Olá! Abrimos este espaço para autores convidados. Não iremos interferir na liberdade de expressão dos mesmos. Portanto, esperamos que os autores sintam-se acolhidos e à vontade para expor suas ideias sobre educação, mesmo se estas não representarem a nossa opinião.

Muito Obrigada!

Solange Moll Passos

_______________

GAGUEIRA NÃO TEM GRAÇA, TEM TRATAMENTO

Márcia Celine Rocha de Luca

O que é a Gagueira?  É um distúrbio de comunicação caracterizado pela interrupção no fluxo normal da fala, repetições, prolongamentos e paradas repentinas de sons e sílabas, trava (freezing) a fala.  Muitas vezes vêm acompanhado de movimentos compesatórios facial e ou corporais, os chamados cacoetes, como piscar os olhos rapidamente, fechá-los com força, balançar pernas e braços, inclinar a cabeça, entre outros.

Quantos gagos existem? A gagueira atinge 1% da população mundial, sendo os homens os principais afetados. Para cada quatro homens gagos, há uma mulher com o distúrbio.
Segundo a Associação Brasileira de Gagueira, cerca de 1 milhão e 600 mil pessoas  apresentam a gagueira no Brasil, entre adultos, jovens e crianças. Nos Estados Unidos são 3 milhões de pessoas e  aproximadamente 60 milhões de gagos em todo o mundo.

gagueira infantil Há tratamento para a gagueira? Há sim, quanto mais cedo, melhor o prognóstico. O profissional habilitado para esse tratamento é o fonoaudiólogo, podendo contar com o auxílio de psicólogos, psiquiatras e neurologistas dependendo do quadro clínico.

Na Fonoaudiologia existem, basicamente duas possibilidades de tratamento: uma visa o disfarce da gagueira, oferecendo técnicas onde o sujeito poderá apresentar uma fala mais fluente, por exemplo, cantando, que utiliza diferentes mecanismos cerebrais, diferentes áreas no cérebro. Estas ocorrências indicam que a gagueira não é resultado de alguma dificuldade motora geral para a fala, mas de um mecanismo específico, logo somente exercícios orgânicos não serão eficazes.

Enquanto a teoria neurofisiológica, uma nova e atual linha visa a estimulação neurológica e a melhora da auto estima do maufalante fazendo com que o cérebro “descubra” um novo caminho para falar bem.  É como ensinar uma nova língua. Desta forma a teoria neurofisiológica da gagueira não implica deixar as emoções de lado. As emoções ocupam um lugar importante na comunicação, por isso, em alguns casos, há a necessidade de associar o tratamento fonoaudiológico com o psicológico. O problema central na gagueira está na dificuldade do cérebro em processar a informação e sinalizar o término de um som ou uma sílaba e passar para próximo. Até que o cérebro processe esta informação, a língua “trava” e não consegue executar o movimento necessário. Essa ação muscular causa um grande desconforto tanto em adultos como em crianças. A gagueira é involuntária, ou seja, a pessoa que gagueja não tem controle sobre a sua articulação e não consegue evitar a ocorrência da gagueira sem que haja um tratamento adequado. Além dos sinais orgânicos, a gagueira também está associada com um grande sofrimento interno, porque a pessoa tem o que falar, sabe o que falar, mas não consegue. Desta forma, geralmente ocorre uma forte reação emocional à gagueira, porque ela interfere na comunicação e nos desempenhos escolar e profissional.  A pessoa que está escutando também fica angustiada diante da dificuldade do falante e acaba por completar as palavras, isso gera um grande desconforto para ambos, o falante se sente incapaz de se expressar, o que não é verdade!

Quando inicia a gagueira? Na infância geralmente. É a chamada gagueira de desenvolvimento. Porém, é comum observarmos crianças na fase de desenvolvimento inicial de linguagem com pequenas disfluências que fazem parte deste processo, sendo normal isso acontecer. A gagueira em crianças com idade entre 2 e 3 anos (fase inicial do desenvolvimento de linguagem)  é considerada normal, pois o cérebro ainda não tem arquivo de palavras suficientes para se expressar, porém, na dúvida e diante da angústia das crianças em se expressar vale a pena a opinião de um profissional.

Isso acontece porque a criança quer se expressar, mas ainda não tem o vocabulário necessário para a conclusão da ideia. Essa fase deve desaparecer até 4 ou 5 anos de idade. Caso a gagueira persista a chance de termos um adulto gago é grande. Tem o exemplo do atual filme “O discurso do Rei” .

Quando se preocupar? Quando houver histórico familiar de adultos gagos na família. Quando perceber que a criança está se isolando dos amiguinhos e que isso está a deixando constrangida. Na dúvida procure um fonoaudiólogo para diagnosticar se trata-se de uma fase normal ou patológica.

A gagueira é considerada um distúrbio da fluência da fala estando codificada no Código Internacional de Doenças (CID), portanto passível de tratamento. Há tantos casos que foi instituído o dia Nacional de Atenção à Gagueira – 22 de outubro.

Quais as causas da gagueira? Ainda não temos a causa totalmente desvendada e é múltipla e complexa na sua natureza. Os achados de pesquisas mais recentes têm mostrado o envolvimento dos sistemas neuromotor e neurofisiológico na produção de uma fala gaguejada. Atualmente, poucos especialistas concordam com a ideia de uma causa totalmente psicológica, embora stress, frustrações, vergonhas, sentimento de inadequação, entre outros, colaborem para aumentar ou manter a gagueira, mas não sendo absolutamente a única causa desta patologia.

Márcia Celine Rocha de Luca
Fonoaudióloga – CRFA- 6739
Especialista em Voz
Especialista em Liderança

Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem e em PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná) Centro de Treinamento Autorizado pelo Hadassah Wizo-Canada Reserach Institute e pelo ICELP - The Internacional Center for the Enhancement of Learning Potential, Jerusalém - Israel. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem. Autora do e-book: "Mamãe, deixe-me crescer" e idealizadora da Revista Psicosol. Ama ler e tem levado bem a sério a sua brincadeira de escrever.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *