Autor: Solange Moll

  • História em lata

    História em lata

    Oie!!! Hoje eu acordei inspirada!!! rsrs

    Você vai precisar:

    – uma lata decorada e com tampa (Eu utilizei lata de nescau que é mais fácil para cortar a tampa e encapei com tecido);

    – um retrós sem linha;

    – cola;

    – tira bem longa de papel;

    – canetinhas;

    – parlenda ou história.

    Procedimento:

    Escreva a parlenda na tira de papel. Fixe a ponta final da tira em um retrós, enrole e coloque dentro da lata. Faça um pequeno corte na tampa da lata. Passe a outra ponta da tira de papel que está dentro da lata pelo corte que você fez na tampa. Pronto! Agora a criança poderá puxar a tira de papel e ler o texto que você escreveu!

    Na medida do possível você poderá trocar as tiras com novas parlendas ou histórias.

    Já estou até vendo aqueles olhinhos lindos e curiosos sedentos para ler novas histórias!!! *_*

     

    P.S.: Na ponta do papel que fica para fora da lata você pode colocar algo que a criança possa puxar o papel. Na lata que você vê na imagem ao lado eu colei um coração de feltro.

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  • Coisinha boba esta sua felicidade

    Coisinha boba esta sua felicidade

    Que importância tem para o mundo o médico, o dono do mercadinho que fica próximo da nossa casa, o garçom, o coletor de lixo, o professor?

    Ih, que coisa chata, lá vem ela com esse nhé, nhé, nhé, blá, blá, blá…

    Desculpa, é que o espírito natalino se apoderou da minha pessoa (mentira, eu penso assim o ano todo!), mas, continuando… a verdade é que só vamos saber quando por algum motivo precisarmos de um deles. Por exemplo, vamos saber a falta que faz o coletor de lixo quando baratas e ratos invadirem nossa casa porque o lixo não foi recolhido. O mesmo sentimento nos dominará quando estivermos com dor e não encontramos um médico que nos socorra. Ou ainda, quando estivermos com aquele “buraco no estômago” de tanta fome e demorarmos para ser atendidos em um restaurante porque o garçom faltou (claro, depois é suuuper legal se vingar e deixar uma mensagem em redes sociais). Quando o dono do mercadinho resolver não abrir em dia de feriado e precisarmos sim-ples-men-te de carvão para assar o churrasco para a família que veio nos visitar. Quando o excelente professor, cansado de não receber valorização, resolver mudar de profissão e nossas crianças ficarem a mercê da boa sorte. Mas, fazer o quê? A vida é assim, não é mesmo? E ponto final! Opa, espera aí, ponto final uma ova! Que tal utilizarmos outro sinal de pontuação? Algo como um ponto de exclamação para demonstrar a nossa indignação cairia muito bem. Ou então um ponto de interrogação para nos questionarmos: por que tem que ser assim?

    Talvez você esteja esperando um incentivo maior para acreditar que é preciso fazer diferente. Afinal, valorizar o outro pra quê?! Respondo: para que todos tenham consciência da sua importância e que simplesmente sejam felizes! Há algo que buscamos mais na vida do que a felicidade? E a felicidade é contagiante: imagine-se por um segundo vendo o coletor de lixo com um sorriso largo no rosto, o seu médico lhe atendendo com bom humor, aquele excelente professor esperando o seu filho na porta da escola com braços abertos. Aí talvez você compreenda que a SUA FELICIDADE (palavras de forte impacto para quem só pensa no próprio umbigo!) pode estar dependendo do sorriso do outro!

  • Ah, entendi!

    Ah, entendi!

    Propor-se a trabalhar como professor é antes tudo acreditar que você é capaz!

    Que você é capaz de perseverar. Se pelo caminho tiver vontade de chorar, vai chorar, mas se for preciso começar do zero, do zero irá começar, porque você compreende que nem tudo acontece no tempo e ritmo planejado.

