Tag: dislexia

  • Lago das Sílabas

    Lago das Sílabas

    O-lá!

    Em um primeiro olhar, especialmente quando ainda não conhecemos profundamente o processo de alfabetização, é comum que a escrita de uma criança chame atenção pelo que “não está certo”. Mas, por trás dessas produções, existe algo muito mais importante acontecendo: a criança está pensando.

    Os estudos na área da alfabetização nos ajudaram a compreender que as primeiras tentativas de escrita não são aleatórias. Existe intenção, organização de ideias e construção de conhecimento em cada registro.

    Mesmo que, para um olhar menos atento ou com pouco conhecimento sobre o assunto, pareça uma escrita cheia de erros, hoje já sabemos que isso não procede. No entanto, nem sempre foi assim.

    Como aponta Ana Albuquerque (2022, p. 77):

    […] pouca importância era dada às primeiras produções escritas das crianças, sendo consideradas simples garatujas sem significado e que não envolviam qualquer ligação com a cognição. Eram vistas como reproduções erradas da escrita […].

    Ainda bem que os tempos são outros, não é mesmo?…Rsrs!

    Hoje, já sabemos que a criança está, sim, pensando sobre a escrita, testando hipóteses e organizando suas ideias sobre como a língua funciona.

    E quando esse olhar muda, muda tudo junto. A escrita deixa de ser julgada apenas pelo acerto e passa a ser compreendida como parte essencial do processo.

    É exatamente nesse ponto que os jogos entram com força. Porque, no jogo, a criança:

    • arrisca sem medo;
    • testa combinações;
    • observa o que funciona e o que não funciona;
    • aprende de forma ativa e significativa.

    Hoje eu trouxe como sugestão o “Lago das Sílabas”. Um jogo em que o sapinho precisa pular de sílaba em sílaba, formando palavras ao longo do caminho.

     Habilidades estimuladas:

    • formação e segmentação de palavras;
    • leitura inicial;
    • atenção e planejamento;
    • orientação espacial;
    • flexibilidade cognitiva.

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana.
    2. Cada jogador, na sua vez, avança com seu peão tentando formar uma palavra. Pode se mover para a direita, esquerda, frente, atrás e na diagonal, mas não pode pular sílabas.
    3. A cada jogada, deve registrar a palavra formada em uma folha ou caderno.
    4. O jogo termina para o jogador que chegar à última sílaba da margem superior. Ao chegar, não pode mais se mover. Mas atenção: o vencedor não é quem chega primeiro, e sim quem consegue formar mais palavras ao longo do caminho.

    No fim das contas, mais importante do que chegar rápido é o que a criança constrói durante o percurso.

    É isso, turma! Gostaram do que viram por aqui?

    Um abraço e a gente se encontra no próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    ALBUQUERQUE, Ana. Linguagem escrita na educação infantil: práticas pedagógicas promotoras da aprendizagem em sala de aula. In: SARGIANI, Renan (org.). Alfabetização baseada em evidências: da ciência à sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2022.

     

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  • Intrusa F/V, P/B, T/D, M/N

    Intrusa F/V, P/B, T/D, M/N

    O-lá!

    Se você trabalha com alfabetização ou acompanha alguma criança nesse processo, talvez já tenha observado que, mesmo após um caminho bem construído, algumas delas ainda apresentam trocas na escrita, como F/V, P/B, T/D e M/N.

    Essas trocas costumam gerar dúvidas e até preocupações, principalmente quando persistem por mais tempo do que o esperado.

    Mas é importante dizer com clareza: nem toda troca indica um transtorno. Não precisamos, de imediato, patologizar ou associar essas dificuldades a quadros como dislexia ou déficit de atenção, ainda que, em alguns casos, possam estar relacionados.

    Antes de qualquer rótulo, há algo essencial: a criança precisa de ajuda para perceber e diferenciar os sons da fala(fonemas) e as letras que os representam.

    Muitas vezes, algumas crianças se beneficiam quando chamamos atenção para pequenas pistas na produção dos sons.
    No som de /m/, por exemplo, os lábios se tocam; no /n/, não. O uso de um espelho para que a criança observe os movimentos articulatórios durante a produção dos sons também pode favorecer essa percepção.
    Já no /v/, há vibração das cordas vocais, o que não acontece no /f/. Nesse caso, perceber a vibração colocando a mão no pescoço pode ajudar a criança a diferenciar os sons.
    Esses apoios ajudam a tornar os sons mais perceptíveis e favorecem a discriminação entre letras que costumam gerar confusão.

    Como destacam Artur Gomes de Morais e Tarciana Pereira da Silva Almeida (2022, p. 66):

    […] quando um aprendiz escreve faca em lugar de ‘vaca’, precisa de ajuda para perceber a distinção entre os fonemas /f/ e /v/.”

    Ou seja, estamos falando de uma habilidade que pode, e deve, ser trabalhada de forma intencional.

