Categoria: Artigos

  • Como desmotivar pessoas

    Como desmotivar pessoas

    Olá! Abrimos este espaço para autores convidados. Não iremos interferir na liberdade de expressão dos mesmos. Portanto, esperamos que os autores fiquem à vontade para expor suas ideias sobre educação, mesmo se estas não representarem a nossa opinião.

    Muito obrigada!

    Solange Moll Passos

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    COMO DESMOTIVAR PESSOAS

    Prof. Chafic Jbeili

    Então vamos lá! Em protesto à cultura anti-educacionista, vou ensinar em três passos como tirar a paz e acabar com o ânimo das pessoas. Depois de escolher a vítima do dia, fazer o seguinte:

    Primeiro: Faça comparações! 

    Compare a pessoa com outras pessoas que você e ela conheçam. Diga o quanto as outras pessoas são melhores e fazem tudo mais perfeito do que ela. Se for seu marido, compare-o com os gentis maridos de suas colegas. Se for seu filho diga a ele o tanto que o filho da vizinha é mais organizado, obediente, educado e prestativo. Se for um colega de trabalho recém-chegado, lembre-o de como o colega anterior fazia a mesma coisa de forma mais rápida e muito mais eficiente! Procure pessoas perfeitas e depois compare, compare, compare copiosamente!

    Segundo: Faça cobranças! 

    Cobre presença, cobre interação, cobre satisfação, cobre feedback, cobre mais pontualidade, cobre mais empenho, cobre mais dedicação, cobre mais compromisso, mais educação, cobre mais atenção, cobre mais resultados, cobre notas mais altas, cobre mais presentes, cobre mais serviço, mais agilidade, cobre mais cuidado, cobre mais e mais. Faça-a pensar o tanto que ela é insuficiente em tudo! Enfim, cobre tudo que você lembrar. Cobre, cobre, cobre intensamente!

    Terceiro: Depois de comparar bastante e cobrar muiiiiiito, agora Rejeite sem dó!

    Diga a pessoa que ela não é a pessoa ideal para sua vida ou para aquele trabalho ou tarefa e que está “muito decepcionada” com ela. Rejeite a presença dela, ignorando-a enquanto expõe idéias ou converse ao mesmo tempo em que ela fala. Rejeite a boa vontade dela e diga que “não precisa se preocupar”, pois você dá conta. Rejeite a opinião dela maneando a cabeça, enquanto ela fala. Rejeite suas justificativas, sorrindo cinicamente e dizendo que “não adianta se explicar”, pois você já entendeu tudo. Rejeite a ajuda dela dizendo que ela pode “ir fazendo outra coisa”. Rejeite a amizade dela, esquivando-se do abraço e do aperto de mãos oferecidos. Rejeite-a intensamente fingindo que nem a vê e por isso ela “já morreu” para você. Enfim, rejeite, rejeite, rejeite com força!

    Dificilmente um cônjuge, um filho, um colega de trabalho ou seja lá quem for ficará de pé e emocionalmente estável depois de ser copiosamente comparado, intensamente cobrado e nitidamente rejeitado. Não tem quem resista a este tripé maquiavélico! é bater e valer!

    Advertência: Só tem um probleminha básico para quem resolver aplicar esta receitinha: Todo sentimento que alguém provoca em outras pessoas, mais cedo ou mais tarde também voltará para si, com força! Que sentimento você tem aflorado nas pessoas? Afinal, quem não está gostando do “eco” que está ouvindo, precisa mudar o “som” que está emitindo.

    O autor é Especialista em Psicopedagogia Clínica pela FACETEN/RR; psicanalista clínico pelo Instituto IMPAR; autor do livro Superando o Desânimo; membro fundador da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática do Distrito Federal; professor convidado dos cursos de pós-graduação em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior do Instituto Educacional Multidisciplinar de Brasília – IMPAR e das Faculdades Santo Agostinho de Montes Claros; autor e tutor de diversos cursos nas modalidades presenciais e a distância pela UnicEAD.
  • Interdição Progressiva do Corpo de Joãozinho

    Interdição Progressiva do Corpo de Joãozinho

    Olá! Abrimos este espaço para autores convidados. Não iremos interferir na liberdade de expressão dos mesmos. Portanto, esperamos que os autores fiquem à vontade para expor suas ideias sobre educação, mesmo se estas não representarem a nossa opinião.

    Muito obrigada!

    Solange Moll Passos

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    INTERDIÇÃO PROGRESSIVA DO CORPO DE JOÃOZINHO[1]

    Irene Debarba

    Joãozinho é um menino alegre e ativo. Desde muito pequeno evidenciou sinais de esperteza, inteligência e vivacidade.

    Atualmente, com cinco anos, aproveita seu tempo ao máximo e no término de cada dia, lamenta por ter que ir para a cama.

    Ele joga futebol com os meninos da rua, no campinho próximo a sua casa. Também empina pipa, brinca com seus carrinhos (transformando o quintal de sua casa em cenários diversificados). Adora subir nas árvores, pendurar-se em seus galhos, inventar brinquedos com pedaços de pau, latas, barbante, tampinhas, etc.

    Dificilmente vê-se Joãozinho dentro de casa. Quando está em frente à TV, raramente observa-se Joãozinho parado. Simultaneamente, presta atenção aos programas e brinca de pular corda, realiza gestos imitativos aos vistos nos desenhos, repete palavras ou frases pronunciadas por seus heróis, enfim, movimenta-se e até, de certa forma, interage com os programas assistidos.

    Joãozinho está prestes a iniciar uma nova etapa de sua vida. Em breve, completará seis anos e ingressará no primeiro ano do ensino fundamental. Ele acalenta inúmeras expectativas com relação à escola. Seus pais lhe disseram que ela lhe viabilizará um futuro melhor. Melhor que o deles, que a frequentaram muito pouco, por falta de oportunidade. Joãozinho não faz ideia de como o futuro possa ser ainda melhor. Ele já é tão feliz! Mesmo assim, fica pensando em como será bom aprender coisas diferentes, como será maravilhoso poder ler tudo que está escrito nas placas do seu bairro, nos anúncios da TV, nos seus poucos brinquedos comprados. Saber ler o que está escrito no único livro existente em sua casa: a Bíblia.

    Bem, o tempo passou e Joãozinho está impecável. Sua mãe trabalhou muito como diarista e seu pai na função de pedreiro, para poderem comprar tudo o que foi solicitado na lista de material. Seu uniforme está completo. O que mais incomoda Joãozinho são seus tênis. Estava acostumado a andar descalço. Mas está feliz… envaidecido. Achou-se tão bonito ao observar-se no espelho.

    Seus pais, orgulhosos, o levam à escola. Joãozinho não a imaginava tão grande. Logo lhe chamam a atenção o campo de futebol e o parquinho.

    – Nossa! – pensa ele. – Quanto espaço para brincar com o Paulo (amigo que também está ingressando na escola).

    Joãozinho ainda não conhecia as regras da escola. Era proibido correr. Somente poderia fazê-lo durante as aulas de educação física, quando a professora autorizasse.

    O sinal bate e Joãozinho entra na sala (na qual irá permanecer quatro horas de seu precioso dia). A professora menciona que no primeiro dia podem sentar-se onde preferirem. Joãozinho olha ao seu redor e vê tantas crianças. Pensa:

    – Puxa, vai ser divertido brincar com essa molecada!

    A professora interrompe seus pensamentos informando aos alunos que aprenderão muita coisa importante. O ABC, os números, escrever, fazer continhas, etc.

    Era tudo o que Joãozinho queria… aprender! Tinha sede de aprender. Já sabia muito sobre a profissão de seu pai, observando-o quando o acompanhava ao serviço. Também conhecia os afazeres da mãe e desempenhava com responsabilidade sua quota de tarefas. Não era de dar trabalho, exceto, pelas muitas vezes que chegou em casa com arranhões, “galos”, hematomas, enfim, uma série de machucados resultantes de suas peraltices.

    Após uma breve conversa, em que a professora explica o que irão estudar durante aquele ano, todas as crianças apresentam-se, dizendo seus nomes e idades. Posteriormente, ela solicita que peguem o caderno de atividades. Joãozinho nunca tinha escrito num caderno pautado. Ele já havia rabiscado em pedras, tábuas, jornais, papéis velhos…

    A professora desenha no quadro a letra “A” e informa que aprenderão as vogais, iniciando pela vogal “A”. Mostra o movimento correto para traçá-la e pede-lhes que a façam no caderno. Joãozinho tenta, conseguindo fazer algo semelhante. Ocupa várias linhas.

    Enquanto isso, a professora passa de carteira em carteira para verificar se as crianças conseguiram. Ao chegar na carteira de Joãozinho, diz-lhe:

    – Joãozinho! A letra não pode passar fora da linha! Apague e tente novamente.

    Meio decepcionado, atendeu ao pedido da professora, realizando inúmeras tentativas, sem sucesso. Acaba rasgando a folha de tanto apagar. Finalmente, para pôr fim ao seu tormento, bate o sinal, anunciando a hora do recreio.

    – Oba! – verbaliza ele.

    Corre para o pátio e come seu lanche rapidamente em companhia de seu amigo Paulo. Enquanto lancham, também discutem qual das brincadeiras realizarão primeiro. Resolvem ir ao parque. Quando lá chegam, percebem que está vazio e trancado. Dirigem-se velozmente ao campo de futebol. Este está repleto de crianças, mas nem sinal de bola. Informam-se com colegas e descobrem que é proibido jogar futebol na hora do recreio. Só lhes resta a opção do pega-pega. Assim, aproveitam os últimos minutos.

    Retornando à sala, a professora pede-lhes que façam uma fila em frente à porta. Passando de um a um, para ao lado de Joãozinho, dizendo-lhe:

    – Joãozinho, o que é isso! Todo suado e sujo! Ah! Já sei, você correu. Você não sabe que é proibido correr durante o recreio? Claro! A culpa é minha que não lhes ensinei as regras da escola. Vamos entrar na sala, fechar os cadernos e durante o resto desta manhã, vou lhes ensinar todas as regras desta escola. E prestem muita atenção, pois quem for pego correndo ficará sentado durante o recreio no dia seguinte. Certo?

    E assim foi. O restante da manhã os alunos permaneceram sentados e a professora registrou em papel pardo uma série de normas a serem cumpridas. Tudo o que não podia ser feito ficou em evidência.

    Joãozinho vai para casa entristecido… decepcionado. Os pais o aguardam ansiosos para saber como foi o primeiro dia na escola. Ao ser indagado, Joãozinho não sabe o que responder. Então fala:

    – Foi mais ou menos – dirigindo-se ao seu quarto.

    Os pais de Joãozinho estranham sua atitude. Depois de conversarem melhor com ele, concluem que irá se acostumar com a nova rotina. Até então, só havia brincado. Agora, “tinha que dar duro” para vencer na vida. Disseram-lhe que a vida não é fácil e que precisaria se esforçar mais e parar de pensar só em brincadeira. Também lhe afirmaram que daquela data em diante, tudo seria diferente. Uma nova etapa de sua vida havia começado: a de estudante!

    Joãozinho é um menino obediente e valoriza a opinião dos pais. Conclui que eles devem estar certos.

    Os dias que se seguem na escola não são muito diferentes do primeiro. No tempo em que os alunos permanecem na sala ficam, a maior parte, sentados. Escrevem muito, geralmente copiando os exercícios e resolvendo-os. Também desenham, recortam e pintam. Algumas vezes, a professora propõe trabalhos grupais; em outras, atividades corporais, jogos, brincadeiras, com o objetivo de “entreter” as crianças. No entanto, estes momentos lúdico-corporais são geralmente adotados em “datas especiais” às crianças; tais como: festa junina, dia do estudante, dia da criança. A professora justifica a pouca frequência deste tipo de atividade em decorrência do excesso de conteúdos a serem trabalhados durante o ano letivo. Também acredita que atividades corpóreas sejam pertinentes a área específica de educação física.

    Joãozinho aprendeu a escrever dentro da linha, todavia, apresenta dificuldade para identificar as letras do alfabeto ensinadas. Comenta com os colegas que quando a professora permite fazer as tarefas em grupo ou quando proporciona ações pedagógicas pouco mais dinâmicas, parece-lhe tudo mais fácil de aprender. Lamenta que ela lance mão de recursos lúdicos somente no término das aulas, enquanto aguardam pelo sinal. Durante o tempo que permanece sentado, seu corpo reclama por movimentos. Gostaria de poder andar, se espichar, correr… A professora percebe sua inquietação e pergunta-lhe, às vezes:

    – Tem formiga na cadeira Joãozinho? Vê se fica parado! Assim você não consegue fazer nada direito, muito menos aprender o alfabeto. Você tem que prestar mais atenção, Joãozinho! É para o seu bem.

    Joãozinho respeita enormemente seus professores e tenta, sem muito êxito, ficar mais parado, concentrado. Já consegue desenhar as letras bem redondinhas, como as da professora. O que não consegue é gravar seus nomes, juntar as letras, formar as sílabas… Em casa os pais tentam ajudá-lo, fazendo-o escrever o alfabeto inúmeras vezes. Eles se questionam por que Joãozinho “tem cabeça boa” para aprender tanta coisa e na escola não vai bem. A professora lança mão de tudo o que sabe para ajudar Joãozinho. Chega a pensar que ele não aprende porque é um menino hiperativo. Encaminha-o para avaliação médica. O diagnóstico indicou que Joãozinho não tem nada. A mãe considera a possibilidade de que Joãozinho esteja com vermes. Ouviu falar que criança com vermes fica agitada. Ministra-lhe uma dose do remédio, sem atingir o resultado almejado.

    Joãozinho também tem muitas dúvidas. Depois de várias explicações, até entendeu porque não pode durante o recreio correr, jogar futebol ou ir ao parque. Percebeu que o espaço que inicialmente considerou tão grande é limitado para tanta criança, fazendo-se necessárias algumas regras que garantam o bem estar dos alunos e o bom funcionamento da escola. O que ele não entende, por mais que se esforce, é por que a maior parte do seu corpo é proibida na sala de aula. Ele pode utilizar suas mãos para copiar, resolver as atividades, recortar, pintar e desenhar o que a professora sugere. Ele pode utilizar os ouvidos para escutar as orientações e explicações da professora e alguns questionamentos dos colegas. Ele pode usar os olhos para observar o quadro, o caderno, os cartazes e os livros. Ele pode valer-se de sua capacidade de falar para responder à chamada e às interrogações da professora, cantar, fazer perguntas. Às vezes, pode verbalizar suas experiências sem demorar-se. Há muitas coisas importantes a serem feitas.

    – E o resto do corpo? – se questiona Joãozinho. – O que faço com ele? Como posso aquietá-lo? Como posso parar algo que nunca ficou inerte, passivo?

    Joãozinho não entende, mas continua se esforçando, pois acredita que deve haver uma explicação lógica para aquele procedimento.

