Tag: dislexia

  • Descubra uma nova palavra

    Descubra uma nova palavra

    Oieee!!!

    Queridos, a ideia de hoje é para alfabetização. Trabalha consciência fonológica, atenção, aumento de vocabulário, …

    Este é nosso último post de 2016 aqui no site! Esperamos ter contribuído de alguma forma para deixar sua tarefa como educador, psicopedagogo, fonoaudiólogo, terapeuta, pai, mãe, … mais suave! 🙂 No próximo ano tem mais!!! Aguardamos vocês aqui. Ok?! Ai de quem nos esquecer!!! …rs

    bjuuuu

    Bom vídeo!

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo em PDF com esta atividade. É enviado por e-mail.

  • Dificuldade em identificar horas no relógio analógico

    Dificuldade em identificar horas no relógio analógico

    Oie!

    Gente, por aqui algumas crianças e até adolescentes vinham apresentando muita dificuldade em aprender a identificar as horas no relógio analógico. Para uma criança em especial, que tem dislexia, estava sendo inclusive motivo de choro. Ela queria entender o relógio analógico. Eu não podia deixar assim, não é mesmo?!!!

    Então iniciei uma pesquisa na internet para tentar encontrar algum modelo de relógio que a família pudesse comprar para ajudá-la. Eu até encontrei alguns, mas não satisfazia a necessidade específica dessa minha criança.  No relógio precisaria ter os números que representam as horas antes e após meio-dia, além dos minutos. Cores diferentes e uma legenda também poderiam ajudar! Foi aí que olhei para o meu relógio de parede e acendeu uma luz na minha cabeça…rs

    imageBom, acabei enviando o que eu precisava para um designer e… plim! Resolvido o problema! Após receber a imagem prontinha convoquei o maridão (rs) para abrir o relógio de parede e trocar o papel.

    A família da criança também levou para casa uma cópia para trocar o papel do relógio deles. Claro, levou um tempinho para adaptação, mas pensem no tamanho do sorriso que eu vi por aqui! E aquela carinha de “hã, entendi!”. Com certeza esta é a maior alegria do nosso trabalho!!!

    Talvez esta ideia seja útil para vocês também e por isso deixei o arquivo em PDF com a ilustração da parte interna do relógio em cinco tamanhos diferentes disponível na nossa loja. É enviado por e-mail. Vocês imprimem e trocam o papel do relógio. Para adquirir clique no link abaixo.

  • Diagnóstico: Dislexia. E agora?

    Diagnóstico: Dislexia. E agora?

    Para compreender a dislexia e suas manifestações, é importante, antes, entender de forma resumida como o cérebro realiza o processo de leitura e escrita.

    Como o cérebro lê e escreve palavras

    As principais áreas envolvidas na linguagem estão localizadas, em sua maioria, no hemisfério esquerdo do cérebro. Entre elas, destacam-se:

    • Área de Broca: relacionada à produção da linguagem, incluindo a organização motora da fala e da escrita.
    • Área de Wernicke: relacionada à compreensão da linguagem e à decodificação do que lemos e ouvimos.

    Essas áreas trabalham em conjunto para que a leitura e a escrita aconteçam de forma eficiente.

    As duas vias da leitura: fonológica e lexical

    O cérebro utiliza dois caminhos principais para ler e escrever palavras:

    Via fonológica

    É a via mais utilizada no início da alfabetização. Também entra em ação quando nos deparamos com palavras novas, que ainda não reconhecemos automaticamente.

    Nela, a leitura acontece por meio da correspondência entre letras e sons.

    Via lexical

    Essa via se fortalece com a experiência leitora. Aqui, o cérebro reconhece a palavra como uma “imagem armazenada”, permitindo uma leitura mais rápida e automática.

    É como se tivéssemos um “banco de palavras conhecidas” na memória.

    Leitor fluente

    Um leitor fluente utiliza as duas vias:

    • a fonológica, diante de palavras novas;
    • a lexical, diante de palavras já conhecidas.