    Que você é capaz de lidar com situações difíceis e desafios quase todos os dias!

    Que você é capaz de se emocionar muitoooo… a ponto de ficar com olhos cheios de lágrimas quando ouvir estas duas palavras: “Ah, entendi!”.

    Que você é capaz de promover o bem! Mesmo quando tem uma turma do contra tentando fazer você acreditar justamente o contrário.

    Que você é capaz de sair do papel de “pobre coitado”, pois merece ser valorizado e não precisa provar isso porque é visível na excelência com que você desenvolve o seu trabalho.

    Que você é capaz de lidar muito bem com aquele nariz torcido toda vez que diz: “sou professor”, porque afinal de contas, você é feliz com a escolha que fez e sabe que a sua profissão é para os fortes!

    Por fim (mesmo sem ser o fim), você é capaz de acreditar na sua capacidade para aprender antes de acreditar na sua competência para ensinar.

  • Gagueira não tem graça, tem tratamento!

    Gagueira não tem graça, tem tratamento!

    GAGUEIRA NÃO TEM GRAÇA, TEM TRATAMENTO

    Márcia Celine Rocha de Luca

    O que é a Gagueira?  É um distúrbio de comunicação caracterizado pela interrupção no fluxo normal da fala, repetições, prolongamentos e paradas repentinas de sons e sílabas, trava (freezing) a fala.  Muitas vezes vêm acompanhado de movimentos compesatórios facial e ou corporais, os chamados cacoetes, como piscar os olhos rapidamente, fechá-los com força, balançar pernas e braços, inclinar a cabeça, entre outros.

    Quantos gagos existem? A gagueira atinge 1% da população mundial, sendo os homens os principais afetados. Para cada quatro homens gagos, há uma mulher com o distúrbio.
    Segundo a Associação Brasileira de Gagueira, cerca de 1 milhão e 600 mil pessoas  apresentam a gagueira no Brasil, entre adultos, jovens e crianças. Nos Estados Unidos são 3 milhões de pessoas e  aproximadamente 60 milhões de gagos em todo o mundo.

    Há tratamento para a gagueira? Há sim, quanto mais cedo, melhor o prognóstico. O profissional habilitado para esse tratamento é o fonoaudiólogo, podendo contar com o auxílio de psicólogos, psiquiatras e neurologistas dependendo do quadro clínico.

    Na Fonoaudiologia existem, basicamente duas possibilidades de tratamento: uma visa o disfarce da gagueira, oferecendo técnicas onde o sujeito poderá apresentar uma fala mais fluente, por exemplo, cantando, que utiliza diferentes mecanismos cerebrais, diferentes áreas no cérebro. Estas ocorrências indicam que a gagueira não é resultado de alguma dificuldade motora geral para a fala, mas de um mecanismo específico, logo somente exercícios orgânicos não serão eficazes.

    Enquanto a teoria neurofisiológica, uma nova e atual linha visa a estimulação neurológica e a melhora da auto estima do maufalante fazendo com que o cérebro “descubra” um novo caminho para falar bem.  É como ensinar uma nova língua. Desta forma a teoria neurofisiológica da gagueira não implica deixar as emoções de lado. As emoções ocupam um lugar importante na comunicação, por isso, em alguns casos, há a necessidade de associar o tratamento fonoaudiológico com o psicológico. O problema central na gagueira está na dificuldade do cérebro em processar a informação e sinalizar o término de um som ou uma sílaba e passar para próximo. Até que o cérebro processe esta informação, a língua “trava” e não consegue executar o movimento necessário. Essa ação muscular causa um grande desconforto tanto em adultos como em crianças. A gagueira é involuntária, ou seja, a pessoa que gagueja não tem controle sobre a sua articulação e não consegue evitar a ocorrência da gagueira sem que haja um tratamento adequado. Além dos sinais orgânicos, a gagueira também está associada com um grande sofrimento interno, porque a pessoa tem o que falar, sabe o que falar, mas não consegue. Desta forma, geralmente ocorre uma forte reação emocional à gagueira, porque ela interfere na comunicação e nos desempenhos escolar e profissional.  A pessoa que está escutando também fica angustiada diante da dificuldade do falante e acaba por completar as palavras, isso gera um grande desconforto para ambos, o falante se sente incapaz de se expressar, o que não é verdade!

