A criatividade pede licença para escrever

O-lá!

Quem nunca escreveu uma palavra errada, releu o texto depois de publicado e pensou: “Como eu não vi isso antes?”

É uma sensação um tanto desconfortável. Dá vontade de voltar no tempo, apagar o erro e fingir que ele nunca existiu. Mas, convenhamos: faz parte da experiência de quem escreve.

A língua portuguesa é rica, complexa e cheia de regras. Mesmo quem lê bastante e escreve com frequência continua encontrando situações que geram dúvidas. Afinal, aprender a escrever bem não é um ponto de chegada, mas um processo que acompanha toda a vida.

Às vezes, porém, fico pensando em outro aspecto dessa história. O que acontece com a criatividade quando escrevemos preocupados o tempo todo em não errar?

É claro que conhecer a ortografia e a gramática é importante. Elas tornam a comunicação mais clara e facilitam a compreensão do texto. No entanto, quando o medo de errar se torna maior do que a vontade de expressar uma ideia, a escrita perde espontaneidade. Muitas pessoas deixam de escrever, de criar ou de compartilhar seus pensamentos simplesmente porque acreditam que tudo precisa sair perfeito.

Talvez o equilíbrio esteja justamente em compreender que escrever envolve dois movimentos. O primeiro é permitir que as ideias apareçam. O segundo é revisá-las, aprimorá-las e corrigir o que for necessário. Criatividade e conhecimento das regras não precisam competir. Na verdade, podem caminhar lado a lado.

No processo de alfabetização isso é ainda mais importante. Quando a criança percebe que o erro faz parte da aprendizagem, ela ganha coragem para experimentar, formular hipóteses e produzir textos cada vez mais elaborados. Corrigir é importante, mas incentivar a escrita também é.

E nós, adultos, continuamos aprendendo do mesmo jeito. Lemos, escrevemos, revisamos, descobrimos novas palavras e, vez ou outra, encontramos um erro que passou despercebido. Faz parte.

Se você encontrar algum deslize neste texto, pode me avisar. Vou agradecer pela oportunidade de aprender mais um pouquinho. Afinal, ninguém sabe tudo, e isso é uma ótima notícia.

Como dizia Paulo Freire:

“Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes.”

Um abraço!

Solange Moll

Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem e em PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná), Centro de Treinamento Autorizado pelo Hadassah Wizo-Canada Reserach Institute e pelo ICELP – The Internacional Center for the Enhancement of Learning Potential, Jerusalém – Israel. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem. Psicomotricista Relacional. Mãe Atípica. Apaixonada por desenvolver jogos e compartilhar com vocês.

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