    O que essas crianças precisam?

    • Apoio direcionado;
    • atividades que evidenciem os sons;
    • oportunidades de comparação entre palavras;
    • intervenções que tornem essa aprendizagem mais concreta e significativa.

    E, claro… de forma leve e envolvente.

    Pensando nisso, criei o jogo “Intrusa F/V, P/B, T/D, M/N”, uma forma lúdica de trabalhar a discriminação entre sons que costumam gerar confusão.

    A ideia é simples: identificar quando uma palavra “não pertence” àquele grupo. Ou seja, quando há um intruso sonoro.

    Habilidades estimuladas:

    • discriminação dos fonemas /F/V/, /P/B/, /T/D/, /M/N/;
    • atenção e concentração;
    • leitura e análise de palavras ;
    • relação fonema–grafema.

    Sugestão de Uso:

    Coloque o tabuleiro no centro da mesa. Organize os jogadores sentados um de frente para o outro.

    Cada jogador ficará com um lado do tabuleiro:  um com palavras que devem ser completadas com F; outro com palavras que devem ser completadas com V.

    Na sua vez, o jogador:

    1. Lança o dado e avança com o peão conforme o número sorteado.
    2. Ao parar em uma casa: Se a palavra corresponde ao seu lado (ex: jogador do F em palavra com F), segue normalmente. Se cair em uma palavra que deveria ser completada com a outra letra, ele encontrou uma intrusa. Nesse caso, ganha um bônus e avança mais três casas.
    3. O jogo continua alternando os turnos.
    4. Vence quem chegar primeiro ao círculo central do tabuleiro.

    Por que funciona?

    Porque a criança não está apenas escrevendo ou repetindo, ela está comparando, analisando e tomando decisões.

    E isso faz toda a diferença no processo de aprendizagem.

    Se você trabalha com alfabetização ou acompanha uma criança que apresenta esse tipo de troca, vale muito a pena incluir propostas assim na rotina.

    Espero que esse jogo contribua com o seu trabalho e, principalmente, com o avanço das crianças.

    Um abraço,
    Sol

    Referência Bibliográfica:

    MORAIS, Artur Gomes de. Jogos para ensinar ortografia: ludicidade e reflexão. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.

     

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    • 01 tabuleiro F/V;
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  • Puxa Palavras

    Puxa Palavras

    O-lá! 😊

    No processo de alfabetização, é muito comum pensarmos leitura e escrita como habilidades separadas. No entanto, do ponto de vista do desenvolvimento, elas caminham juntas e se influenciam constantemente.

    Mesmo quando a proposta envolve apenas leitura, é importante compreender que há impactos diretos sobre a escrita. Ao ler, a criança entra em contato com as formas convencionais das palavras, observa regularidades e começa a construir representações mentais sobre como elas são organizadas.

    Como aponta Magda Soares (2016, p. 84):

    […] Assim, a escrita alfabética prepara e estimula o uso de uma estratégia alfabética na leitura; por outro lado, a leitura propicia a internalização de representações ortográficas que podem ser transferidas para uma escrita ortográfica.

    Isso significa que, mesmo em atividades centradas na leitura, a criança está, ao mesmo tempo, fortalecendo bases importantes para a escrita, especialmente no que se refere à consolidação de padrões ortográficos.

    Pensando nisso, trago como sugestão o jogo “Puxa Palavras”, que trabalha a leitura de forma significativa e favorece esse processo.

    Algumas habilidades estimuladas:

    • Leitura de palavras;
    • Atenção à estrutura das palavras (sílabas);
    • Identificação da última sílaba e relação com o início de outra palavra;
    • Ampliação de vocabulário;
    • Pensamento lógico-dedutivo;
    • Atenção e concentração.

    Sugestão de uso do jogo

    1. Organize as crianças sentadas em círculo.
    2. Distribua igualmente as cartas entre as crianças. O que sobrar, deixe de lado para uma eventual compra.
    3. Coloque a locomotiva que puxa o vagão com a palavra “nove” no centro da mesa.
    4. A criança que tiver uma carta com uma palavra que começa com “VE” (última sílaba de “nove”) deve colocá-la ao lado do vagão. O jogo segue dessa forma, sempre conectando a última sílaba de uma palavra ao início da próxima.
    5. O jogo termina quando não houver mais vagões.

    Este não é um jogo com ganhadores ou perdedores, a montagem do trem é coletiva.

    Propostas como essa mostram, na prática, como a leitura pode ser trabalhada de forma ativa e significativa, contribuindo para o avanço da alfabetização como um todo.

    Gostou do que viu por aqui? O jogo está disponível gratuitamente na nossa loja.

    Espero que essa proposta contribua com a sua prática e torne o momento de leitura ainda mais significativo para as crianças. 💛
    Depois me conta como foi!

    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016.

     

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  • Papa Erros

    Papa Erros

    O-lá!