    Quando inicia a gagueira? Na infância geralmente. É a chamada gagueira de desenvolvimento. Porém, é comum observarmos crianças na fase de desenvolvimento inicial de linguagem com pequenas disfluências que fazem parte deste processo, sendo normal isso acontecer. A gagueira em crianças com idade entre 2 e 3 anos (fase inicial do desenvolvimento de linguagem)  é considerada normal, pois o cérebro ainda não tem arquivo de palavras suficientes para se expressar, porém, na dúvida e diante da angústia das crianças em se expressar vale a pena a opinião de um profissional.

    Isso acontece porque a criança quer se expressar, mas ainda não tem o vocabulário necessário para a conclusão da ideia. Essa fase deve desaparecer até 4 ou 5 anos de idade. Caso a gagueira persista a chance de termos um adulto gago é grande. Tem o exemplo do atual filme “O discurso do Rei” .

    Quando se preocupar? Quando houver histórico familiar de adultos gagos na família. Quando perceber que a criança está se isolando dos amiguinhos e que isso está a deixando constrangida. Na dúvida procure um fonoaudiólogo para diagnosticar se trata-se de uma fase normal ou patológica.

    A gagueira é considerada um distúrbio da fluência da fala estando codificada no Código Internacional de Doenças (CID), portanto passível de tratamento. Há tantos casos que foi instituído o dia Nacional de Atenção à Gagueira – 22 de outubro.

    Quais as causas da gagueira? Ainda não temos a causa totalmente desvendada e é múltipla e complexa na sua natureza. Os achados de pesquisas mais recentes têm mostrado o envolvimento dos sistemas neuromotor e neurofisiológico na produção de uma fala gaguejada. Atualmente, poucos especialistas concordam com a ideia de uma causa totalmente psicológica, embora stress, frustrações, vergonhas, sentimento de inadequação, entre outros, colaborem para aumentar ou manter a gagueira, mas não sendo absolutamente a única causa desta patologia.

    Márcia Celine Rocha de Luca
    Fonoaudióloga – CRFA- 6739
    Especialista em Voz
    Especialista em Liderança
  • Recurso lúdico para alfabetização

    Recurso lúdico para alfabetização

    atividade para alfabetizaçãoPapais e mamães, vocês também podem fazer esta atividade com seus filhos. Eu recomendo!

    É necessário:

    – um rolo de papel-toalha (pode ser um cano de PVC);

    – cartolina;

    – retalhos de tecido;

    – tesoura;

    – cola;

    – canetinhas.

    Observação: Pode ser feito todo com papel, é muito mais simples! No entanto, com tecido, além de visualmente bonito, proporciona uma sensação tátil mais agradável.

    Procedimento:

    Cole um retalho no rolo de papel-toalha e deixe secar.

    Faça o mesmo em um pedaço da cartolina. Após seco você deverá escrever palavras, cortar em tiras e fixar no rolo de uma maneira que a criança possa girar as tiras.

    Como brincar:

    Dê o desafio para a criança de girar as tiras e tentar encontrar o maior número possível de palavras. Inclusive, diga a ela que há algumas secretas (que são as palavras que você previamente escreveu).

    Gostou? Bjs

    Veja na nossa loja o Kit de apostilas em PDF!!! Tem muitas ideias para alfabetização!!! É enviado por e-mail.