    Um exemplo simples

    Leia a palavra abaixo:

    estearamidopropil

    Agora leia:

    primeiramente

    Se você não tem familiaridade com a primeira palavra, provavelmente a leitura foi mais lenta, pois exigiu decodificação (via fonológica). Já a segunda palavra tende a ser lida com mais fluidez, pois já faz parte do repertório lexical da maioria dos leitores.

    O que acontece na dislexia

    A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem de origem neurobiológica, que pode impactar o funcionamento de uma ou ambas as vias de leitura (fonológica e lexical).

    Segundo Rotta et al. (2006), algumas manifestações podem incluir:

    • leitura e escrita com baixa precisão ou difícil compreensão;
    • confusões entre letras com orientação espacial semelhante (p/q, b/d);
    • confusões entre sons parecidos (b/p, d/t, g/c);
    • inversões de sílabas ou palavras;
    • substituições por palavras de estrutura semelhante;
    • omissões ou acréscimos de letras e sílabas;
    • repetições durante a leitura ou escrita;
    • segmentação incorreta de palavras;
    • dificuldade de compreensão do texto lido.

    Atenção: nem todo erro é dislexia

    É importante considerar que muitos desses comportamentos podem aparecer naturalmente no início do processo de alfabetização.

    A diferença central está na persistência das dificuldades ao longo do tempo, mesmo após oportunidades consistentes de aprendizagem.

    Em geral, a dislexia se caracteriza quando essas dificuldades permanecem além do período esperado de consolidação da leitura e escrita, podendo se estender por anos escolares.

    Diagnóstico: um processo cuidadoso

    A avaliação da dislexia é multidisciplinar e baseada na exclusão de outras causas.

    Envolve profissionais como:

    • psicopedagogo;
    • fonoaudiólogo;
    • neuropsicólogo;
    • neurologista;
    • psicólogo.

    Não existe um único teste que determine o diagnóstico. O que se faz é uma investigação ampla do desenvolvimento e do percurso de aprendizagem da criança.

    Também é considerado importante que a criança tenha passado por um período consistente de alfabetização antes da conclusão diagnóstica.

    Intervenção e caminhos possíveis

    A intervenção na dislexia deve ser estruturada, contínua e baseada em estratégias que favoreçam o desenvolvimento das habilidades envolvidas na leitura e escrita.

    Entre os principais focos de trabalho, destaca-se a estimulação da consciência fonológica, que envolve a capacidade de perceber, refletir e manipular os sons da fala. Esse é um dos pilares fundamentais para o avanço na alfabetização.

    Além disso, outras habilidades importantes podem ser trabalhadas de forma integrada, como:

    Essas intervenções podem ser realizadas de maneira sistemática, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada criança e utilizando recursos lúdicos e significativos.

    Quanto mais precoce for a intervenção, maiores tendem a ser os ganhos no desenvolvimento.

    E depois do diagnóstico?

    A dislexia não tem “cura”, mas isso não significa ausência de possibilidades.

    Com intervenção adequada, acompanhamento contínuo e estratégias bem direcionadas, muitas dificuldades podem ser significativamente reduzidas.

    A criança (ou adulto) com dislexia não é limitada em sua capacidade intelectual. Ao contrário: muitas vezes desenvolve estratégias próprias para lidar com suas dificuldades e pode alcançar autonomia e sucesso acadêmico e profissional.

    Um olhar que vai além do diagnóstico

    Mais do que focar na dificuldade, é essencial olhar para a pessoa como um todo.

    Não se atende “um disléxico”, mas uma criança, um adolescente ou um adulto com sua história, potencialidades e formas próprias de aprender.

    Uma história que nos convida à reflexão

    Para encerrar, compartilho um trecho relatado por Ronald D. Davis, ambientado em 1949:

    O relógio na sala de aula marca o tempo lentamente: tic… tac… tic… tac…

    O menino sofre em silêncio, tentando se manter invisível, enquanto carrega o peso de não conseguir acompanhar o ritmo da sala.

    Entre medo, vergonha e incompreensão, ele apenas pede: “Por favor… que isso acabe logo.”

    No final, ele diz algo que revela muito mais do que um erro:
    “Eu pedi para Deus não me fazer sentar no canto nunca mais.”

    (DAVIS, Ronald D., O dom da dislexia)

    Quero acreditar que situações como essa não façam mais parte da realidade escolar atual. Ainda assim, sabemos que o sentimento de incapacidade pode nascer de muitas formas e nem sempre precisa de palavras duras. Às vezes, um olhar já é suficiente.

    Referências Bibliográficas

    ROTTA, N. T. et al. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.

    MOOJEN, S. M. P. A escrita ortográfica na escola e na clínica: teoria, avaliação e tratamento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2009.

    DAVIS, R. D. O dom da dislexia. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

  • Alfabeto com setas

    Alfabeto com setas

    Oie! Gente, este post vale a pena você ler!

    Eu e, certamente, muitos de vocês, aprendemos o alfabeto repetindo inúmeras vezes no caderno. Lembram? A professora escrevia a letra no início da linha e nós tínhamos que completar a linha toda, igualzinho a professora.

    Atualmente, em muitas escolas, essa metodologia foi abolida. De uma maneira geral nossas crianças já não suportam mais esse tipo de atividade. No entanto, sabemos que a repetição também faz parte do processo de aprendizagem. Ainda precisamos ensinar várias vezes os nomes das letras, o movimento que deve ser feito com o lápis para escrevê-las, seus sons… Então, repetir, mas de maneiras diferentes, acredito que seja o melhor caminho.

    Diante disso, há várias ideias no nosso site para promover o ensino/aprendizagem do alfabeto. Hoje estou compartilhando mais uma ideia, mas sinceramente eu considero esta a “cereja do bolo”. Na minha opinião é uma das melhores maneiras de promover a aprendizagem do alfabeto.

    O arquivo em PDF para esta atividade está disponível na nossa loja do site. É enviado por e-mail. Clique no link no final deste post!!!

    É necessário:

    – Folhas em tamanho A4 contendo o alfabeto  com setas coloridas para indicar o movimento e a sequência que deve ser seguida para escrevê-lo;

    – Uma pasta com 26 plásticos;

    – 26 cartas com figuras cujos nomes iniciem com as letras de A a Z e cartas com seus respectivos nomes;

    – letras em EVA;

    – canetinha;

    – flanela.

     

    Preparo:

    Em cada folha de plástico da pasta coloque uma letra do alfabeto.

     

    Como utilizar:

    1) A criança deverá, observando a indicação das setas e sequência de cores, passar o dedo sobre as letras. Após, passar a canetinha (por cima do plástico!) e apagar com a flanela.

    2) Depois, de acordo com a letra que estiver sendo trabalhada, a criança deverá selecionar e colocar dentro do plástico o seguinte:

    – A letra em EVA;

    – A carta que tenha uma figura que começa com essa letra e a carta com seu respectivo nome.

    Veja o vídeo:


    3) Por fim, é sempre importante o registro da atividade. Então peça para a criança escrever a letra em uma folha ou caderno.

    É isso, meus amigos!

    Espero que vocês tenham gostado e que de alguma maneira este post possa contribuir na aprendizagem das crianças!!!  Me digam nos comentários, ok?!

    Bjs

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo em PDF para esta atividade. É enviado por e-mail.

  • Surda X Sonora P/B

    Surda X Sonora P/B

    Olá!

    Na semana passada eu havia prometido apresentar mais ideias para ajudar as crianças a superar as trocas de letras. Então está aí!!! 😀

    Hoje o post é para intervir nas trocas das letras P/B.

    É necessário:

    – Cartas iguais a imagem ao lado (tem arquivo em PDF para este jogo na loja do nosso site);

    – Duas caixas. Uma delas com a letra “P” e a outra com a letra “B”;

    – Clips ou prendedores.

    Procedimento:

    Comece dizendo para a criança colocar a palma da mão bem próximo à boca dela, falar o som da letra /P/ e depois o som da letra /B/.

    Desta maneira ela irá perceber que quando fala o som da letra /P/ sai um vento mais forte da boca. Às vezes é necessário repetir para a criança perceber. Conforme você pode ver na imagem acima, eu coloquei uma figura de uma nuvem soprando vento nas cartas e na caixa que tem a letra “P”. Isso é para ajudar na associação.

    Após isso vamos à brincadeira!