    Assim, dois anos se passaram e, como diz o velho ditado: “Não há nada que o tempo não possa curar”. Neste caso, parar. Joãozinho aprendeu a dominar seu corpo, aprendeu a reprimir seus desejos, aprendeu a assumir uma posição passiva e receptiva na sala de aula. E, além do fator tempo, com muita insistência, no segundo ano conseguiu alfabetizar-se.

    Joãozinho venceu! Joãozinho é um vencedor! Ultrapassou todos os obstáculos encontrados no caminho da alfabetização.

    A escola venceu! A escola é vencedora! Conseguiu, gradativamente, interditar o corpo de Joãozinho.


    [1] Primeira versão desta narrativa foi elaborada e apresentada na Dissertação de Mestrado da autora no ano de 2003.

    A autora é Graduada em Pedagogia; Especialista em Psicopedagogia, Gestão Escolar, Neuropsicopedagogia e Desenvolvimento Humano; Mestre em Educação.

  • Segurança pública: pior cego é quem mesmo?

    Segurança pública: pior cego é quem mesmo?

    Artigo publicado no JORNAL DE SANTA CATARINA.

    http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,182,3776691,19709

    SOLANGE MOLL PASSOS|PSICOPEDAGOGA

    Possivelmente, neste exato momento em que você lê este texto, lágrimas que denunciam o desespero cobrem a face de alguém. Afinal, a todo instante ouvimos notícias sobre roubos, assaltos, sequestros, mortes… Toda essa tristeza parece sempre estar bem longe de nós. Parece! Isso até ela bater na nossa porta. Até sermos nós a notícia que tanto choca a população.

    Então, onde mora a segurança? Para onde devemos ir?

    Ora, não precisamos ir lá, nem acolá. Estaremos muito melhor protegidos se sairmos do cômodo lugar de expectadores desse circo em que tem se transformado a segurança pública e também se refletirmos sobre os caminhos que podem nos levar a condições melhores de vida.

    Será que somos mesmo tão impotentes para enfrentar o problema? A segurança pública passa antes pela educação com qualidade, por trabalho, diversão… E o que temos feito em nossa comunidade para que as pessoas efetivamente tenham acesso a esses itens?

    A bem da verdade, cada vez mais deixamos de nos preocupar com o outro. Fechamo-nos em nossas casas, cada um cuidando de si e dos seus. Tudo bem que não precisamos nos plantar à janela para bisbilhotar a vida alheia, porém, o outro lado dessa moeda, ou seja, ao nos despreocuparmos com a vida alheia, também não é nada salutar para a sociedade.

    Citando Gonzaguinha: “nós podemos tudo, nós podemos mais”. Precisamos cobrar insistentemente dos governantes, eleitos e pagos por nós, ações que realmente venham a nos deixar mais tranquilos e seguros, e também, a pôr em prática ações para fazermos a diferença em nossa comunidade.

    Por fim, o pior cego aqui é aquele que prefere não ver para nada precisar fazer.

  • Tem que arrepiar!

    Tem que arrepiar!

    Inicio este texto já colocando o dedo na ferida ao dizer que você é responsável por suas escolhas. Portanto, se o seu trabalho não está proporcionando satisfação é porque está na hora de refletir o que fez você escolher tal atividade. Buscando a fonte da escolha poderá repensar um novo caminho e então recomeçar. Recomeçar, Solange? Sim, é melhor do que ficar eternamente reclamando. Ou será que essa é sua opção: ficar reclamando?

    Pior, quem está fazendo o que não gosta geralmente contamina as pessoas ao seu redor. E tem que ser forte para trabalhar com alguém de mau humor e infeliz.

    Todo profissional precisa sentir emoção com seu trabalho, sentir-se útil, ter aquele arrepio ao final do dia, algo do tipo: puxa que legal, valeu! Do contrário a vida se encarregará de lá na frente trazer grandes frustrações decorrentes da própria irresponsabilidade diante da vida, diante das escolhas mal feitas.

    O mundo vive em constante evolução (que novidade!) e para acompanhar precisamos crescer com nosso trabalho. Para isso é necessário muitas vezes romper paradigmas, deixar de lado conceitos antigos e obsoletos. Para crescer é necessário romper!

    Espero que indiferente das escolhas (me incluo), possamos dar nossa contribuição para um mundo melhor, encarando os medos como desafios que podem ser superados, com mais respeito ao diferente, sendo mediadores do bem, com ética, compaixão, e tendo e transmitindo muitos, muitos arrepios!

    Ui… Fiquei arrepiada!

    Boas escolhas!

  • O modelo de escola ideal já foi pensado!

    O modelo de escola ideal já foi pensado!

    Artigo publicado no JORNAL DE SANTA CATARINA.

    http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,182,3657908,18956

    SOLANGE MOLL PASSOS|PSICOPEDAGOGA

    A escola ideal já foi pensada, discutida e colocada no papel por muitos autores. Mas a escola que temos atualmente, na prática, é a “ideal” que foi pensada?

