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  • Par Sonoro

    Par Sonoro

    O-lá!

    Toda palavra tem um som, um ritmo e uma forma de se mover na boca. Quando as crianças escutam, repetem e brincam com as palavras, elas estão descobrindo como a língua funciona. É nesse jogo entre o som e o sentido que começa a nascer a consciência fonológica, uma habilidade essencial para compreender que a fala pode ser representada pela escrita.

    Ao brincar com sílabas, rimas e sons iniciais, as crianças aprendem a perceber que as palavras são formadas por partes menores e que esses pedaços sonoros se organizam de maneira significativa. Essa percepção, construída de forma lúdica e espontânea, cria as bases para o desenvolvimento da leitura e da escrita.

    Como explica Artur Gomes de Morais (2022, p. 23):

    […] a escola pode direcionar a reflexão das crianças, ajudando-as, por exemplo, a ver que palavras que começam (ou terminam) de modo parecido quando falamos tendem a ser escritas com as mesmas letras. Não vemos ganho em deixar nossos alunos terem que descobrir isso sozinhos.

    E é justamente nessa direção que entra o olhar do educador e, de modo muito especial, o olhar do psicopedagogo. Afinal, algumas crianças precisam de um acompanhamento mais individualizado para desenvolver essa escuta atenta e compreender melhor a relação entre som e escrita.

    Pensando nisso, nasceu o jogo “Par Sonoro”. Um recurso lúdico que estimula a consciência fonológica por meio da brincadeira com sílabas, rimas e sons iniciais.

    Veja algumas habilidades estimuladas:

    • Consciência fonológica, envolvendo diferentes níveis, como: Consciência de aliteração, ao identificar palavras que começam com o mesmo som. Consciência de rima, ao perceber palavras que terminam de modo semelhante. Consciência de quantidade silábica, ao comparar e identificar palavras com o mesmo número de sílabas;
    • Percepção auditiva: ao discriminar sons semelhantes e diferentes nas palavras;
    • Atenção e concentração: ao ouvir atentamente para perceber o som inicial, final ou a estrutura sonora das palavras;
    • Memória de trabalho: ao reter informações sonoras para realizar as associações corretas;
    • Pensamento lógico e flexibilidade cognitiva: ao refletir sobre as relações entre fala e escrita e adaptar estratégias conforme o desafio;
    • Reconhecimento das correspondências entre sons e letras: passo fundamental no processo de alfabetização.Reconhecimento das correspondências entre sons e letras: passo fundamental no processo de alfabetização.

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro no centro da mesa e espalhe as cartas com as figuras viradas para baixo.
    2. Cada criança, na sua vez, joga o dado e avança com o seu peão até a próxima casa da mesma cor sorteada. Ao chegar, diz em voz alta o nome da figura indicada no tabuleiro e vira uma carta da mesa, seguindo a regra correspondente à cor da casa:
    • Casa rosa: deve procurar outra carta cujo nome comece com o mesmo som inicial da figura de referência (aliteração);
    • Casa amarela: deve procurar uma carta cujo nome rime com o nome da figura de referência;
    • Casa azul: deve procurar uma carta cujo nome tenha a mesma quantidade de sílabas da figura de referência.
    1. Se a criança virar uma carta que não forme o par sonoro esperado, ela retorna o peão para a casa em que estava antes da jogada.
    2. Ganha o jogo quem chegar ao final da trilha primeiro.

    Observação:
    O jogo pode ser realizado de forma totalmente oral ou, conforme o nível das crianças, incluir o registro escrito. À medida que os pares forem formados, as crianças podem escrever os nomes das figuras, favorecendo a reflexão sobre a relação entre som e escrita. Ah, o arquivo PDF com este jogo está gratuito na nossa loja. Bom demais, né?

    É isso! Ah, o arquivo PDF com este jogo está gratuitoooo! Gostou?

    Espero que o “Par Sonoro” desperte muitas descobertas, risadas e bons momentos de aprendizagem. Que ele contribua não apenas para desenvolver habilidades importantes, mas também para aproximar ainda mais as crianças do prazer de ouvir, pensar e brincar com os sons das palavras.

    Referência Bibliográfica:

    MORAIS, Artur Gomes de. Consciência fonológica na educação infantil e no ciclo de alfabetização. Belo Horizonte: Autêntica, 2022

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    • 15 cartas com figuras;
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  • Vamos às Compras

    Vamos às Compras

    O-lá!

    O modo como a criança aprende faz toda a diferença no que ela aprende e, principalmente, no que ela leva para a vida. Quando o processo educativo valoriza a participação ativa, a curiosidade e a construção de sentidos, a aprendizagem se torna mais profunda, consistente e significativa. É nesse cenário que os jogos pedagógicos ganham destaque.

    Ao participar de uma situação de jogo mediada por um profissional, a criança é convidada a pensar, tomar decisões, testar hipóteses, organizar estratégias e comunicar suas ideias. Ela aprende enquanto interage, observa, erra, tenta novamente e reflete sobre suas ações. Assim, o jogo se transforma em um espaço potente de desenvolvimento cognitivo, social e emocional.