    A criança pega uma das cartas e fala o início do nome da figura com a mão próximo à boca. Se ela sentir um vento mais forte é porque a palavra começa com a letra “P”. Então ela deverá colocar um prendedor no quadro que tem a letra “P” e pôr a carta dentro da caixa com a mesma letra.

    Gostaram desta ideia?

    Só lembrando que esta é uma intervenção para linguagem escrita. Se a criança apresentar alterações na linguagem oral é imprescindível uma consulta com um Fonoaudiólogo. Ok?!

    Clique no link abaixo para adquirir o arquivo em PDF com as cartas para este jogo:

     

  • Surda X Sonora F/V

    Surda X Sonora F/V

    Olá!

    Vamos ajudar nossas crianças a superar as trocas de letras?

    Hoje o post é para intervir nas trocas das letras F/V.

    É necessário:

    – Cartas iguais a imagem ao lado (disponível arquivo em PDF em nossa loja);

    – prendedores ou clips.

    Procedimento:

    Comece dizendo para a criança colocar a mão no pescoço e falar o som da letra /F/ e depois o som da letra /V/. Assim ela perceberá que quando fala o som da letra /V/ há uma vibração na garganta.

    Atenção! Falar o som da letra é diferente de pronunciar o nome dela. Se você desconhece esse assunto clique aqui e assista o vídeo.

    Dito isto é hora de brincar!

    Mostre uma das cartas para a criança. Diga para ela falar bem devagar o início do nome da figura (com a mão no pescoço), se ela sentir uma vibração é porque a palavra começa com a letra “V”. Então ela deverá colocar um prendedor na letra “V”.

    Por hoje é isso, espero que tenha sido útil para vocês. Nas próximas semanas pretendo trazer estratégias para intervir em outras trocas de letras. Então, para quem tem interesse, acompanhe as publicações.

    Beijão

    P.S. Esta atividade serve para intervenção da linguagem escrita. Caso a criança apresente trocas na linguagem oral é imprescindível a consulta com um Fonoaudiólogo.

    Adquira em nossa loja o arquivo em PDF com as cartas para este jogo. Clique no link abaixo:

  • Orientações para o trabalho com o disléxico na escola

    Orientações para o trabalho com o disléxico na escola

    Olá! Abrimos este espaço para autores convidados. Não iremos interferir na liberdade de expressão. Portanto, esperamos que os autores sintam-se acolhidos e à vontade para expor suas ideias sobre educação, mesmo se estas não representarem a nossa opinião.

    Muito Obrigada!

    Solange Moll Passos

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    ORIENTAÇÕES PARA O TRABALHO COM O DISLÉXICO NA ESCOLA

    Sônia Moojen

    Antes da análise das acomodações necessárias ao disléxico na escola, é fundamental um esclarecimento sobre as características fundamentais da Dislexia Evolutiva ou Transtorno Severo da Aprendizagem da Leitura e Escrita.

    A dislexia

    • é um problema no processamento fonológico que afeta a leitura e a escrita, na ausência de problemas cognitivos (nível intelectual);
    • é um transtorno específico nas operações implicadas no reconhecimento das palavras que compromete,  em maior ou menor grau,  a compreensão da leitura. Os disléxicos são mais lentos para ler palavras e pseudopalavras, beneficiando-se mais do contexto ao ler. Eles não automatizam plenamente as operações relacionadas ao reconhecimento de palavras, empregando mais tempo e energia em tarefas de leitura. A escrita ortográfica e a produção textual também estão comprometidas;
    • afeta a  um subconjunto, claramente minoritário, dos alunos com problemas  na aprendizagem da leitura e escrita. Talvez não mais que 3% da população escolar;
    • representa  o extremo de um contínuo com a população normal. Os disléxicos não  diferem qualitativamente dos sujeitos normo-leitores. Há uma continuidade entre ambos os grupos, sendo a dislexia mais adequadamente comparada com a obesidade (onde há graus)  do que com o  sarampo – que é algo que uma pessoa tem ou não – (Ellis, 1984);
    • possui uma moderada evidência de origem genética (Rack e Olson, 1993).Os dados proporcionados pelo Projeto Colorado, onde foi estudada a incidência de problemas de leitura em gêmeos monozigóticos (de igual dotação genética) e gêmeos dizigóticos (que somente compartem parte da herança genética) parecem justificar a existência de uma moderada influência genética nas habilidades implicadas no reconhecimento de palavras. Entretanto, em alguns casos de dislexia evolutiva, não existe evidência alguma de antecedentes familiares que possam sugerir uma influência genética;
    • tem um prognóstico reservado, constituindo-se em um problema persistente. O aluno disléxico que, evidenciando alto grau de adaptação escolar, consegue entrar na Universidade, apresenta  dificuldades importantes na leitura de palavras não-familiares e, particularmente,  muita dificuldade na escrita;
    • requer um tratamento que envolve um processo lento, laborioso e sujeito a recaídas, conforme sugerem os dados de estudos longitudinais de sujeitos reabilitados (Rueda e Sanchez, 1994);
    • requer uma equipe multidisciplinar para seu diagnóstico e tratamento.