  • A criatividade pede licença para escrever

    A criatividade pede licença para escrever

    Que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um erro ao escrever e só percebeu tarde demais para poder corrigir. Nossa, isso é muito chato! Dói na alma, não é mesmo?! Ou estou exagerando?…rs

    O que me causa um certo conforto é o fato de eu não conhecer ninguém que tenha devorado as regras gramaticais e ortográficas, a um ponto de dominá-las totalmente, mas, se você que está lendo este texto é esse “ser supremo”, aceite meus sinceros parabéns! Eu prefiro outra dieta!

    É tanta regra enfadonha (desculpa!), que por vezes me pergunto: o que acontecerá com a criatividade se escrevermos preocupados com a ortografia e a gramática? Penso que certamente ela se perderá no caminho das regras ortográficas, e ficará infeliz para sempre, presa na teia das regras gramaticais.

    O problema é que, ao nos despreocuparmos, só nos restará um caminho: o dos eternamente perdidos na “santa ignorância”. Então, pensando com um pouco mais de leveza e vestindo a roupa do simples mortal, penso que o melhor é, além de fazermos uma “reza brava” para jamais cometermos um erro muito burlesco, é ler muito e entendermos que – possivelmente – estaremos eternamente em processo de alfabetização. A prática de escrever também ajuda muito.

    Agora, ao encontrarmos algum erro por aí, se tivermos intimidade com a pessoa, é legal corrigi-la, mas sem muito nariz empinado, porque somos todos factíveis de cometer erros.

    É isso! Possivelmente, este texto não acrescentou nada ao seu português, então, espero que ao menos tenha lhe proporcionado um sorriso. E se cometi algum erro, por favor me avise! Esta atitude poderá nos aproximar, no entanto, preciso alertar que não o tornará mais esperto do que eu ou qualquer outra pessoa que o esteja lendo. Afinal, como disse Paulo Freire: “Não há saber mais ou saber menos, há saberes diferentes.”

    Bjo!

  • É ela: a sensibilidade!

    É ela: a sensibilidade!

    Certamente, muitos dos profissionais que trabalham na área da educação dedicam – ou pelo menos deveriam – um tempo no planejamento das atividades que irão realizar com seus aprendentes. Esse planejamento inclui pensar, por exemplo, naquela criança que não está evoluindo como deveria. Por vezes, podem lembrar de uma atividade que já utilizaram com outra criança que tinha a mesma idade, estava apresentado as mesmas dificuldades, e, inclusive, tinha até o mesmo diagnóstico médico.A questão é: podemos elaborar uma atividade observando apenas os itens citados?

    Digo com toda convicção que NÃO. E o motivo é muito simples: por trás das dificuldades e dos diagnósticos residem seres humanos que sentem, que respiram, que têm desejos, anseios e particularidades. Então, uma atividade que serve muito bem para um sujeito pode não produzir o mesmo efeito para outro. Independentemente de terem a mesma idade e apresentarem dificuldade semelhante.

    Agora, supondo que o profissional só se dê conta do equívoco da escolha da atividade no transcorrer da mesma, quando percebe que não está proporcionando o aprendizado desejado, e o aprendiz começa a apresentar sinais intensos de frustração – e veja, cada pessoa demonstra a frustração de jeito diferente: com choro, não querendo fazer a atividade, parecendo estar no mundo da lua, etc. -, o que o profissional deve fazer? Sensibilidade é a resposta para essa pergunta. É nesse momento que entra a sensibilidade do mediador de saber conduzir a atividade para melhor proveito do aprendiz. Em alguns casos é até mais prudente interromper a atividade, e, quem sabe, tentar em outro momento, do que insistir em algo que está causando um nível de frustração muito intenso.

    Então, é isso! Para preparar uma atividade de intervenção é preciso antes de tudo olhar e escutar o aprendente para elaborar algo que tenha desafio, porém, que seja possível de ser realizado. Essa atitude com certeza fará a diferença e será um ponto significativo para promover o ensino de qualidade que tanto almejamos.