    Muito bem, mais um ano letivo se inicia, e com ele mais uma oportunidade de se fazer diferente. Que produtivo seria se o ano já iniciasse com os papéis da família e da escola bem entendidos e definidos! Então, ficaria mais ou menos assim: a família estaria ciente que “educação começa em casa”. Portanto, assumiria, acompanharia e incentivaria o desenvolvimento emocional e cognitivo dos seus filhos.

    E a escola tomaria conta das rédeas do conhecimento, e efetivamente deixaria de ser uma repassadora de informações. Esse conhecimento estaria formando seres humanos mais completos e consequentemente promoveria uma interferência significativa no mundo. E a partir daí, o professor seria merecidamente reconhecido como autoridade pelo que sabe e não pelo autoritarismo.

    Nada do que foi escrito aqui é tarefa fácil de executar, simples e colorida, mas, se de fato quisermos, devemos nos mover para torná-la possível! Sem culpar esse ou aquele. Apenas cada um fazendo a sua parte do que é preciso ser feito.

    Pensando bem, quem sabe possamos ousar mais e ir além do que é preciso fazer, sem esperar que o outro o faça.

    Todos almejamos uma vida melhor, mais justa, com igualdade social. Para isso precisamos do esforço e empenho de cada indivíduo que compõe a grande teia a qual chamamos de sociedade. Todos têm sua tarefa a cumprir, indiferente de qual lado esteja. E a escola ideal? Ah, essa deixaria de ser uma utopia!

    SOLANGE MOLL PASSOS|PSICOPEDAGOGA

  • Palmadas. . .

    Palmadas. . .

    É possível que diante desse assunto tão polêmico críticas venham de todos os lados: dos que aprovam, dos que abominam e dos que têm dúvidas. Mas quem escreve se posiciona e precisa estar preparado, e talvez por isso poucos se atrevam. Então vamos lá… já que pouco a pouco tenho me tornado bem atrevida(!)

    Educar exige dos pais mais que amar seus filhos. Exige também atitude de saber dar limites e frequentemente exercitar o vocabulário. Palmadas não resolvem! Até pode parecer resolver, em um primeiro momento, como jogar um “balde de água fria”. No entanto, o que vai realmente fazer a diferença é a segurança dos pais diante de algo que deve ser corrigido.  Tem pai que bate e, em seguida, cede às vontades e birras dos filhos. Vira uma banalidade. A criança é capaz de olhar para o pai e dizer: “Nem doeu!”

    É impossível acreditar em uma educação com receita porque o que vale para uma criança, não vale para outra. O bom senso e a sensibilidade para perceber que cada ser reage de maneira diferente diante dos estímulos que recebe é essencial.

    Para quem cogita a ideia de ter um filho é imprescindível tomar consciência de que precisa praticar o respeito, o olho no olho, a segurança e a firmeza na cobrança do que deve ser corrigido, e, também, no seu dia a dia preocupar-se em dar bons exemplos, porque criança aprende muito mais com as nossas ações que com nossas palavras.

    Agora, há palavras que podem ferir e marcar tanto ou mais que palmadas. Na verdade, às vezes basta um olhar!

    Por fim, agradeço ao nobre advogado Leandro Foster pela sugestão do tema.

  • O assunto é. . . superproteção!

    O assunto é. . . superproteção!

    Qual mãe ou pai em seu íntimo, em algum momento, já não disse: mexeu com meu filho, mexeu comigo. Ok, tudo bem. Pais que se prezam protegem a sua cria. Seria inadmissível pensar o contrário. Mas o que queremos abordar aqui é algo de maior proporção, é o desequilíbrio. O que vai além da conta: a superproteção. Porque criança superprotegida é insegura, frágil e muito, muito infeliz! Então, este assunto merece sim ser pensado, refletido, discutido.

    Também cabe salientar, que não estamos indo para o outro extremo, que é o de pais relapsos e omissos, que infelizmente também existe. Na nossa Constituição Federal, o Art. 229 diz: “Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores []”. Isso não há o que discutir (Nossa, e ainda há lei para garantir isso!!!). É evidente que devemos cuidar, orientar, auxiliar, socorrer, resguardar nossos pimpolhos.

    Agora, a superproteção pode fazer tão mal quanto a falta de proteção.

    Sendo assim, cabe a nós nos policiarmos (me incluo porque sou mãe), e quando estivermos passando do limite da proteção para o estágio super… hiper… é hora de apertar o botão “stop” e respirar. Há um ditado antigo que diz: O que não mata, engorda. Se pensarmos em nossa própria vida iremos perceber que os maiores crescimentos aconteceram diante de desafios.

    Para nós, os nossos filhos são especiais, e mesmo fazendo cacas a gente é capaz de olhar e dizer: – Ai que lindooo!

    No entanto, é preciso que estejamos conscientes que a vida não terá “dó” deles, e, para que sejam especiais para o mundo, é um espaço que cabe a eles conquistar! Primeiro se sentido capazes. Nessa caminhada podemos acompanhá-los, mas não andar por eles.

    Por fim, como mãe, tenho plena consciência que escrever este texto foi muito mais simples que praticá-lo (hehehe), mas é necessário!