    Como afirmam Macedo, Peti e Passos:

    Num primeiro momento, essa ação é física, concreta e visualmente constatável, envolve o movimento e manipulação. Na medida em que a criança se desenvolve, passa a ser capaz de estabelecer relações, ou seja, sua ação não se reduz aos objetos em si, mas pode ser mentalmente executada. Em outras palavras, a ação não se subordina aos objetos concretos, vai além deles, porque agora a criança é capaz de pensar, levantar hipóteses, interpretar e criar. (MACEDO; PETI; PASSOS, 2000, p. 23)

    Essa perspectiva nos ajuda a compreender por que o jogo é tão potente no contexto educativo: ele parte da ação concreta, da manipulação e da experimentação, mas favorece também a construção de relações mentais cada vez mais elaboradas.

    Na alfabetização, os jogos favorecem o reconhecimento de letras, sílabas, palavras, sons e estruturas da língua de forma significativa. A criança lê, escreve, compara, formula hipóteses e amplia seu vocabulário ao se envolver com os desafios propostos. Já na alfabetização matemática, os jogos estimulam a compreensão dos números, das quantidades, das operações, das relações espaciais e do pensamento lógico, sempre conectados a situações concretas e contextualizadas.

    Hoje eu trouxe um jogo que une alfabetização linguística e matemática. A criança é desafiada a ler, selecionar informações e resolver cálculos dentro de uma situação concreta e significativa.

    Algumas das habilidades estimuladas:

    • Leitura e reconhecimento de palavras, ao identificar os itens da lista de compras;
    • atenção e concentração, ao acompanhar as jogadas e observar as oportunidades;
    • cálculo e compreensão de quantidades, ao somar o valor total das compras;
    • relação entre número e valor monetário, ao associar preços às quantidades e representá-los com cédulas e moedas.

    Sugestão de uso:

    1. Entregue um tabuleiro e uma ficha com a lista de compras para cada criança.
    2. Coloque as fichas com imagens dos produtos em uma pilha, viradas para baixo.
    3. Na sua vez, cada criança vira uma ficha da pilha. Se o produto sorteado estiver na sua lista, ela coloca a ficha no seu tabuleiro. Caso contrário, descarta na mesa. O próximo jogador poderá virar uma nova ficha da pilha ou pegar uma das fichas descartadas.
    4. Ganha o jogo quem completar primeiro a sua lista de compras ou, considerando que há apenas uma ficha de cada produto, quem conseguir “comprar” o maior número de itens da sua lista.
    5. Após o jogo, convide as crianças a calcularem o valor total da sua lista de compras. Se possível, utilize dinheiro fictício, com cédulas e moedas de brinquedo, para que representem esse valor.

    Assim, brincar de “ir às compras” se transforma em uma experiência rica de aprendizagem, integrando linguagem e matemática de forma contextualizada, significativa e funcional.

    Gostou do que viu por aqui? Que tal deixar um comentário no espaço abaixo? Vou amar!

    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:
    MACEDO, Lino de; Petty, Ana Lúcia Sicoli; PASSOS, Norimar Christe. Aprender com jogos e situações-problema. Porto Alegre: Artmed, 2000.

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  • Trilha das Vogais

    Trilha das Vogais

    O-lá!

    Quando a gente já sabe ler e escrever, parece tudo tão simples…
    A letra representa o som, o som vira palavra, a palavra vira texto. Pronto.

    Mas, para a criança, esse caminho não é nada óbvio.

    A nossa fala é contínua, rápida e automática. Quando conversamos, não pensamos: “Agora falei um som, depois outro, depois outro…” Nós pensamos no significado, na ideia, na emoção.

    Por isso, perceber que as palavras são formadas por pequenos sons é um grande desafio. Esses pequenos sons são chamados de fonemas. E a capacidade de percebê-los, identificá-los e separá-los recebe o nome de consciência fonêmica.

    As pesquisas mostram que muitas crianças não desenvolvem essa habilidade sozinhas. Sem uma mediação intencional, uma parte significativa delas encontra dificuldades para aprender a ler e escrever.

    Não é falta de esforço.
    Não é desinteresse.
    Não é falta de inteligência.
    É falta de oportunidade de olhar para a língua “por dentro”.

    A criança precisa aprender a ouvir o que antes passava despercebido. Ela precisa descobrir que “casa” tem partes sonoras, que “bola” começa com um som específico, que “mala” e “mapa” têm algo em comum. E isso se constrói aos poucos.

    Do simples ao complexo! Uma boa ideia é começar pelas vogais. Como já afirmava Maria Montessori:

    […] começamos pelas vogais, apresentando, em seguida, as consoantes […] (MONTESSORI, 1965, p. 198)

    Explico o motivo… Elas são:

    ✔ mais fáceis de perceber;
    ✔ mais presentes nas palavras;
    ✔ mais prolongáveis na fala;
    ✔ mais acessíveis para a criança ouvir e reproduzir.

    Quando trabalhamos as vogais, estamos abrindo a porta para que a criança comece a escutar os sons com atenção.