  • Transtorno de Tique, Transtorno de Tourette

    Transtorno de Tique, Transtorno de Tourette

    Olá! Abrimos este espaço para autores convidados. Não iremos interferir na liberdade de expressão dos mesmos. Portanto, esperamos que os autores fiquem à vontade para expor suas ideias sobre educação, mesmo se estas não representarem a nossa opinião.

    Muito Obrigada!

    Solange Moll

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    TRANSTORNO DE TIQUE

    Cristina Maria Pozzi

    Os tiques são movimentos bruscos, breves, involuntários, rápidos, repetitivos, arrítmicos, irresistíveis, inapropriados e despropositados ou vocalizações com as mesmas características. Podem ser simples (envolvendo apenas alguns músculos ou sons simples) ou complexos (envolvendo múltiplos grupos musculares ou palavras e frases em salvas).

    Alguns exemplos de tiques motores simples incluem piscar os olhos, torcer o nariz, caretear, franzir a testa, encolher os ombros, contrair o pescoço. Estes tiques geralmente duram uma fração de segundos. Os tiques motores complexos incluem verdadeiros trancos ou saltos, atos gestuais como coçar determinada parte do corpo, imitação repetitiva de um movimento (ecopraxia), realizar gestos obscenos (copropraxia), cheirar repetidamente um objeto, refazer os próprios passos, rodopiar, assumir e manter posturas incomuns. Estes tiques são mais prolongados, com duração de segundos ou mais.

    Os tiques vocais simples são sons sem sentido tais como pigarrear, grunhir, fungar, bufar, tossir, murmurar ou piar. Tiques vocais complexos envolvem mais claramente a fala e a linguagem e incluem a emissão súbita e espontânea de palavras ou expressões isoladas, bloqueio da fala, mudanças súbitas e sem sentido no tom, repetição das próprias palavras ou sons (palilalia) ou repetição da última palavra ou expressão ouvida (ecolalia) ou ainda, emissão súbita e inadequada de palavras ou expressões inaceitáveis, que inclui obscenidades ou insultos (coprolalia).

    Sua intensidade e frequência variam no mesmo indivíduo e podem ser parcialmente controlados, por um período de tempo, por ação da vontade. Desaparecem no sono, aumentam com a tensão e diminuem com a atenção, em tarefas que exigem concentração. Algumas crianças (e até adultos) não se dão conta de seus tiques. Entretanto, muitas pessoas com tiques experimentam uma sensação premonitória – um aumento de tensão em alguma parte do corpo que precede o tique motor ou vocal e uma sensação de alívio ou redução da tensão após a expressão do tique. O indivíduo pode sentir a necessidade de realizar um tique complexo de uma forma específica ou repetida até obter a sensação de que o tique “saiu certo”, somente então experimentando uma redução da ansiedade ou tensão.

    Quanto ao tempo de duração e às próprias características clínicas, os tiques são divididos em dois grandes grupos, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de TranstornosMentais (DSM-IV) (Associação Americana de Psiquiatria,2002): Transtorno de Tique Transitório e Transtorno de Tique Motor ou Vocal Crônico.

    O tique transitório é a forma mais comum de movimento involuntário anormal na criança. Inicia-se por volta dos cinco aos sete anos e é três vezes mais comum em meninos. Interessa apenas um ou dois grupos musculares funcionalmente relacionados, como músculos faciais, do pescoço ou ombros e manifestam-se geralmente por piscamento, careteamento, movimentos de língua como lamber os lábios, lateralização da cabeça ou movimentos da cabeça para trás. Pode haver vocalização, mas não acompanhada de tiques motores. A duração é de no mínimo quatro semanas, porém não superior a doze meses. Os pais devem ser advertidos da benignidade do processo e não devem chamar a atenção da criança para os tiques ou admoestá-la.

    Tiques crônicos são únicos ou múltiplos, motores ou vocais, mas não associados. Duram além de um ano sem que tenha havido um período livre de tiques maior que três meses consecutivos.