    Conheça o nosso e-book:

  • Tarefa escolar: xiiii, como ajudar meu filho?

    Tarefa escolar: xiiii, como ajudar meu filho?

    O-lá!

    Acompanhar as tarefas escolares dos nossos filhos é muito importante para contribuir no processo de aprendizagem deles. Especialmente, nos primeiros anos. Vou deixar algumas sugestões que são provenientes de experiência prática como mãe e também como profissional da área da educação.

    Número Um: Organizar um espaço próprio para estudo.

    De preferência, um lugar bem arejado, iluminado, longe de barulhos e objetos que possam tirar a atenção. Sendo assim, se possível, deixe sobre a mesa apenas o que for necessário e importante para a realização da tarefa.  

    Observação: Algumas crianças se sentem mais confiantes quando fazem as tarefas acompanhadas de algum brinquedo preferido. Nestes casos, você pode fazer um combinado, ou seja, permitir, mas deixando claro que este é um momento de realização de tarefa e que ela precisa focar no que é preciso ser feito.

    Número Dois: Combinar horário para tarefas e estudo diário

    É recomendável que o horário seja negociado com o seu filho para evitar que este momento seja transformado em castigo. Por exemplo, não será uma boa estratégia programar justamente no horário que ele mais gosta de brincar com os amigos no parque.

    Após as tarefas é sempre importante ter um tempo (20 ou 30 minutos) para revisar alguma matéria ou fazer uma pesquisa que for do interesse.

    É importante que fique claro que o hábito de estudo é para aprender e não para se preparar para as provas. Agora, com uma rotina de estudo diário quando chegar o momento da prova ele vai estar  mais preparado.

    No início as crianças geralmente reclamam, fazem corpo mole, mas após criarem o hábito tudo ficará mais fácil. 

    Número Três: Registrar as dúvidas

    Quando tem algum assunto que a criança não tenha entendido direito ajude ela a pesquisar ou perguntar para o professor em uma próxima aula.

    Observação: Os professores, geralmente, gostam muito de aluno que faz perguntas. Demonstra que ele tem interesse em aprender. E o aluno pode até apresentar dificuldade, mas se é esforçado, sempre é um ponto positivo.   

    Número Quatro: Ajude apenas o necessário

    Você deve auxiliar para que ele chegue à resposta e não dizer a resposta. Então, por exemplo, se ele precisa resolver um problema de matemática, deixe-o fazer suas tentativas primeiro e se a resposta não for correta tente entender qual raciocínio o fez chegar ao resultado e só então corrija sua linha de pensamento.

    Outro exemplo, supondo que a tarefa seja escrever um texto, deixe-o escrever do jeito que consegue. Elogie a produção, o esforço, independentemente de você ter uma expectativa que fosse melhor. Após, faça as observações que achar necessário.

     Número Cinco: Em momentos de crise é melhor esfriar a cabeça

    Você é o adulto, então é você que deve dar o exemplo!

    Se por acaso você perceber que está ficando nervoso(a), o melhor é ser claro com o seu filho dizendo que precisa tomar uma água, ou um leite, enfim, qualquer coisa é melhor do que transformar esta hora em algo estressante.

    Os filhos conseguem entender quando a verdade é dita com jeito e carinho.

    Número Seis: Exceções

    Supondo que um dia os amigos combinaram um cinema justamente no horário agendado para  estudo. Claro que é possível liberar.

    Entretanto, a exceção não pode virar regra porque senão bye bye programação.

    No outro dia é imprescindível retomar a rotina.

    Número Sete: Prepare-o para a autonomia

    Pouco a pouco deixe seu filho fazer as tarefas sozinho e diga para chamar caso precise.

    Outro dia uma mãe me perguntou:

    – Sol, porque meu filho não quer mais que eu faça as tarefas com ele?

    Respondi com outra pergunta:

    – Por que você ainda quer fazer as tarefas com ele?

    Se a criança não quer, é possível (precisa ser investigado!) que já não precise mais.

    E por fim, após terminar as tarefas combine de organizar a mochila para o outro dia. Esta é uma maneira de garantir que não vai esquecer nada.

    Espero que as informações compartilhadas tenham contribuído de alguma forma. Vou amar saber!

    Aqui neste site eu compartilho várias ideias para deixar o caminho da alfabetização mais divertida e suave. É o caso do jogo Bate Certo. Você já conhece? Abaixo segue link para mais detalhes 😉

  • Autismo: Desafios e Reflexões em Meio ao Aumento de Casos

    Autismo: Desafios e Reflexões em Meio ao Aumento de Casos

    O-lá!

    Até bem pouco tempo, raramente se ouvia falar em autismo, não é mesmo? Isso porque era considerada uma disfunção muito rara. No entanto, estudos recentes divulgados em 2023 indicam um aumento significativo no número de casos, com uma ocorrência a cada 36 crianças. Surge a dúvida: será que houve um aumento real de casos, ou os estudos sobre autismo e diagnósticos mais acessíveis estão alcançando a população até então desassistida? Este é um dos pontos que vamos explorar neste texto.