    Quando a criança chega à escrita alfabética, muita coisa já foi conquistada, por exemplo: ela compreende a relação entre sons e letras e consegue registrar palavras de forma legível. Mas é justamente aqui que surge um novo desafio e, muitas vezes, o mais persistente: a ortografia.

    Se antes o foco estava em entender como representar os sons, agora entra em cena a escolha da letra quando há mais de uma possibilidade para o mesmo som.

    O desafio das correspondências irregulares

    Na língua portuguesa, nem sempre há uma regra que dê conta de tudo. Existem as chamadas correspondências fonográficas irregulares, ou seja, situações em que o mesmo som pode ser representado por letras diferentes, sem uma regra simples que permita generalização.

    Um exemplo clássico:
    • gigante (com G)
    • jiló (com J)

    As duas palavras começam com o mesmo som, mas são escritas de formas diferentes. E aí não tem “regra salvadora” que resolva: a criança precisa aprender e lembrar.

    Compreensão x memorização

    Esse é um ponto essencial para quem ensina.

    Nas regularidades, a criança pode compreender padrões. Já nas irregularidades, o caminho é outro: entra em cena a memória ortográfica.

    Ou seja, a criança precisa:
    • ver a palavra várias vezes;
    • usá-la em diferentes contextos;
    • e, aos poucos, fixar sua forma correta.

    Não é sobre “decorar por decorar”, mas sobre conviver com a palavra até que ela se torne familiar.

    O que priorizar no ensino?

    Nem toda palavra precisa ser cobrada da mesma forma, e esse é um cuidado pedagógico importante.

    Como destacam Artur Gomes de Morais e Tarciana Pereira da Silva Almeida (2022, p. 21):

    […] pensamos que é mais importante ajudar a criança a, desde cedo, escrever ‘homem’, ‘hoje’, e ‘hora’, palavras que reaparecerão nos textos de que será autora, do que cobrar, aos 7 ou 8 anos, que ela não erre ao escrever palavras raras como ‘harpa’, ‘holofote’ ou ‘hélice’.

    Essa reflexão nos convida a olhar com mais intenção para aquilo que ensinamos.

    Faz mais sentido, nesse momento em que a criança começa a se apropriar da ortografia, investir em palavras frequentes, significativas e que aparecem na produção da própria criança, do que exigir precisão em palavras pouco usuais.

    Uma proposta lúdica para esse momento

    Pensando nesse desafio, hoje eu trouxe uma sugestão lúdica para mediar esse processo e levar a criança a refletir sobre a escrita: o jogo “Papa Erros”.

    Na elaboração do jogo, procurei selecionar palavras irregulares de uso frequente, ou seja, algumas que a criança, possivelmente, irá utilizar em seus textos no dia a dia. Assim, o aprendizado se torna mais significativo e funcional.

    Habilidades estimuladas

    Com o jogo, é possível trabalhar:

    • palavras com S / Z, X / CH, C / Ç / SC, R / RR, G/J entre outras;
    • construção da memória ortográfica;
    • atenção e concentração;
    • reflexão sobre a escrita.

    Agora vamos ver como utilizar o jogo?

    Sugestão de uso

    1. Deixe que cada criança escolha o seu “monstro” (o seu lado).
    2. Coloque as cartas em uma pilha.
    3. Cada criança, na sua vez, pega uma carta da pilha, lê para o seu oponente a frase e diz qual palavra ele deverá soletrar.
    4. Se ele errar, deverá puxar o seu lado da tira, de modo que o monstro “coma” uma pastilha.
    5. Perde o jogo quem primeiro ficar sem nenhuma pastilha.

    Dica: Para favorecer a internalização da escrita correta dessas palavras, é importante que as crianças também as escrevam. Isso pode ser feito durante o jogo ou após, conforme vocês acharem mais pertinente.

    É, turma… quando o desafio deixa de ser “como escrever” e passa a ser “como escrever corretamente”, entramos no campo da ortografia. E, nesse campo, entender o que é regra e o que é memória faz toda a diferença. O uso de estratégias lúdicas pode tornar esse processo muito mais envolvente e eficaz.

    É isso o que eu tinha para vocês hoje. Gostaram do que viram por aqui? Espero que sim… hehe!

    Um abraço e até o próximo post.

    Referência Bibliográfica:

    MORAIS, Artur Gomes de. Jogos para ensinar ortografia: ludicidade e reflexão. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.

     

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    • 36 cartas;
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  • Vira Palavra

    Vira Palavra

    O-lá!

    A leitura  é uma construção cultural relativamente recente na história da humanidade. Diferente da linguagem oral, que se desenvolve naturalmente nas crianças, a leitura depende de um processo de aprendizagem mediado, no qual a criança precisa compreender como os sinais gráficos representam a linguagem.