    Alfabetizar inclui ensinar a escutar.

    Muito antes de pedir que a criança escreva, leia ou copie, precisamos ajudá-la a desenvolver um olhar (e um ouvido) atento para a língua. E, quando respeitamos esse processo, a alfabetização deixa de ser um sofrimento e passa a ser uma construção segura, leve e possível.

    Pensando em tudo isso, hoje eu trago uma sugestão muito especial: o jogo Trilha das Vogais.

    Ele foi pensado justamente para contribuir com esse momento tão importante da alfabetização: ajudar a criança a perceber os sons das vogais e relacioná-los às palavras.

    Durante o jogo, a criança é convidada a:

    • Ouvir com atenção;
    • identificar o som inicial das palavras;
    • relacionar figuras, sons e letras;
    • refletir sobre as vogais de forma natural e divertida.

    Sem pressão.
    Sem excesso de cobrança.
    Com brincadeira, envolvimento e significado.

    Vamos ver como utilizar?

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro sobre uma superfície plana e as cartas dentro de uma sacola.
    2. Cada criança, na sua vez, pega uma carta da sacola, diz com qual som inicia o nome da figura e, em seguida, coloca a carta na vogal correspondente.
    3. Após isso, anda com seu peão no tabuleiro a quantidade de casas que consta na carta.
    4. Ganha o jogo quem chegar ao final da trilha primeiro.

    💡 Dica

    Para contribuir na aprendizagem, peça que as crianças escrevam os nomes das figuras após o jogo. Pesquisas apontam a importância da escrita à mão para a aprendizagem, pois ela ativa áreas importantes do cérebro.

    É isso! Gostou do que viu por aqui?

    A Trilha das Vogais transforma o treino auditivo em experiência lúdica. E, aos poucos, aquilo que antes passava despercebido começa a fazer sentido. Porque, quando a criança aprende brincando, ela aprende de verdade.

    E nós, educadores e famílias, seguimos fazendo o melhor com o conhecimento que temos, oferecendo caminhos seguros para que cada criança construa sua relação com a leitura e a escrita no seu tempo.

    Vou ficando por aqui.
    Até o próximo post! 💛

    Referência Bibliográfica:

    MONTESSORI, Maria. Pedagogia científica. São Paulo: Flamboyant, 1965.

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    • 25 cartas;
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  • Marque as Sílabas

    Marque as Sílabas

    O-lá!

    Durante muito tempo, o ensino da leitura esteve apoiado na ideia de que a criança aprenderia a ler reconhecendo palavras como um todo. No entanto, os avanços das pesquisas sobre o funcionamento do cérebro nos convidam a rever essa concepção.

    No início do processo de alfabetização, aprender a ler envolve perceber unidades menores, como sílabas e fonemas, e compreender como elas se organizam para formar palavras com sentido. Nesse processo, o cérebro analisa, segmenta, compara e relaciona sons e grafias.

    Ou seja, o que parece “global” no leitor fluente é, na verdade, o resultado de um sistema treinado e automatizado, mas fundado em unidades menores.

    Stanislas Dehaene explica isso de forma muito clara quando afirma:

    As particularidades do sistema visual dos primatas, que começa a se tornar bem conhecido, explicam por que as operações que nosso cérebro realiza não têm nada em comum com o reconhecimento “global”, da forma das palavras. (DEHAENE, 2012)

    É justamente nesse ponto que propostas como o jogo Marque as Sílabas ganham intenção pedagógica. Ao observar uma figura e refletir sobre quais sílabas são necessárias para formar seu nome, a criança é convidada a pensar sobre a estrutura da palavra, e não apenas a “adivinhar” sua escrita.

    Marcar as sílabas corretas exige atenção, análise dos sons, comparação visual e tomada de decisão. Quando essa experiência é ampliada com o registro da palavra em um caderno, a criança fortalece ainda mais a relação entre o que ouve, o que vê e o que escreve.

    Durante o jogo, são estimuladas habilidades como:

    • percepção auditiva;
    • atenção e concentração;
    • análise e segmentação das palavras;
    • relação entre fonema e grafema;
    • tomada de decisão e autonomia.

    Muito bem! Agora vamos ver como utilizar o jogo?

    Sugestão de uso:

    A criança analisa as sílabas disponíveis ao redor da imagem e marca aquelas que formam o nome correto da figura, utilizando clips ou marcadores.

    Para ampliar a aprendizagem, você pode sugerir que ela registre a palavra formada em um caderno, fortalecendo a relação entre o som e a escrita.

    É a partir de experiências como essas que fica evidente: alfabetizar não é acelerar respostas prontas, mas criar situações em que a criança possa pensar sobre a língua, experimentar, errar, ajustar e construir hipóteses. Jogos bem planejados não substituem o ensino, mas tornam esse processo mais significativo, consciente e respeitoso com a forma como o cérebro aprende a ler.

    É isso! Gostou do que viu por aqui?

    Referência Bibliográfica:

    DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Tradução de Leonor Scliar-Cabral. Porto Alegre: Penso, 2012.