    TRANSTORNO DE TOURETTE (ou Síndrome de Tourette)

    ​As características essenciais deste transtorno consistem em tiques motores múltiplos e crônicos e no mínimo um tique vocal, embora não obrigatoriamente concomitantes, que perduram por mais de um ano, sem que tenha havido um período livre de tiques maior que três meses consecutivos. O início se dá antes dos 18 anos de idade, por volta dos seis ou sete anos. Os tiques ocorrem muitas vezes por dia, de forma recorrente, são, geralmente, exuberantes e chamam a atenção do observador. Muitos dos tiques descritos acima estão presentes em associação ou se alternam no mesmo paciente.Classicamente, há períodos de melhora alternados com piora. As vocalizações são freqüentes e a coprolalia (falar palavras obscenas) está presente em alguns indivíduos, mas não é requisito para diagnóstico de Transtorno de Tourette.

    ​Há um fator genético implicado, com histórico familiar positivo para o transtorno em 30 a 50% dos casos, e predomina no sexo masculino, na proporção de três a quatromeninos para uma menina.

    ​Os sintomas mais comumente associados ao Transtorno de Tourette são obsessões e compulsões. Hiperatividade, distração e impulsividade também são relativamente comuns. Desconforto social com a sensação de estar sendo observado pelos outros, vergonha, desmoralização e tristeza frequentemente ocorrem.

    Uma alta porcentagem de crianças, adolescentes e adultos com o Transtorno não busca atenção médica para seus tiques e sofrem com o estigma. O funcionamento social, acadêmico ou ocupacional pode estar prejudicado, em vista da rejeição pelos outros ou ansiedade quanto a apresentar os tiques em situações sociais. A severidade dos tiques pode ser exacerbada pela administração de estimulantes do sistema nervoso central, tais como aqueles utilizados no tratamento do Transtorno do déficit de Atenção e Hiperatividade.

    A avaliação médica especializada está indicada assim como tratamento farmacológico e psicoterápico. Em alguns casos há remissão espontânea e em outros os sintomas podem se atenuar na adolescência e idade adulta.

    Cristina Maria Pozzi.

    Médica Neuropediatra. Mestrado em Pediatria pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Doutoranda em Psicologia Clínica e Pesquisadora do Laboratório de Distúrbios do Desenvolvimento, no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. cristinapozzi@ig.com.br

  • Shhhhh. . . Vamos ouvir!

    Shhhhh. . . Vamos ouvir!

    A turminha está apresentando dificuldade em respeitar o momento em que é preciso ouvir? Estão interrompendo você ou uns aos outros quando querem se expressar? Então, que tal realizar brincadeiras para conscientizar as crianças de que saber ouvir é tão importante quanto saber falar???

    Com as crianças sentadas em círculo, converse com elas sobre o quanto é importante respeitar os colegas. Que todos gostam de falar, mas que não é possível todos falarem ao mesmo tempo porque assim ninguém se entende. Você também pode questionar as crianças sobre como elas se sentem quando estão falando e são interrompidas. Isso é muito importante para que elas tentem se colocar no lugar uns dos outros.

    Após uma breve conscientização é hora de brincar!

     

    Brincadeira 1 – telefone sem fio

    Procedimento:

    Esta brincadeira é antiga, mas é excelente para conscientizar a criança do quanto é importante prestar atenção ao que está sendo dito.

    Uma criança começa falando uma frase ou uma palavra, em tom baixo, para um colega ao seu lado, e este deverá repetir para outra criança e assim sucessivamente. A última criança fala em voz alta o que ouviu e a primeira confirma, ou não, se foi isso que falou.

     

    Brincadeira 2 – olhos vendados e ouvidos afinados!

    É necessário:

    Desenhe no quadro ou faça um cartaz com o rosto de um homem.

    Procedimento:

    Duplas de crianças. Uma delas com os olhos vendados deverá ser orientada pela outra para colocar um bigode no rosto do personagem que você desenhou.