    Como destaca Stanislas Dehaene (2012, p. 19):

    A leitura não é senão um exemplo das atividades culturais surpreendentemente diversas que a espécie humana criou numa dezena de milhares de anos.

    Isso significa que aprender a ler envolve entrar em contato com práticas culturais específicas e, pouco a pouco, compreender como as palavras são formadas e organizadas. Nesse percurso, jogos que convidam a criança a manipular sílabas, testar combinações e buscar palavras conhecidas podem favorecer reflexões importantes sobre a estrutura da língua escrita.

    Pensando em contribuir com esse processo de aprendizagem, eu hoje trouxe o jogo Vira Palavra, uma proposta simples que estimula a criança a formar palavras a partir das sílabas disponíveis no tabuleiro, mobilizando diferentes habilidades cognitivas e linguísticas.

    Algumas habilidades estimuladas:

    • Formação e reconhecimento de palavras;
    • flexibilidade cognitiva ao testar diferentes combinações de sílabas;
    • recuperação de palavras do repertório linguístico da criança;
    • atenção e agilidade de pensamento.

    Agora vamos ver como utilizar?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana.
    2. Na sua vez, a criança joga o dado. O número sorteado indica a quantidade de sílabas que deverá usar do tabuleiro para formar uma palavra, dentro de um tempo estipulado. Se possível, disponibilize uma ampulheta para marcar o tempo.
    3. Se conseguir formar a palavra, ganha uma estrela.
    4. As sílabas só podem ser utilizadas uma vez.
    5. Ganha o jogo quem primeiro conquistar 3 estrelas.

    Viu que jogo bacana? Ao tentar formar palavras dentro de um tempo determinado, a criança precisa observar as sílabas disponíveis, explorar combinações possíveis e recuperar palavras que já fazem parte de seu repertório. Assim, o jogo cria um contexto desafiador e ao mesmo tempo lúdico para pensar sobre a formação das palavras.

    Propostas simples como essa mostram que aprender a ler e a escrever também pode ser um momento de investigação e descoberta. Quando a criança é convidada a brincar com as palavras, observar suas partes e testar possibilidades, ela passa a se aproximar da língua escrita de forma mais ativa e significativa.

    É isso! Espero que o Vira Palavra possa contribuir com momentos de desafio, diversão e aprendizagem.

    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica

    DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Tradução de Leonor Scliar-Cabral. Porto Alegre: Penso, 2012.

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    É enviado por e-mail para você imprimir, montar e jogar.

  • Par Sonoro

    Par Sonoro

    O-lá!

    Toda palavra tem um som, um ritmo e uma forma de se mover na boca. Quando as crianças escutam, repetem e brincam com as palavras, elas estão descobrindo como a língua funciona. É nesse jogo entre o som e o sentido que começa a nascer a consciência fonológica, uma habilidade essencial para compreender que a fala pode ser representada pela escrita.

    Ao brincar com sílabas, rimas e sons iniciais, as crianças aprendem a perceber que as palavras são formadas por partes menores e que esses pedaços sonoros se organizam de maneira significativa. Essa percepção, construída de forma lúdica e espontânea, cria as bases para o desenvolvimento da leitura e da escrita.

    Como explica Artur Gomes de Morais (2022, p. 23):

    […] a escola pode direcionar a reflexão das crianças, ajudando-as, por exemplo, a ver que palavras que começam (ou terminam) de modo parecido quando falamos tendem a ser escritas com as mesmas letras. Não vemos ganho em deixar nossos alunos terem que descobrir isso sozinhos.

    E é justamente nessa direção que entra o olhar do educador e, de modo muito especial, o olhar do psicopedagogo. Afinal, algumas crianças precisam de um acompanhamento mais individualizado para desenvolver essa escuta atenta e compreender melhor a relação entre som e escrita.

    Pensando nisso, nasceu o jogo “Par Sonoro”. Um recurso lúdico que estimula a consciência fonológica por meio da brincadeira com sílabas, rimas e sons iniciais.

    Veja algumas habilidades estimuladas:

    • Consciência fonológica, envolvendo diferentes níveis, como: Consciência de aliteração, ao identificar palavras que começam com o mesmo som. Consciência de rima, ao perceber palavras que terminam de modo semelhante. Consciência de quantidade silábica, ao comparar e identificar palavras com o mesmo número de sílabas;
    • Percepção auditiva: ao discriminar sons semelhantes e diferentes nas palavras;
    • Atenção e concentração: ao ouvir atentamente para perceber o som inicial, final ou a estrutura sonora das palavras;
    • Memória de trabalho: ao reter informações sonoras para realizar as associações corretas;
    • Pensamento lógico e flexibilidade cognitiva: ao refletir sobre as relações entre fala e escrita e adaptar estratégias conforme o desafio;
    • Reconhecimento das correspondências entre sons e letras: passo fundamental no processo de alfabetização.Reconhecimento das correspondências entre sons e letras: passo fundamental no processo de alfabetização.