     

     

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    • 30 cartas;
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  • Disco das Emoções

    Disco das Emoções

    O-lá!

    Falar em desenvolvimento integral da criança é reconhecer que aprender vai muito além de letras e números. Envolve também compreender emoções, lidar com frustrações, reconhecer sentimentos em si e nos outros e construir relações saudáveis. Nesse sentido, o estímulo da inteligência emocional desde a infância tem um papel essencial.

    Celso Antunes destaca a relevância dos primeiros anos de vida ao afirmar:

    Os cinco primeiros anos de vida de um ser humano são fundamentais para o desenvolvimento de suas inteligências. […]
    (ANTUNES, 2003, p. 15)

    Embora a inteligência emocional, assim como outras competências,  possa ser desenvolvida e aprimorada ao longo de toda a vida, é na primeira infância que se constroem bases importantes. É nesse período que a criança começa a nomear emoções, perceber reações corporais, experimentar sentimentos diversos e aprender, pouco a pouco, a expressá-los e regulá-los.

    Estimular a inteligência emocional não significa evitar conflitos ou emoções difíceis, mas sim criar espaços seguros para que a criança possa vivenciá-los, compreendê-los e falar sobre eles. Jogos, rodas de conversa, brincadeiras simbólicas e propostas lúdicas são recursos potentes para esse trabalho, pois permitem que a criança se expresse de forma natural e significativa.

    Ao favorecer o desenvolvimento emocional, contribuímos também para outras dimensões do desenvolvimento infantil: social, cognitiva e até acadêmica. Crianças que aprendem a reconhecer e respeitar emoções tendem a estabelecer vínculos mais positivos, comunicar-se melhor e enfrentar desafios com mais segurança.

    E que tal já começarmos o ano letivo estimulando a inteligência emocional das nossas crianças? O jogo “Disco das Emoções”, que eu trouxe hoje como sugestão, estimula estas habilidades:

    • Reconhecimento e nomeação das emoções;
    • Expressão de sentimentos;
    • Escuta e empatia;
    • Autorregulação emocional;
    • Comunicação oral;
    • Respeito ao sentimento do outro;
    • Fortalecimento de vínculos sociais.

    Gostou? Vamos ver como utilizar?

    Sugestão de uso:

    • A criança gira o disco e sinaliza a emoção que mais representa como está se sentindo naquele dia, abrindo espaço para escuta, troca e fortalecimento dos vínculos no grupo.

    Esse momento favorece o reconhecimento das próprias emoções, o respeito ao sentimento do outro e contribui para um retorno às aulas mais leve e acolhedor.

    Para finalizar, investir no estímulo da inteligência emocional desde cedo é cuidar da criança como um todo. Mesmo sabendo que sempre há espaço para aprender e evoluir ao longo da vida, oferecer experiências significativas nos primeiros anos é uma forma de fortalecer caminhos importantes para o presente e para o futuro.

    Bora começar bem este ano letivo? O arquivo PDF com o “Disco das Emoções” está gratuito. Gostou?

    Um abraço, e até o próximo post.

    Referência Bibliográfica

    ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

     

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    • 01 disco;
    • instruções de montagem e uso.
  • Deu Frase

    Deu Frase

    O-lá!

    Os jogos são recursos potentes no processo de ensino e aprendizagem. Quando bem escolhidos e intencionalmente utilizados, eles despertam o interesse, promovem envolvimento e criam situações que exigem da criança observação, tomada de decisão, antecipação, argumentação e reflexão. A ludicidade, portanto, não é apenas um atrativo: é uma aliada no desenvolvimento cognitivo, emocional e social.

    No entanto, para que o jogo cumpra seu papel educativo, é essencial que o professor vá além do momento lúdico. A escolha do jogo deve estar alinhada aos objetivos pedagógicos e às necessidades do grupo. Um mesmo jogo pode exigir mediações diferentes a depender do nível de compreensão, das hipóteses de escrita ou das características individuais das crianças. Como lembram Artur Gomes de Morais e Tarciana Pereira da Silva Almeida (2022, p. 149):

    Sim, é preciso que você esteja sempre atenta/o para ajustar o emprego dos jogos às necessidades dos seus alunos e às circunstâncias do funcionamento da aula, da turma, no cotidiano escolar. […]

    Essa atenção à mediação é o que transforma o jogo em ferramenta de aprendizagem significativa. Jogar, por si só, não garante avanço. O que realmente faz diferença é a forma como o professor observa, questiona, orienta e amplia as possibilidades de reflexão durante e após a atividade.

    Outro aspecto fundamental é o registro. Após o jogo, é importante avaliar o que a criança aprendeu, quais estratégias utilizou, de que maneira evoluiu e que novas intervenções podem ser planejadas. Esse acompanhamento dá sentido à prática.

    Em síntese, o jogo é um meio. Um meio prazeroso, potente e cheio de possibilidades, mas que ganha verdadeiro valor educativo quando o professor o utiliza de forma intencional, reflexiva e sensível às singularidades de cada criança.

    Hoje eu trouxe o jogo “Deu Frase!”. Uma maneira lúdica de estimular a construção de frases. Veja abaixo algumas habilidades estimuladas com o jogo.