    Contextualizando Estatísticas:

    As estatísticas mencionadas anteriormente provêm do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), órgão de saúde dos Estados Unidos. Vale notar que esses dados geralmente são divulgados com pelo menos três anos de atraso em relação ao período de coleta, ou seja, este estudo é de 2020.

    É importante salientar que, mesmo sem dados estatísticos específicos para a população brasileira, é viável utilizar as estatísticas do CDC como ponto de referência para compreender o que está acontecendo em nosso país.

    Explorando o Aumento de Casos:

    Alguns podem sugerir que enfrentamos uma epidemia ou que o autismo “virou moda”. No entanto, o aumento no número de casos pode ser explicado quando estudos evidenciam que o autismo sempre fez parte da nossa sociedade, mas anteriormente era erroneamente confundido com outras condições, como a esquizofrenia.

    Além disso, a escassez de informações era um fator contribuinte para a subnotificação de casos. Atualmente, pais, profissionais da saúde e educadores estão consideravelmente mais bem informados, embora seja importante ressaltar que isso não implica que as informações disponíveis sejam totalmente abrangentes.

    Complexidade Genética e Diagnóstico:

    A causa do autismo ainda não está clara. Conforme Gadia (2007, p. 426) observa: “Hoje se sabe que o autismo é um transtorno genético complexo que ainda deve ser mais esclarecido.”

    O autismo é um espectro de um distúrbio, e a avaliação é multidisciplinar. Não é possível, por exemplo, diagnosticá-lo por meio de exames laboratoriais. O primeiro profissional que pode auxiliar a família é o pediatra, ao ouvir dos pais, entre outras queixas, que o filho tem pouco contato visual, está apresentando atraso no desenvolvimento da fala, não responde quando seu nome é chamado, prefere brincar sozinho (às vezes até fica junto de outras crianças, mas não interage com elas), apresenta movimentos repetitivos, estereotipados (como balançar e girar os dedos, agitar as mãos ou a cabeça), tem reações perceptíveis a sons, luzes, toques e até texturas de roupas e alimentos (que, inclusive, pode dificultar a troca do leite pelos primeiros alimentos sólidos).

    Além disso, a criança pode apresentar rituais fixos, dificuldade em lidar com quebras de rotina e imprevistos, propensão a enfileirar objetos e um interesse persistente e intenso em um tema ou objeto específico. Esse interesse pode perdurar por períodos prolongados, variando de anos, meses a semanas, antes de ser substituído por outro tema ou objeto.

    Diversidade no Espectro Autista:

    Vale salientar que a presença de alguns desses comportamentos em uma criança não implica necessariamente autismo. Além disso, esses comportamentos não são universais em todos os indivíduos autistas e podem existir outros não mencionados. Respeitar a singularidade de cada criança autista é crucial, dada a diversidade do espectro, com comportamentos variando amplamente entre pessoas. Por exemplo, meu filho é autista, mas não exibia o comportamento de enfileirar objetos na infância. Assim, destaco a importância de uma avaliação multidisciplinar criteriosa. Diagnósticos rápidos… eu desconfiaria!

    Importância da Intervenção Precoce:

    É fundamental buscar a expertise de profissionais especializados no campo do autismo, como neuropediatras, fonoaudiólogos, neuropsicólogos e psicopedagogos, entre outros, a fim de iniciar precocemente intervenções essenciais. Ressalto a importância de selecionar profissionais que tenham dedicado tempo e esforço ao estudo específico do autismo.

    Embora alguns especialistas possam ser excelentes em suas áreas, aqueles que não se dedicam especificamente ao autismo podem enfrentar desafios no diagnóstico e na implementação de intervenções, comprometendo assim o processo essencial para o desenvolvimento pleno das crianças. Além disso, é imperativo que esses profissionais também demonstrem sensibilidade e empatia, pois essas qualidades desempenham um papel fundamental no estabelecimento de vínculo e no suporte efetivo às necessidades das crianças autistas.

    Variedade de Abordagens e Respeito à Singularidade:

    A ciência ABA tem sido amplamente divulgada como a única capaz de trazer resultados positivos, gerando opiniões divididas entre aqueles que a apoiam e os que a contestam.

    Como psicomotricista relacional, defendo que essa abordagem também é excelente e sugiro verificar se há profissionais desta área em sua cidade.

    De qualquer modo, em minha modesta opinião, é essencial investigar o histórico do profissional encarregado de atender a criança, buscando referências confiáveis. Independentemente da escolha da abordagem, é preciso adaptar a intervenção para atender às necessidades individuais de cada criança. Como ressaltado por Sacks (1997, p. 251): “O abstrato, o categórico, não é do interesse da pessoa autista – o concreto, o particular, o singular é tudo.”

    Perspectivas Positivas e Compreensão:

    É essencial refletir sobre a propensão humana em buscar falhas, mesmo quando há inúmeras possibilidades a serem descobertas. Grinker (2010, p. 296), antropólogo e pai de uma criança autista, destaca essa complexidade ao afirmar: “[…] com frequência é difícil compreendermos que o que precisamos tornar visível não é a escuridão, mas a luz.”