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro no centro da mesa e espalhe as cartas com as figuras viradas para baixo.
    2. Cada criança, na sua vez, joga o dado e avança com o seu peão até a próxima casa da mesma cor sorteada. Ao chegar, diz em voz alta o nome da figura indicada no tabuleiro e vira uma carta da mesa, seguindo a regra correspondente à cor da casa:
    • Casa rosa: deve procurar outra carta cujo nome comece com o mesmo som inicial da figura de referência (aliteração);
    • Casa amarela: deve procurar uma carta cujo nome rime com o nome da figura de referência;
    • Casa azul: deve procurar uma carta cujo nome tenha a mesma quantidade de sílabas da figura de referência.
    1. Se a criança virar uma carta que não forme o par sonoro esperado, ela retorna o peão para a casa em que estava antes da jogada.
    2. Ganha o jogo quem chegar ao final da trilha primeiro.

    Observação:
    O jogo pode ser realizado de forma totalmente oral ou, conforme o nível das crianças, incluir o registro escrito. À medida que os pares forem formados, as crianças podem escrever os nomes das figuras, favorecendo a reflexão sobre a relação entre som e escrita. Ah, o arquivo PDF com este jogo está gratuito na nossa loja. Bom demais, né?

    É isso! Ah, o arquivo PDF com este jogo está gratuitoooo! Gostou?

    Espero que o “Par Sonoro” desperte muitas descobertas, risadas e bons momentos de aprendizagem. Que ele contribua não apenas para desenvolver habilidades importantes, mas também para aproximar ainda mais as crianças do prazer de ouvir, pensar e brincar com os sons das palavras.

    Referência Bibliográfica:

    MORAIS, Artur Gomes de. Consciência fonológica na educação infantil e no ciclo de alfabetização. Belo Horizonte: Autêntica, 2022

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    • 15 cartas com figuras;
    • 01 tabuleiro;
    • 01 dado;
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  • Trilha das Vogais

    Trilha das Vogais

    O-lá!

    Quando a gente já sabe ler e escrever, parece tudo tão simples…
    A letra representa o som, o som vira palavra, a palavra vira texto. Pronto.

    Mas, para a criança, esse caminho não é nada óbvio.

    A nossa fala é contínua, rápida e automática. Quando conversamos, não pensamos: “Agora falei um som, depois outro, depois outro…” Nós pensamos no significado, na ideia, na emoção.

    Por isso, perceber que as palavras são formadas por pequenos sons é um grande desafio. Esses pequenos sons são chamados de fonemas. E a capacidade de percebê-los, identificá-los e separá-los recebe o nome de consciência fonêmica.

    As pesquisas mostram que muitas crianças não desenvolvem essa habilidade sozinhas. Sem uma mediação intencional, uma parte significativa delas encontra dificuldades para aprender a ler e escrever.

    Não é falta de esforço.
    Não é desinteresse.
    Não é falta de inteligência.
    É falta de oportunidade de olhar para a língua “por dentro”.

    A criança precisa aprender a ouvir o que antes passava despercebido. Ela precisa descobrir que “casa” tem partes sonoras, que “bola” começa com um som específico, que “mala” e “mapa” têm algo em comum. E isso se constrói aos poucos.

    Do simples ao complexo! Uma boa ideia é começar pelas vogais. Como já afirmava Maria Montessori:

    […] começamos pelas vogais, apresentando, em seguida, as consoantes […] (MONTESSORI, 1965, p. 198)

    Explico o motivo… Elas são:

    ✔ mais fáceis de perceber;
    ✔ mais presentes nas palavras;
    ✔ mais prolongáveis na fala;
    ✔ mais acessíveis para a criança ouvir e reproduzir.

    Quando trabalhamos as vogais, estamos abrindo a porta para que a criança comece a escutar os sons com atenção.

    Alfabetizar inclui ensinar a escutar.

    Muito antes de pedir que a criança escreva, leia ou copie, precisamos ajudá-la a desenvolver um olhar (e um ouvido) atento para a língua. E, quando respeitamos esse processo, a alfabetização deixa de ser um sofrimento e passa a ser uma construção segura, leve e possível.

    Pensando em tudo isso, hoje eu trago uma sugestão muito especial: o jogo Trilha das Vogais.

    Ele foi pensado justamente para contribuir com esse momento tão importante da alfabetização: ajudar a criança a perceber os sons das vogais e relacioná-los às palavras.

    Durante o jogo, a criança é convidada a:

    • Ouvir com atenção;
    • identificar o som inicial das palavras;
    • relacionar figuras, sons e letras;
    • refletir sobre as vogais de forma natural e divertida.

    Sem pressão.
    Sem excesso de cobrança.
    Com brincadeira, envolvimento e significado.