    Habilidades estimuladas:

    • Construção de frases;
    • compreensão da estrutura sujeito–verbo–complemento;
    • ampliação do vocabulário;
    • leitura e escrita de palavras;
    • desenvolvimento do pensamento lógico e da coerência textual;
    • criatividade e expressão escrita;
    • atenção e concentração;
    • interação e troca com os colegas.

    Gostou? Está alinhado ao que você busca desenvolver nas crianças? Então, bora ver como utilizar?

    Sugestão de uso:

    1. Organize três pilhas de cartas: uma de personagens, outra de verbos e outra de complementos.
    2. A criança escolhe uma carta de cada pilha de modo que, juntas, formem uma frase coerente.
    3. Depois de algumas rodadas, proponha um novo desafio: registrar no caderno a frase de que mais gostou e, a partir dela, criar uma pequena história.

    É isso, gostou do que viu por aqui? Brincar é maravilhoso, mas ensinar por meio do brincar é ainda mais. Que cada jogo seja também uma ponte para o aprendizado, para o encantamento e para o desenvolvimento de cada criança que cruza o nosso caminho.

    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    MORAIS, Artur Gomes de. Jogos para ensinar ortografia: ludicidade e reflexão. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo PDF contendo:

    • 81 fichas (27 personagens, 27 verbos, 27 complementos);
    • 03 embalagens;
    • instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar!

    Talvez você queira saber:

    1. O jogo “Deu Frase!” pode ser utilizado em qual fase da alfabetização?

    É especialmente indicado para aquelas que estão avançando da hipótese silábica para a silábico-alfabética e alfabética, pois permite observar como as palavras se organizam para formar um enunciado com sentido. A atividade favorece tanto o reconhecimento da estrutura sujeito–verbo–complemento quanto o desenvolvimento da escrita espontânea e da coerência textual.

    2. Como o jogo pode auxiliar crianças que apresentam dificuldade na produção de frases?

    Para crianças que ainda têm dificuldade em produzir frases completas, o jogo funciona como um apoio visual e estruturador. Ao ver as palavras distribuídas em categorias (personagem, verbo e complemento), a criança consegue compreender melhor a lógica da organização da frase e passa a experimentar combinações de forma mais autônoma e segura. Além disso, o caráter lúdico reduz a ansiedade e cria um ambiente favorável à aprendizagem, permitindo que o professor observe e intervenha de maneira mais sensível às necessidades de cada uma.

    3. De que maneira o professor pode tornar a atividade mais desafiadora para as crianças que já dominam a construção de frases simples?

    Para ampliar o desafio, o professor pode propor a reescrita, modificando tempos verbais, pronomes ou complementos, o que favorece a consciência sintática e amplia o repertório linguístico. Essas variações mantêm o interesse das crianças, estimulam a criatividade e aprofundam o aprendizado da estrutura da língua.

  • Quebra-cabeça de Palavras

    Quebra-cabeça de Palavras

    O-lá!

    A alfabetização é um processo que acontece no papel, mas começa dentro do cérebro do aprendiz. Cada avanço na leitura e na escrita depende de redes neurais que vão se formando, amadurecendo e se conectando a todo momento.

    Por isso, compreender como o cérebro se desenvolve é fundamental para quem ensina. Esse conhecimento ajuda o educador a respeitar o ritmo de cada criança e a perceber que alguns desafios da alfabetização não se resolvem apenas com treino, mas com tempo e maturação neurológica.

    Conforme Rudimar dos Santos Riesgo (2006, p. 39):

    Para o domínio da anatomia da aprendizagem, é necessário o conhecimento das bases celulares, da neurobiologia e também o entendimento dos aspectos maturacionais do cérebro das crianças, à medida que crescem, se desenvolvem e aprendem.

    Conhecer o funcionamento do cérebro infantil é, portanto, um ato pedagógico. É o que permite transformar o “não consegue ainda” em “vai conseguir”.

    Hoje eu trouxe como sugestão o jogo “Quebra-cabeça de Palavras” com o intuito de contribuir nesse processo.

    Vamos ver as habilidades estimuladas?

    • Percepção visual e atenção aos detalhes;
    • associação entre letras e sons;
    • leitura e escrita de palavras;
    • consciência fonêmica;
    • coordenação motora fina;
    • memória visual.

    Sugestão de uso:

    1. Embaralhe e espalhe as peças dos quebra-cabeças sobre a mesa.
    2. A criança escolhe uma peça e precisa encontrar a outra que a completa.
    3. Depois de montar a figura, oriente-a a observar as letras e os sons que formam o nome da figura. Assim, ela faz a correspondência entre o que vê (letra) e o que ouve (som).
    4. Convide-a a modelar as letras da palavra com massinha de modelar, reforçando o aprendizado pelo movimento e pelo tato.
    5. Em seguida, entregue uma ficha com a mesma figura, mas sem a palavra escrita.
    6. A criança deve escrever o nome da figura sem olhar o quebra-cabeça.
    7. Quando terminar, mostre novamente a figura montada para que compare e confira o resultado, um momento importante de autonomia e autocorreção.