     

    Brincadeira 3 – roda de conversa

    É necessário:

    – cinco fichas para cada criança;

    – uma caixa.

    Procedimento:

    Coloque a caixa no centro da roda e distribua cinco fichas para cada criança.

    Após, faça uma pergunta para o grupo. Por exemplo: “Quem quer contar  um sonho que teve na noite anterior?”

    Se enquanto uma das crianças estiver falando for interrompida, aquele que interrompeu deverá colocar uma de suas fichas dentro da caixa.  Nesta brincadeira “o ganhador” será aquele que perder menos fichas. Portanto, poderá ter vários ganhadores.

     

    Então, gostou?

     

    bjoooos!!!

    Já conhece este nosso material?

  • Nomenclatura diagnóstica: conceitos e confusões

    Nomenclatura diagnóstica: conceitos e confusões

    Olá! Abrimos este espaço para autores convidados. Não iremos interferir na liberdade de expressão dos mesmos. Portanto, esperamos que os autores sintam-se acolhidos e à vontade para expor suas ideias sobre educação, mesmo se estas não representarem a nossa opinião.

    Muito Obrigada!

    Solange Moll Passos

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    NOMENCLATURA DIAGNÓSTICA: CONCEITOS E CONFUSÕES

    Cristina Maria Pozzi

    Sempre digo que a medicina aumentou consideravelmente o meu vocabulário. Em poucos anos, milhares de palavras foram significadas, aprendidas e passaram a fazer parte do discurso diário. Mas, para que tantos nomes, siglas e especificações? Para que se possa falar a mesma língua de maneira universal, p. ex. síndrome de Down é uma trissomia do cromossomo 21, reconhecida aqui, na China ou qualquer lugar do planeta e confere ao portador uma série de características peculiares no fenótipo (aparência física) bem como, pode envolver diversos órgãos e sistemas (cardiopatia, alterações tireoidianas, ortopédicas, oftalmológicas, entre outras). Outro exemplo, o Transtorno Global do Desenvolvimento – Autismo Infantil exibe as mesmas características clínicas ao acometer o indivíduo de um grande centro urbano ou o indivíduo que vive numa comunidade rural, guardadas as diferenças ambientais. E para tornar isso possível, foram organizadas classificações que são de referência mundial: a Classificação Internacional de Doenças, a CID que está em sua 10ª revisão, elaborada pela Organização Mundial da Saúde, e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o famoso DSM, com a 5ª edição prevista para maio deste ano, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria. Ambas facilmente acessadas nas fantásticas páginas de busca na internet.

    A CID-10 engloba todas as doenças, desde infecciosas e parasitárias, doenças do sangue, endócrinas, cardíacas, mentais e comportamentais, do sistema nervoso, respiratório e por aí afora. São categorizadas em letras e números, como p. ex. Q90 para Síndrome de Down e F84 para Transtorno Global do Desenvolvimento. Este é o tal CID exigido nos atestados, laudos, relatórios com a finalidade de se obter os direitos. Já o DSM engloba os Transtornos Mentais, que vão desde Retardo Mental, Transtornos de Aprendizagem, geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância ou adolescência, até Transtornos relacionados a Uso de Substâncias, Transtornos de Ansiedade, do Humor, entre outros. São identificados por números, p. ex. 299 para Transtorno Global do Desenvolvimento ou 314 para Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

    E é com base nestas classificações que se define o diagnóstico, muitas vezes, e, sobretudo na área de saúde mental, dependente exclusivamente de critérios clínicos, descritos ao longo de cada capítulo. Desta forma, é possível utilizar a mesma nomenclatura em uma ampla gama de contextos, seja na clínica, na pesquisa, na reabilitação, entre outros, em qualquer lugar do mundo. Mas há algumas situações nas quais esta terminologia difere e aí podem surgir dúvidas e confusões…

    Continuando no exemplo do Transtorno Global do Desenvolvimento, a tabela abaixo mostra as correspondências entre os subtipos deste transtorno listados no DSM-IV e na CID-10.