     

    Os disléxicos

    • possuem capacidade intelectual normal (acima de 85 na escala WISC);
    • tiveram escolarização adequada, ou seja, não trocaram de escola (língua materna) mais de 2 vezes nos três primeiros anos escolares e não faltaram mais de 10% de aulas nesta época;
    • devem ter visão e audição normal ou corrigida;
    • possuem um nível de adaptação psicossocial  normal (Vellutino,1979; Siegel, 1993);
    • não são portadores de problemas psíquicos ou neurológicos graves;
    • estão atrasados na leitura  e escrita, com relação a seus pares, com no mínimo dois  anos, (se a criança tem mais de 10 anos) e um ano e meio (se tem menos desta idade).

    Portanto, até o final de 2ª série não se pode fazer diagnóstico de dislexia. O problema tem que ser persistente, apesar de tratamento adequado.

     

    ORIENTAÇÃO À ESCOLA

    É imprescindível que todo disléxico receba um tratamento específico. Mas é crucial que, ao mesmo tempo, se atenda em aula seu problema. A seguir, serão recomendadas uma série de normas que deverão ser individualizadas para cada caso, com o objetivo de otimizar o seu rendimento e, ao mesmo tempo, tentar evitar problemas de frustração e perda de autoestima, muito frequentes nos disléxicos.

    1) Atitudes:

    • Dar a entender ao disléxico que seu problema é conhecido e que será feito o possível para ajudá-lo. Deve estar muito claro para o professor que o problema não é devido à falta de motivação ou à preguiça.
    • Dar-lhe uma atenção especial e animar-lhe a perguntar em caso de alguma dúvida. Para tanto seria recomendável que o disléxico sentasse perto do professor para facilitar a ajuda.
    • Comprovar sempre que o material oferecido para ler é apropriado para o seu nível leitor, não pretendendo que alcance um nível leitor igual aos dos outros colegas.
    • Destacar sempre os aspectos positivos em seus trabalhos e não fazê-lo repetir um trabalho escrito pelo fato de tê-lo feito mal.
    • Evitar que tenha que ler em público. Em situações em que isto é absolutamente necessário, oportunizar que ele prepare a leitura em casa.
    • Aceitar que se distraia com maior facilidade que os demais, posto que a leitura lhe exige um grande esforço.
    • Nunca ridicularizá-lo ou permitir que colegas o façam.

     

    2) Proposta de ação pedagógica:

    • Ensinar a resumir anotações que sintetizem o conteúdo de uma explicação
    • Permitir o uso de meios informáticos, de corretores e de gravações.
    • Permitir o uso de calculadora já que muitos disléxicos  têm dificuldade para memorizar a tabuada. Ele necessita de mais tempo para fazer os cálculos já que não automatizou a tabuada.
    • Usar materiais que permitem visualizações (figuras, gráficos, ilustrações) para acompanhar o texto impresso.
    • Evitar, sempre que possível, a cópia de grandes textos do quadro de giz, dando-lhes uma fotocópia.
    • Diminuir os deveres de casa, envolvendo leitura e escrita.

     

    3) Aprendizagem de línguas estrangeiras:

    Considerando o esforço que os disléxicos fazem para dominar a fonologia de sua língua materna, é difícil também que eles dominem uma nova língua. Podem até ter habilidade para aprender oralmente a língua, mas o domínio da escrita é particularmente difícil. Schawytz (2006) sugere que, em caso de muita dificuldade, seja requerida isenção de língua estrangeira, substituindo essa disciplina pela elaboração de projetos independentes sobre conhecimentos relativos à cultura do país em que falam esta língua.

     

    4) Avaliação escolar 

    • Realizar avaliações de forma oral, sempre que possível, – conduta válida em todos os níveis de ensino, particularmente no ensino superior.
    • Prever tempo extra como recurso obrigatório, não opcional, pois a capacidade de aprender do disléxico está intacta e ele simplesmente precisa de tempo para acessá-la.  Como o disléxico não automatizou a leitura, terá que ler pausadamente, com muito esforço e se apoiar nas suas habilidades mais altas de pensamento. Ele precisa utilizar o contexto para entender o significado da palavra, um caminho mais longo e indireto que requer tempo extra.
    • Evitar a utilização de testes de múltipla escolha que, pelo fato de descontextualizarem as informações e reduzirem o tempo de execução, tornam-se muito difíceis para o disléxico. Estes testes não são indicadores do conhecimento adquirido por ele.
    • As instruções  devem ser dadas de forma breve já que a memória para mantê-las é fraca e o tempo de atenção reduzido. Instruções curtas evitam confusões.
    • Valorizar sempre os trabalhos pelo seu conteúdo e não pelos erros de escrita. Infelizmente não adianta o professor apontar o erro, pois o disléxico não grava a grafia correta.
    • Oportunizar um local tranquilo ou sala individual para fazer testes ou avaliações para que o disléxico possa focar a sua atenção na tarefa que tem para realizar. Qualquer barulho ou distração atrapalhará a leitura, fazendo com que ele mude a atenção da leitura, o que interfere na performance do teste.
    • É indicado o uso de calculadora, ou da tabela de multiplicação, em função de dificuldades de memorização de tabuada.

     __________________

    A autora é Pedagoga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica. Mestre em Educação: Psicologia Escolar, UFRGS, 1976. Professora universitária UFRGS, UNIFRA, URI (Erechim e Frederico Westphalen) nas disciplinas dos cursos de Especialização em Psicopedagogia Terapêutica. Autora  do livro A escrita ortográfica na escola e na clínica; do Confias – Consciência fonológica Instrumento de avaliação sequencial, participação em capítulos de livros tais como: Transtornos da aprendizagem: aspectos neurobiológicos e multidisciplinares; dentre outros.

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    BIBLIOGRAFIA

    ARTIGAS, Josep. Quince cuestiones basicas sobre la dislexia. Conferences Topic: neuropediatrics. Educational sit: www.uninet.edu/union99/congress/confs/npd/

    MOOJEN, S. A escrita ortográfica na escola e na clínica: Teoria, avaliação e tratamento. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2009.

    MOOJEN E FRANÇA: Visão fonoaudiológica e Psicopedagógica da Dislexia. In ROTTA, OHLWEILER & RIESGO: Transtornos de Aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar, POA, Artmed, 2006.

    RUEDA, Mercedes: La lectura: adquisición, dificultades e intervención, Salamanca, Amaru, 1995.

    SANCHEZ, Emilio. A Aprendizagem da leitura e seus problemas – in COLL, PALACIOS, MARCHESI (Org).  Desenvolvimento Psicológico e Educação (Org) Porto Alegre, Artes Médicas, Capítulo 7, 1995.

    SANCHEZ, Emilio. Estratégias de Intervenção nos problemas de leitura – in COLL, PALACIOS, MARCHESI (Org).  Desenvolvimento Psicológico e Educação (Org) Porto Alegre, Artes Médicas, Capítulo 8, 1995.

    SANCHEZ, Emilio. As dificuldades na aprendizagem da leitura. In: BELTRAN, SANTIUSTE. Dificultades de Aprendisaje. Madrid, Sintesis, 1997.

    SANCHEZ, Emilio. El lenguaje escrito y sus dificultades: una visión integradora In: MARCHESI, COLL Y PALACIOS. Desarollo humano y Educación. Madrid, Allianza Editorial. 1999.