    É isso! Quando o educador compreende os caminhos do cérebro em desenvolvimento, ele não ensina apenas a ler e escrever. Ensina respeitando o tempo maturacional de cada criança. Isso não significa deixar de estimular, mas sim reconhecer e acolher o ritmo de um cérebro que ainda está se formando. Todo jogo precisa ter um desafio, mas um desafio possível, que incentive e ensine com alegria.

    Gostou do que viu por aqui?

    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    RIESGO, Rudimar dos Santos. Anatomia da aprendizagem. In: ROTTA, Newra Tellechea; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.

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    • 30 figuras para montar;
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    GRATUITO ATÉ 12/11/25 em comemoração ao Dia do Psicopedagogo. Aproveiteeee!!!

  • Caça-palavras Gigante

    Caça-palavras Gigante

    O-lá!

    Aprender a ler e a escrever é uma construção complexa, que envolve experiências significativas com a linguagem, a percepção dos sons e a familiarização com o sistema alfabético de forma lúdica e prazerosa.

    Como afirma Ana Albuquerque (2022, p. 79):

    Não se trata de ensinar as crianças a ler ou a escrever de uma forma formal e rigorosa, mas sim de promover o desenvolvimento de habilidades básicas de leitura e escrita, isto é, planejar atividades impulsionadoras da aprendizagem.[…]

    Essa perspectiva nos convida a repensar as práticas de ensino, priorizando experiências que despertem o interesse e favoreçam o desenvolvimento de habilidades que antecedem e sustentam a alfabetização.

    Pensando nisso, trouxe como sugestão o jogo “Quebra-Cabeça Gigante”.

    Habilidades estimuladas com o jogo:

    • Percepção visual;
    • atenção e concentração;
    • reconhecimento de letras e associação entre som e grafema;
    • desenvolvimento da consciência fonêmica;
    • pensamento lógico;
    • velocidade de processamento;
    • interesse e prazer pela leitura e pela escrita.

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana e as cartas dentro de uma sacola.
    2. Se possível, disponibilize uma ampulheta.
    3. Cada criança, na sua vez, pega uma carta da sacola e, dentro do tempo estipulado, tenta encontrar no tabuleiro o nome da figura. Se conseguir, fica com a carta.
    4. Ganha o jogo quem conquistar mais cartas.

    O Quebra-Cabeça Gigante é uma forma divertida de colocar a criança em contato com as letras e palavras, favorecendo a observação, a comparação e a construção ativa do conhecimento sobre o sistema de escrita. Esse tipo de experiência, além de ampliar o repertório linguístico, fortalece a autoconfiança e o prazer em aprender, dois ingredientes indispensáveis para o avanço na alfabetização.

    Espero que essa ideia inspire boas práticas e momentos de descoberta por aí!
    Um abraço e até o próximo post!

    Referência Bibliográfica:

    ALBUQUERQUE, Ana. Linguagem escrita na educação infantil: práticas pedagógicas promotoras da aprendizagem em sala de aula. In: SARGIANI, Renan (org.). Alfabetização baseada em evidências: da ciência à sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2022

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    • 24 cartas;
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    • 01 embalagem;
    • instruções de uso.

    Para você imprimir, montar e jogar 🙂

    Talvez você queira saber:

    1. O jogo pode ser utilizado com crianças em diferentes fases da alfabetização, inclusive as que ainda não reconhecem todas as letras?

    Sim. O Quebra-Cabeça Gigante pode e deve ser adaptado conforme a fase de desenvolvimento da criança.
    Com crianças em fase pré-silábica, é importante oferecer um banco de palavras (uma lista com os nomes das figuras), para que o adulto possa mediar o processo de descoberta. A criança observa a figura sorteada, analisa a lista e, com o apoio do mediador, tenta identificar qual palavra corresponde ao nome da figura, explorando aspectos como letra inicial, letra final e semelhanças visuais entre as palavras.

    Esse trabalho favorece a percepção das relações entre fala e escrita antes mesmo do domínio pleno do sistema alfabético. Somente após essa etapa de exploração guiada, pode-se propor o desafio de procurar a palavra no tabuleiro dentro de um tempo cronometrado.

    Já com crianças em níveis silábico e alfabético, o jogo pode ser realizado de forma mais autônoma, estimulando a correspondência som-grafema e a ampliação da fluência visual na leitura.

    2. Qual a importância de incluir um tempo limite (como a ampulheta) na dinâmica do jogo? Isso ajuda ou pode gerar ansiedade?

    O tempo limite, quando usado de forma lúdica e não punitiva, contribui para o desenvolvimento da velocidade de processamento, da atenção seletiva e da autorregulação emocional. A criança aprende a manter o foco mesmo diante da pressão do tempo, o que favorece o desempenho cognitivo. No entanto, é importante que o adulto observe as reações: se o tempo estiver gerando frustração exagerada, ele pode ser ajustado ou retirado. O objetivo é estimular o desafio saudável, não a competição estressante.