    Vamos ver como utilizar?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro sobre uma superfície plana e as cartas dentro de uma sacola.
    2. Cada criança, na sua vez, pega uma carta da sacola, diz com qual som inicia o nome da figura e, em seguida, coloca a carta na vogal correspondente.
    3. Após isso, anda com seu peão no tabuleiro a quantidade de casas que consta na carta.
    4. Ganha o jogo quem chegar ao final da trilha primeiro.

    💡 Dica

    Para contribuir na aprendizagem, peça que as crianças escrevam os nomes das figuras após o jogo. Pesquisas apontam a importância da escrita à mão para a aprendizagem, pois ela ativa áreas importantes do cérebro.

    É isso! Gostou do que viu por aqui?

    A Trilha das Vogais transforma o treino auditivo em experiência lúdica. E, aos poucos, aquilo que antes passava despercebido começa a fazer sentido. Porque, quando a criança aprende brincando, ela aprende de verdade.

    E nós, educadores e famílias, seguimos fazendo o melhor com o conhecimento que temos, oferecendo caminhos seguros para que cada criança construa sua relação com a leitura e a escrita no seu tempo.

    Vou ficando por aqui.
    Até o próximo post! 💛

    Referência Bibliográfica:

    MONTESSORI, Maria. Pedagogia científica. São Paulo: Flamboyant, 1965.

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo PDF contendo:

    • 25 cartas;
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  • Junta-junta

    Junta-junta

    O-lá!

    O ser humano nasce com uma organização cerebral única, dotada de uma plasticidade que lhe permite aprender, adaptar-se e criar. É essa mesma plasticidade que torna possível a aquisição da leitura e da escrita, conquistas que não são apenas habilidades escolares, mas portas de entrada para a cultura, para o pensamento crítico e para a vida em sociedade.

    […] um dos traços mais impressionantes do cérebro humano é que, desde as primeiras etapas de seu desenvolvimento e já no seio materno, sua organização funcional apresenta uma plasticidade excepcional que lhe permitirá adquirir a escrita.  (CHANGEUX, 2012, p. 10).

    A alfabetização, portanto, é um processo que se apoia tanto na base biológica quanto na dimensão cultural. Ensinar a ler e a escrever é reconhecer essa potência do cérebro humano e, ao mesmo tempo, oferecer à criança acesso ao que a humanidade construiu ao longo de gerações: símbolos, saberes, narrativas, tradições.

    No entanto, a criança precisa vivenciar situações significativas, em que a leitura e a escrita façam sentido em seu cotidiano. É nesse cenário que o jogo se torna um aliado: ao propor desafios de forma lúdica, ele desperta a curiosidade, favorece a atenção e cria vínculos positivos com a aprendizagem.

    Assim, cada palavra formada vai além do exercício escolar: representa também a conquista de quem se descobre capaz de criar, comunicar e compreender o mundo ao redor.

    Hoje eu trouxe como sugestão o jogo Junta-Junta, um recurso lúdico pensado para unir alfabetização e diversão, transformando sílabas em palavras de maneira criativa e envolvente.

    Habilidades estimuladas com este jogo:

    • Leitura e escrita: reconhecimento das estruturas das palavras.
    • Pensamento lógico:  organização de sílabas e busca de combinações significativas.
    • Atenção e concentração: foco necessário para relacionar dado, forma geométrica e sílabas.
    • Memória de trabalho: reter informações enquanto manipula possibilidades para formar palavras.
    • Aspectos lúdicos e motivacionais: aprendizagem associada ao brincar, fortalecendo o vínculo positivo com a alfabetização.

    Vamos ver como utilizar?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana e as cartas dentro de uma sacola.
    2. Se possível, disponibilize uma ampulheta ou um cronômetro para marcar o tempo.
    3. Cada criança, em sua vez, retira uma carta da sacola. Em seguida, dentro do tempo estipulado, deve procurar no tabuleiro as formas geométricas iguais (forma e cor). Com as sílabas encontradas, tenta montar uma palavra. Se conseguir, fica com a carta; caso contrário, devolve-a para a sacola.
    4. Vence quem conquistar o maior número de cartas.

    É isso! Gostou do que viu por aqui? Eu amo quando vocês me enviam feedback. Só assim fico sabendo se estou contribuindo com o meu trabalho, que é realizado sempre com muita responsabilidade e amor.

    Um abraço, e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Prefácio de Jean-Pierre Changeux. Porto Alegre: Penso, 2012.

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo PDF contendo:

    • 24 fichas;
    • 01 tabuleiro;
    • 01 embalagem;
    • instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar 🙂

    Talvez você queira saber:

    1) Este recurso pode ser utilizado em atendimentos psicopedagógicos individuais?

