida (2022, p. 66):
“[…] quando um aprendiz escreve faca em lugar de vaca, precisa de ajuda para perceber a distinção entre os fonemas /f/ e /v/.”
Ou seja, estamos falando de uma habilidade que pode e deve ser ensinada por meio de intervenções intencionais.
O que essas crianças precisam?
Em vez de apenas repetir exercícios de escrita, elas costumam se beneficiar de propostas que favoreçam a reflexão sobre os sons das palavras.
Algumas estratégias importantes são:
- apoio direcionado;
- atividades que evidenciem os sons da fala;
- comparação entre palavras parecidas;
- intervenções que chamem atenção para as diferenças entre os fonemas;
- oportunidades de observar, comparar e tomar decisões;
- jogos que tornem a aprendizagem mais leve e motivadora.
Jogo “Intrusa”: trabalhando F/V, P/B, T/D e M/N de forma lúdica
Pensando nessa necessidade, criei o Jogo Intrusa, um recurso pedagógico para trabalhar a discriminação entre fonemas que costumam gerar confusão durante a alfabetização.
A proposta é simples e divertida: identificar quando uma palavra não pertence ao grupo correspondente, ou seja, quando há uma intrusa.
Enquanto joga, a criança compara palavras, analisa seus sons, faz escolhas e fortalece a relação entre fonemas e grafemas de maneira significativa.
Como funciona o jogo?
O tabuleiro é colocado no centro da mesa, com os jogadores sentados um de frente para o outro.
Cada participante fica responsável por um dos lados do tabuleiro. No tabuleiro F/V, por exemplo, um jogador trabalha com palavras escritas com F e o outro com palavras escritas com V.
Na sua vez, o jogador:
- Lança o dado.
- Avança o número de casas correspondente.
- Observa a palavra onde parou.
- Verifica se ela pertence ao seu lado ou se encontrou uma palavra intrusa.
Quando identifica corretamente uma palavra intrusa, ganha um bônus e avança mais três casas.
Vence quem chegar primeiro ao círculo central do tabuleiro.
Quais habilidades são estimuladas?
Durante a brincadeira, a criança desenvolve diversas habilidades importantes para a alfabetização, como:
- discriminação dos fonemas F/V, P/B, T/D e M/N;
- relação entre fonemas e grafemas;
- consciência fonológica;
- leitura de palavras;
- atenção e concentração;
- análise e comparação de palavras;
- raciocínio durante a tomada de decisões.
Para quem o jogo é indicado?
Este material pode ser utilizado por:
- professores dos Anos Iniciais;
- professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE);
- psicopedagogos;
- fonoaudiólogos;
- profissionais do reforço escolar;
- famílias que desejam complementar a aprendizagem em casa.
Ao longo da brincadeira, a criança é convidada a observar, comparar, analisar e refletir sobre os sons da fala e sua relação com as letras. Essas experiências tornam o processo de aprendizagem mais ativo, participativo e significativo.
É isso! Gostou do que viu por aqui?
Espero que este jogo possa contribuir com o seu trabalho e proporcionar momentos de aprendizagem de forma leve e envolvente.
Um abraço e até o próximo post
Referência Bibliográfica:
MORAIS, Artur Gomes de. Jogos para ensinar ortografia: ludicidade e reflexão. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.
Clique no linki abaixo para adquirir o arquivo PDF contendo:
- 01 tabuleiro F/V;
- 01 tabileiro P/B;
- 01 tabuleiro T/D;
- 01 tabuleiro M/N;
- 01 dado;
- 04 peões;
- instruções de uso.
É para você imprimir, montar e jogar.
Perguntas frequentes
1. É normal a criança trocar F por V ou P por B na escrita?
Sim. Durante a alfabetização, essas trocas e outras semelhantes podem fazer parte do processo de aprendizagem. Quando persistem, é importante realizar uma avaliação psicopedagógica, para compreender os fatores envolvidos e planejar intervenções adequadas.
Observação: Se as trocas ocorrerem na fala (oralidade), é fundamental realizar uma avaliação fonoaudiológica.
2. O jogo serve apenas para F e V?
Não. O material contempla quatro pares de letras que costumam gerar confusão:
- F/V;
- P/B;
- T/D;
- M/N.
3. A partir de que idade o jogo é indicado?
Mais importante do que a idade é o momento de aprendizagem da criança. O jogo é indicado para crianças que já compreenderam o princípio alfabético e apresentam escrita alfabética, mas ainda realizam trocas entre as letras F/V, P/B, T/D e M/N durante a escrita.