    3. Esse tipo de atividade realmente fortalece a relação entre som e grafema ou seria necessário trabalhar de forma mais direta com fonemas?

    O jogo favorece o fortalecimento da relação entre som e grafema de forma contextualizada. Ao procurar o nome da figura no tabuleiro, a criança precisa identificar as letras que correspondem aos sons que ela pronuncia, o que ativa processos de análise fonológica e de reconhecimento visual das letras. Embora o trabalho direto com fonemas também seja importante, atividades como essa aprofundam a consciência fonêmica dentro de um contexto significativo, em vez de tratar os sons isoladamente.

  • Seu Vizinho

    Seu Vizinho

    O-lá!

    Quando falamos em aprendizagem da matemática nos primeiros anos escolares, estamos lidando com um processo que vai muito além de memorizar números ou resultados de contas. Trata-se de desenvolver o sentido numérico, ou seja, a capacidade de compreender que os números expressam quantidades, se organizam em uma sequência e se relacionam entre si.

    Como destacam Bigode e Frant (2011, p. 9):

    “Nos primeiros anos do ensino fundamental, as crianças iniciam o desenvolvimento do sentido numérico e ainda estão atribuindo significados para as relações de natureza numérica. Esse é um processo natural, que exige tempo e refere-se principalmente ao ensino de contagem, das medidas e da visualização dos números.”

    Nesse percurso, conceitos como antecessor e sucessor são fundamentais. Identificar o número que vem antes ou depois na sequência ajuda a criança a perceber que os números não estão isolados: eles se conectam e formam uma linha contínua. Essa compreensão irá contribuir para que a criança avance em aprendizagens matemáticas mais complexas.

    Uma forma lúdica de explorar esses conceitos é o jogo que eu trouxe hoje como sugestão: “Seu Vizinho”. Nele, a criança precisa resolver operações de adição e subtração e, em seguida, identificar o antecessor ou sucessor do resultado. Ao fazer isso, não apenas exercita a contagem e o cálculo, mas também fortalece a noção de vizinhança entre os números, quem está antes, quem está depois, consolidando a ideia de sequência numérica.

    O jogo transforma um conceito abstrato em uma experiência concreta e divertida. Essa vivência lúdica, somada à mediação do adulto, torna a aprendizagem mais significativa e coerente com o que a literatura científica aponta sobre o desenvolvimento do pensamento matemático nos anos iniciais.

    Bora saber como usar?

    Sugestão de Uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana e as cartas dentro de uma sacola.
    2. Cada criança, na sua vez, pega uma carta, resolve a operação matemática e, em seguida, procura no tabuleiro o número e anota o seu antecessor ou sucessor (dependendo do que estiver sendo pedido).
    3. O jogo termina quando o tabuleiro estiver completo.

    O que o jogo desenvolve?

    • Compreensão de antecessor e sucessor;
    • fortalecimento da sequência numérica;
    • prática de adição e subtração;
    • desenvolvimento do sentido numérico.

    E mais: cooperação e trabalho em equipe. Percebeu que, além de trabalhar matemática, este jogo também favorece o trabalho em equipe e a cooperação?
    Como não há a figura de “vencedor” ou “perdedor”, todos jogam juntos para completar o tabuleiro. Isso permite que cada criança contribua com seu raciocínio, no seu tempo, e sinta que faz parte de um processo coletivo.

    Jogos com esse formato têm um papel fundamental no desenvolvimento infantil, pois:

    • Promovem a participação ativa de todos, independentemente do nível de habilidade;
    • reforçam a ideia de que aprender pode ser uma construção coletiva;
    • ajudam a criança a valorizar o esforço do colega, entendendo que cada contribuição é importante.

    Ou seja, estamos diante de um recurso que não apenas consolida conceitos matemáticos, mas também fortalece valores essenciais para a vida em sociedade.

    É isso! Gostou do que viu por aqui?
    Um abraço e até o próximo post.

    Referência Bibliográfica
    BIGODE, Antonio J.L; FRANT, Janete Bolite. Matemática: soluções para dez desafios do professor. São Paulo: Ática, 2011.

    Clique no link abaixo para você adquirir o arquivo PDF contendo:

    • 36 fichas (adição e subtração);
    • 01 tabuleiro;
    • 01 embalagem;
    • Instruções de uso.

    Talvez você queira saber:

    1. Em que faixa etária é mais indicado o jogo “Seu Vizinho”?

    O jogo é mais adequado para crianças do 1º e 2º ano do ensino fundamental (aproximadamente 6 e 7 anos), quando estão consolidando a noção de sequência numérica, antecessor e sucessor.

    1. Como adaptar o jogo para crianças que ainda não dominam bem a adição e a subtração?

    Nesses casos, pode-se usar materiais concretos, como o material dourado, palitos ou tampinhas, para que a criança visualize a operação e consiga resolver com mais segurança. Esse apoio ajuda a transformar o cálculo em algo palpável, tornando o aprendizado mais acessível e significativo.