    Sim! O Junta-Junta é um excelente recurso para atendimentos individuais ou em pequenos grupos. Ele permite observar como a criança pensa, organiza, testa hipóteses e lida com o erro.
    Durante o jogo, o psicopedagogo pode identificar estratégias cognitivas, dificuldades específicas e avanços sutis, além de trabalhar atenção, memória de trabalho e linguagem oral de maneira natural e prazerosa.
    Por unir o lúdico ao cognitivo, o jogo se torna um espaço seguro para aprender sem a pressão de “acertar”.

    2. O que fazer quando a criança forma uma palavra inexistente ou sem sentido?

    Esses momentos são oportunidades riquíssimas de aprendizagem! Em vez de corrigir de imediato, o ideal é conversar sobre a produção da criança: perguntar o que ela quis dizer, se a palavra soa parecida com alguma conhecida ou se ela acha que poderia ajustá-la para fazer sentido.
    Esse tipo de diálogo estimula a oralidade e a argumentação. Muitas vezes, o próprio grupo acaba sugerindo modificações, transformando o que parecia um “erro” em uma descoberta coletiva sobre o funcionamento da língua.

  • Misturinha de Sons

    Misturinha de Sons

    O-lá!

    Quando as crianças chegam à pré-escola, muitas já demonstram grande domínio da linguagem oral. Falam com fluência, usam estruturas gramaticais complexas e conseguem se comunicar com clareza nas mais diversas situações do cotidiano (ou, pelo menos, deveriam). No entanto, ao iniciar o processo de alfabetização, é comum que encontrem dificuldades que não estavam presentes na linguagem falada.

    Isso acontece porque a leitura e a escrita exigem mais do que saber falar bem. Elas envolvem a habilidade de refletir conscientemente sobre os sons da fala, identificar as unidades menores que compõem as palavras e compreender como esses sons se combinam. Essa habilidade recebe o nome de consciência fonológica.

    Segundo Adams et al. (2006, p. 31):

    Sendo assim, apesar das suas habilidades impressionantes para falar e para ouvir, elas geralmente não têm qualquer compreensão consciente e reflexivo das partes das palavras ou de como elas se combinam e se organizam na linguagem oral.

    Ou seja, embora a criança compreenda e produza a linguagem de forma funcional, ela ainda não desenvolveu a capacidade de analisar os sons de maneira intencional — algo fundamental para aprender a ler e escrever.

    Desenvolver a consciência fonológica significa ajudar a criança a perceber, por exemplo, que a palavra cavalo começa com o som /k/, que ela é composta por três sílabas (ca-va-lo), e que o final de pato rima com gato. Essa percepção é essencial para estabelecer a ponte entre a linguagem oral e a linguagem escrita.

    Jogos e brincadeiras podem ser utilizados para fortalecer essa habilidade de forma lúdica e eficaz. Quanto mais desenvolvida estiver a consciência fonológica, maiores são as chances de a criança ter sucesso no processo de alfabetização.

    Hoje eu trouxe como sugestão o jogo: Misturinha de Sons, justamente com o intuito de contribuir no desenvolvimento da consciência fonológica. Vamos ver como utilizar?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro sobre uma superfície plana e deixe as cartas organizadas em uma pilha.
    2. A criança sorteia uma carta, e o primeiro desafio é localizar, no tabuleiro, as figuras indicadas pelos códigos (como A2, C3, E4…). Cada código é formado por uma letra e um número: a letra indica a coluna e o número corresponde à linha do tabuleiro. Ao cruzar essas informações, a criança encontra a figura que precisa usar.
    3. Abaixo de cada código há um conjunto de círculos — e apenas um deles está preenchido. Esse detalhe indica qual parte do nome da figura deve ser utilizada: o início, o meio ou o final da palavra.
    4. Depois de identificar as partes indicadas, a criança deve combiná-las para formar uma nova palavra.
    5. O jogo pode ser realizado de forma totalmente oral, com foco exclusivo na consciência fonológica. Mas, se preferir, também é possível utilizar fichas de EVA ou letras móveis para que a criança registre a palavra formada — ampliando o trabalho com leitura e escrita.

    Bacana, né?

    “Misturinha de Sons” é daquelas propostas simples, mas cheias de possibilidades. Além de estimular a percepção dos sons das palavras, o jogo convida a criança a pensar, comparar, combinar e descobrir — tudo isso enquanto se diverte.

    Uma ótima pedida para quem busca desenvolver a consciência fonológica de forma criativa, afetiva e significativa.

    Experimente e depois me conta como foi a experiência por aí!

    Referência Bibliográfica:

    ADAMS, Marilyn Jager; et al. Consciência fonológica: em crianças pequenas. Porto Alegre: Artmed, 2006.

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    Talvez você queira saber:

    1. A partir de que idade o jogo Misturinha de Sons pode ser utilizado?
    O jogo pode ser utilizado, em média, a partir dos 5 anos de idade — ou sempre que a criança já demonstrar interesse por sons, rimas e brincadeiras com palavras.