    Clique na imagem para visualizar melhor.

    Como se pode perceber, os termos transtorno e síndrome têm correspondência e definem o mesmo quadro, ambos podem ser utilizados de acordo com a classificação preferida, onde são descritos os critérios clínicos necessários para o diagnóstico.

    Outro exemplo interessante é relativo aos Transtornos da Aprendizagem, segundo DSM-IV ou Transtornos Específicos das Habilidades Escolares, segundo a CID-10. Primeiramente, é preciso compreender que, por definição, um Transtorno de Aprendizagem consiste em um rendimento nas modalidades habituais de aprendizado substancialmente abaixo do esperado para idade, escolarização e nível de inteligência e não é devido à falta de oportunidade de aprendizagem ou doença neurológica, outra condição médica geral ou déficit sensorial. Isso implica, em condições adequadas de educação familiar e escolar (aspecto complexo!), normalidade das funções visual, auditiva e saúde sistêmica e ausência de retardo mental observado através de testes padronizados administrados individualmente (aplicados única e exclusivamente por psicólogos).

    Os Transtornos de Aprendizagem devem ser diferenciados das variações normais do rendimento escolar e das dificuldades escolares devido à falta de oportunidades, ao ensino deficiente ou a fatores culturais. Assim, torna-se fundamental diferenciar o que é Transtorno (ou Distúrbio) de Aprendizagem do que é Dificuldade Escolar. O primeiro envolve uma disfunção neurobiológica relacionada a uma falha no processo de aquisição ou do desenvolvimento destas habilidades, tendo, portanto, caráter funcionalDiferentemente, a Dificuldade Escolar está relacionada especificamente a um problema de ordem e origem pedagógica ou ambiental.

    Sabidamente, as cifras de Dificuldade Escolar neste país são assustadoras, com cerca de 30 a 40% da população que freqüenta as primeiras séries apresentando algum grau de dificuldadeJá os Transtornos de Aprendizagem giram em torno de 3 a 5% da população com dificuldade acadêmica.

    Os Transtornos de Aprendizagem são subdivididos de acordo com a habilidade escolar alterada e incluem o Transtorno da Leitura, Transtorno da Matemática, Transtorno da Expressão Escrita e o Transtorno da Aprendizagem Sem Outra Especificação, segundo o DSM-IVO diagnóstico envolve uma avaliação multidisciplinar (médico pediatra, neurologista ou psiquiatra infantil, fonoaudiólogo, psicólogo, no mínimo) com a finalidade de testar as diversas funções e habilidades desta criança. Exames como eletroencefalograma ou tomografia de crânio não são indicados sistematicamente, salvo raras exceções, pois resultarão normais. O imprescindível é checar função visual, auditiva, tireoidiana, afastar anemia, epilepsia, avaliar habilidades fonológicas, funções executivas (atenção, memória, raciocínio, linguagem, etc.), exame neurológico e psíquico, além de analisar todo o histórico pessoal, o contexto familiar e escolar. O uso de medicamento nestes casos também não se indica, a menos que sejam diagnosticadas comorbidades. O tratamento é treino, treino e mais treino das habilidades disfuncionais, respeitando os limites da criança, incentivando-a e valorizando suas iniciativas. Criar uma rede de profissionais envolvidos entre terapeutas, escola e família e trabalhar em conjunto, sempre.

     

    “Se uma criança não pode aprender da maneira como é ensinada, é melhor ensiná-la da maneira que ela pode aprender” (Welchmann)

     

    Cristina Maria Pozzi

    Médica Neuropediatra, Mestrado em Pediatria pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Doutoranda em Psicologia Clínica e Pesquisadora do Laboratório de Distúrbios do Desenvolvimento no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo IPUSP – SP.