    1. O jogo pode ser usado também com crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem em matemática?

    Sim. O jogo é um excelente recurso para crianças com dificuldades, justamente por ser visual, prático e lúdico. Ele permite que a criança experimente, erre, corrija e avance no seu próprio ritmo. Além disso, por não ter a lógica de ganhadores e perdedores, diminui a ansiedade em relação ao desempenho, tornando a aprendizagem mais leve e motivadora. Para algumas crianças isso é fundamental.

  • Trilha de Frases

    Trilha de Frases

    O-lá!

    A alfabetização é um dos marcos mais importantes no desenvolvimento humano. É por meio dela que a criança tem acesso à leitura e à escrita, ampliando suas possibilidades de compreender o mundo, de expressar pensamentos e de participar da vida em sociedade. Mais do que decifrar códigos, alfabetizar-se significa abrir caminhos para a autonomia e para a construção de uma cidadania plena.

    A UNESCO nos lembra da dimensão social e ética desse processo:

    […] Aprender as habilidades de literacia é um direito humano básico que tem sido negado principalmente para os grupos mais marginalizados, o que implica necessidade de políticas mais equitativas e que se fundamentam em evidências.[…] (UNESCO, 2019 apud SARGIANI, 2022, p. 2)

    Esse direito de aprender a ler e a escrever com autonomia, no entanto, é um desafio que precisa envolver todos: professores, gestores educacionais, governos, famílias e a sociedade em geral. Sabemos que não é fácil, desde as condições estruturais de ensino até a busca por recursos eficientes que tornem a alfabetização um caminho suave de descobertas e de alegria. É nesse ponto que os jogos podem contribuir de forma significativa. Ao transformar a aprendizagem em experiência lúdica, eles ajudam a criar um ambiente de encantamento, favorecendo o envolvimento da criança e reforçando o trabalho do professor. O brincar, quando aliado ao ensinar, gera memórias afetivas e fortalece a construção de competências.

    Por isso, neste Dia do Professor, trago este jogo como um mimo, um presente que representa não apenas gratidão, mas também o desejo de contribuir com o trabalho diário e incansável de quem dedica sua vida a ensinar. É um recurso simples, mas que pode (assim espero!) somar forças ao trabalho de quem alfabetiza.

    O jogo “Trilha de Frases” foi pensado para aproximar oralidade e escrita. Nele, a criança lê o início de uma frase (por exemplo: “O menino pulou…”) e, ao jogar o dado, deve completá-la oralmente com a figura em que parar no tabuleiro. Assim, leitura e produção oral acontecem de forma integrada e divertida.

    Como explica Zorzi (1998, p. 21):

    […] em suas fases iniciais a escrita sofre grande influência da oralidade. Porém, na medida em que a escrita vai se tornando mais independente da oralidade e adquirindo as características formais que a definem como modelo de linguagem padrão, ‘escrita nível 2’ pode produzir transformações na própria oralidade […].

    Essa reflexão mostra como a escrita, no início, apoia-se fortemente na oralidade, mas também como, ao se desenvolver, ela passa a influenciá-la de volta, refinando o modo como a criança organiza e expressa suas ideias.

    Habilidades estimuladas com o “Trilha de Frases”:

    • Leitura: prática e compreensão de frases curtas.
    • Escrita criativa: imaginação e autoria ao completar frases de diferentes maneiras.
    • Oralidade: ao ler em voz alta e compartilhar sua produção, a criança organiza ideias e constrói sentido.
    • Pensamento lógico: coerência entre o início da frase e a figura do tabuleiro.
    • Argumentação: justificar frases engraçadas ou sem sentido estimula a defesa de ideias e o diálogo.

    Sugestão de uso:

    1. Coloque o tabuleiro em uma superfície plana e as cartas em uma pilha.
    2. Cada criança, na sua vez, pega uma carta da pilha e joga o dado.
    3. Ela deve avançar com o peão a quantidade sorteada e completar a frase usando a figura da casa onde parou.
    4. Ganha o jogo quem chegar ao final da trilha primeiro.

    Observação: Algumas frases formadas podem soar engraçadas ou até sem muito sentido. O essencial é que a criança leia em voz alta e compartilhe sua produção, valorizando a oralidade. Ao explicar ou justificar suas escolhas, ela exercita a argumentação e descobre que até frases inesperadas podem gerar boas conversas e reflexões. E, em muitos casos, uma frase sem sentido pode ser ajustada coletivamente até ganhar coerência.

    Gostou do mimo? Que tal depois de jogar com as crianças voltar aqui para me contar como foi a sua experiência? Vou amar saber!

    Referências Bibliográficas:

    SARGIANI, Renan. Alfabetização baseada em evidências: como a ciência cognitiva da leitura contribui para as práticas e políticas educacionais de literacia. In: SARGIANI, Renan (org.). Alfabetização baseada em evidências: da ciência à sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2022.

    ZORZI, Jaime Luiz. Aprender a escrever: a apropriação do sistema ortográfico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo PDF GRÁTIS contendo:

    • 30 cartas;
    • 01 tabuleiro;
    • 01 dado;
    • 4 peões;
    • 01 embalagem;
    • Instruções de uso.