    2. Pode ser usado em contextos de reforço escolar ou intervenção psicopedagógica?
    Sim, o Misturinha de Sons é uma excelente ferramenta tanto para o reforço escolar quanto para o atendimento psicopedagógico. Ele permite trabalhar de forma lúdica habilidades importantes para a leitura e escrita.

  • Letra por Letra

    Letra por Letra

    O-lá!

    Aprender o sistema de escrita — compreender como as letras representam os sons da fala, como se organizam nas palavras e como essas palavras ganham sentido — é uma conquista central no processo de alfabetização. Mais do que uma habilidade isolada, trata-se de uma aprendizagem que sustenta e impulsiona outras tantas. Como nos lembra Tolchinsky (2003: xxiii), citada por Soares (2016, p. 36):

    […] aprender o sistema de escrita é apenas um fio na teia de conhecimentos pragmáticos e gramaticais que as crianças precisam dominar a fim de tornarem-se competentes no uso da escrita, mas é uma aprendizagem imperativa, e promove as outras.

    Ou seja: dominar o sistema alfabético-ortográfico não esgota o processo de alfabetização, mas é um passo imprescindível, que sustenta e impulsiona o desenvolvimento das demais competências que envolvem o uso pleno e competente da linguagem escrita — como a compreensão textual, a produção de textos, o uso adequado da linguagem em diferentes contextos comunicativos e a reflexão sobre o funcionamento da própria língua.

    Pensando nisso, o jogo Letra por Letra foi desenvolvido justamente para estimular essa interação entre o conhecimento do sistema de escrita e o desenvolvimento da autonomia na escrita de palavras.

    Um detalhe: O fato de haver a quantidade de quadros correspondente ao número de letras necessárias para escrever o nome da figura em destaque já serve de pista para a criança. Isso é especialmente relevante para aquelas que estejam apresentando hipótese de escrita silábica, pois, ao escrever, poderão perceber de imediato que faltaram letras. Essa constatação desestabiliza sua hipótese de escrita, instigando a criança a afinar e apurar sua escuta aos sons da palavra. Dessa forma, o jogo também estimula a consciência fonêmica. Vamos ver como utilizar o jogo?

    Sugestão de Uso:

    1. Deixe a criança escrever o nome da figura utilizando as fichas de letras.

    2. Em seguida, ela pode levantar a aba que está com “?” para verificar se escreveu corretamente. Assim, além de exercitar a formação de palavras, a criança tem a oportunidade de comparar sua hipótese de escrita com a grafia convencional, refletindo e ajustando seu conhecimento.

    Gostou?

    Letra por Letra propõe uma atividade de escrita ativa, reflexiva e autônoma, respeitando o processo de construção da linguagem escrita de cada criança. Eu amo jogos assim! E você?

    Um abraço e até o próximo post.

    Referência Bibliográfica:

    SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016.

     

    VALOR PROMOCIONAL DE LANÇAMENTO SOMENTE HOJE, 02/07/2025

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    Talvez você queira saber:

    1) O Letra por Letra pode ser utilizado em atendimentos psicopedagógicos individualizados?

    Sim. O jogo é um excelente recurso para o trabalho psicopedagógico individual, pois permite observar de forma lúdica e concreta o modo como a criança está organizando o conhecimento da escrita e mediar o processo de construção da escrita de forma mais assertiva.

    2) Ele também pode ser usado como um instrumento de avaliação diagnóstica do nível de escrita da criança?

    O Letra por Letra pode fornecer indícios valiosos sobre as hipóteses de escrita da criança, já que permite observar como ela organiza os sons e as letras ao tentar escrever. No entanto, como o próprio jogo oferece pistas visuais (a quantidade de quadros indica o número de letras da palavra), essas pistas acabam, de certa forma, mediando a produção da criança e podem influenciar suas escolhas. Por isso, o jogo pode auxiliar na observação e no acompanhamento do desenvolvimento, mas não substitui avaliações diagnósticas mais formais, nas quais a criança escreve livremente, sem apoios visuais.

    3) Qual o papel do adulto durante a atividade? Deve orientar ou deixar a criança explorar sozinha?

    O papel do adulto é de mediador. Inicialmente, pode ser necessário apresentar a dinâmica, esclarecer o funcionamento do jogo e modelar o raciocínio. Conforme a criança se familiariza com a proposta, o ideal é que ela tenha espaço para experimentar e testar suas hipóteses. Quando necessário, o adulto pode intervir com perguntas ou estratégias que favoreçam a reflexão, sem oferecer respostas prontas.

    Por exemplo: se a criança escreve AIA para representar SAIA, o adulto pode alongar os sons:
    “Vamos falar devagar: SSSSS-AAAAA-IIIII-AAA… Qual som você ouviu primeiro?”
    Essa mediação apoia a percepção auditiva dos sons da palavra e ajuda a criança a segmentar com mais precisão, favorecendo o avanço nas hipóteses de escrita e o desenvolvimento da consciência fonêmica.