    Por isso, não devemos temer o diagnóstico e nem romantizar. Lidar com a verdade é, de fato, a melhor maneira de encontrar meios para enfrentar os desafios.

    No processo de avaliação do progresso, torna-se crucial evitar comparações diretas entre crianças, pois isso pode destacar apenas suas deficiências. Contudo, ao optarmos por analisar o desenvolvimento de uma criança em relação a si mesma, abrimos as portas para a descoberta de um vasto mundo de possibilidades.

    Encerro este texto com uma citação de Grinker (2010, p. 212), que, para mim, mãe atípica, carrega grande significado: “Em uma família onde o autismo está presente, as expectativas são diferentes, os acontecimentos têm significados distintos e há até mesmo um tipo de felicidade diferente.”

    REFERÊNCIAS:

    BARNETT, Kristine. Brilhante: a inspiradora história de uma mãe e seu filho autista. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

    GADIA, Carlos.  Aprendizagem e autismo. In: ROTTA, Newra Tellechea; et al. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.

    GRINKER, Roy Richard. Autismo: um mundo obscuro e conturbado.  São Paulo: Larousse do Brasil, 2010.

    ROBISON, John Elder. Olhe nos meus olhos: minha vida com a Síndrome de Asperger. São Paulo: Larousse, 2008.

    SACKS, Oliver. O homem que confundiu sua mulher com um chapéu. 13. reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

    TENENTE, Luiza. 1 a cada 36 crianças tem autismo, diz CDC; entenda por que número de casos aumentou tanto nas últimas décadas. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2023/04/02/1-a-cada-36-criancas-tem-autismo-diz-cdc-entenda-por-que-numero-de-casos-aumentou-tanto-nas-ultimas-decadas.ghtml. Acesso em: 31/10/2023.

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    Observação: Este texto foi revisado e atualizado em maio de 2025 para refletir informações mais recentes.

  • Consciência Fonológica

    Consciência Fonológica

    O QUE É? É a aptidão para refletir e mobilizar conscientemente os sons da fala.

    Seu desenvolvimento é de suma importância para sujeitos em processo de alfabetização. Seja ele criança, adolescente ou adulto. Inclusive, segundo pesquisas realizadas – dentre elas, as de Alessandra G. S. Capovilla e Fernando C. Capovilla (2000), “Efeitos do treino de consciência fonológica em crianças com baixo nível sócio-econômico” -, ficou evidenciado que os indivíduos que passam por um treino para desenvolver a consciência fonológica têm seu desempenho aumentado no processo de alfabetização em relação aos indivíduos que não tenham passado por esse treino.

    Há diferentes níveis de consciência fonológica, dentre eles estão: consciência de rima, consciência de aliteração, consciência de sílabas, consciência fonêmica. Estudos evidenciam que alguns destes níveis podem ser adquiridos espontaneamente, enquanto que outros têm necessidade de ensino formal. É o caso da consciência fonêmica que, inclusive, é um dos últimos níveis alcançados. O aprendiz quando chega neste nível, possivelmente, estará apresentando hipótese de escrita alfabética. 

    Um outro estímulo importante para que o aprendente consiga compreender o princípio alfabético, ou seja, que as letras que constituem nossa língua escrita representam os sons individuais da nossa língua falada, é o conhecimento da relação fonema x grafema.

    A consciência fonológica e o conhecimento das correspondências entre grafemas e fonemas estão para a alfabetização assim como as vitaminas e sais minerais estão para a saúde. (CAPOVILLA e CAPOVILLA, 2007, p. xvi)

    Todo espaço alfabetizador precisa ter constantemente estímulos que favoreçam a compreensão por parte do aprendente que a escrita tem relação direta com a nossa fala.

    Soares (2016, p. 124) afirma:

    Para aprender a ler e escrever é necessário que o aprendiz volte sua atenção para os sons da fala, e tome consciência das relações entre eles e a sua representação gráfica […]

    Portanto, é preciso que o professor alfabetizador busque um conhecimento aprofundado sobre este tema através de literaturas específicas para poder facilitar a caminhada em busca da leitura e da escrita. Com certeza os jogos e brincadeiras com este intuito têm muito a contribuir.

    Finalizo este texto na expectativa de que as informações aqui compartilhadas tenham de alguma forma contribuído.

    Um forte abraço

    REFERÊNCIAS:

    CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra; CAPOVILLA, Fernando César. Problemas de leitura e escrita: como identificar, prevenir e remediar numa abordagem fônica. 5. ed.  São Paulo: Memnon, 2007.

    CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra; CAPOVILLA, Fernando César. Efeitos do treino de consciência fonológica em crianças com baixo nível sócio-econômico. Scielo Brasil, Porto Alegre, 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0102-79722000000100003&script=sci_arttext>. Acesso em 08 fevereiro 2011.

    SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016.

    Aqui no site eu compartilho vários jogos que podem contribuir no desenvolvimento da consciência fonológica. Um exemplo é o jogo Revele a palavra (som inicial). Clique no link abaixo para mais detalhes.