2nd maio 2010

A Professora diz: “Não sossega, é impulsivo, não presta atenção, está sempre metido em confusão.”

Algumas pessoas comentam: “Se fosse meu filho, eu mostrava quem é que manda. Isso é falta de chinelo na bunda!

Os pais desabafam: “Não sabemos mais o que fazer.”

Esses relatos são comuns vindos de pessoas que convivem com crianças com TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.  Como o próprio nome diz: transtorna a vida da pessoa. E cabe ressaltar que o transtorno não é só escolar, mas também em casa, no trabalho, nas amizades, enfim, afeta a vida do indivíduo em sua totalidade.

TDAH é um dos transtornos mais estudados no mundo. Segundo especialistas, o controle na liberação de substâncias químicas, entre elas dopamina e noradrenalina, estão alterados. Essas substâncias são neurotransmissores que atuam principalmente no lobo frontal do cérebro.

É também frequente que pais se reconheçam nas atitudes do filho, porque se trata de um transtorno com predisposição genética.

No entanto, precisamos de muita cautela ao apontar o dedo para uma criança, dizendo que ela que é hiperativa. Primeiro porque somente o médico pode diagnosticar e também porque podemos erroneamente “rotular” crianças que somente estão apresentando “sintomas” decorrentes, por exemplo, de um esforço para chamar a nossa atenção. Todos temos necessidade de sermos reconhecidos, de ocupar um espaço.  Um adolescente uma vez desabafou: “Já que eu não sou o melhor, então vou ser o pior”. Esta foi a maneira, equivocada, que ele encontrou de ser reconhecido por algo, de pedir socorro.

Um outro ponto que é importante refletir é que a aprendizagem acontece de formas e ritmos diferentes, então, se o conteúdo está muito acima do que a criança tem condições de realizar naquele momento, e se isso se repete diariamente, dia após dia, parece-me evidente que o desinteresse será gerado.

Ai… ai… quanta responsabilidade!

Mas de qualquer maneira, existem algumas formas de lidar com as crianças que podem melhorar a convivência. Vou citar algumas:

  • Discutir individualmente com a criança atitudes inadequadas que devam ser evitadas. É produtivo escolher uma atitude de cada vez;
  • Chamar a atenção discretamente. Todos nós temos dificuldades e certamente não gostaríamos de ser chamados atenção na frente de outros. Por que então fazemos isso com as crianças?
  • Para exigir da criança controle e bom comportamento, precisamos primeiro dar o exemplo.  As crianças aprendem muito mais com o que fazemos do que com o que dizemos. Então gritando e perdendo a paciência vamos estar ensinando o quê?
  • Só prometer o que pode e vai cumprir. De nada adianta ameaçar bater, expulsar de casa, quando você sabe que é seu filho, sua responsabilidade e não vai poder fazer isso;
  • Ninguém é de ferro, e falar certamente é sempre mais fácil. Mas vamos ser sinceros, têm dias que a gente não está bem, então vale a dica: evite entrar em confronto. E se a situação está insustentável é melhor reconhecer que você precisa de ajuda.

A discussão pode ir longe, e se você que lê este texto quiser dar a sua opinião, estou à disposição.

Em meus atendimentos não atendo o TDAH, atendo a pessoa. E estas – crianças, jovens ou adultos – são tratadas em suas particularidades. A intervenção é realizada com o programa PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental). Procure em sua cidade um profissional que tenha essa formação.

Por fim, encerro este texto com uma frase de Roudinesco apud Fernández (2001): “…muitos sujeitos preferem entregar-se voluntariamente a substâncias químicas a falar de seus sofrimentos íntimos.”

OBRAS CONSULTADAS

BEYER, Hugo Otto. O fazer psicopedagógico: a abordagem de Reuven Feuerstein a partir de Piaget e Vygotsky. Porto Alegre: Mediação, 1996.

FERNÁNDEZ, Alicia. Os idiomas do aprendente. Porto Alegre: Artmed, 2001.

MATTOS, Paulo. No mundo da lua. São Paulo: Casa Leitura Médica, 2008.

SILVA, Ana Beatriz B. Mentes inquietas. Rio de Janeiro: Napades, 2003.

Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem e em PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná) Centro de Treinamento Autorizado pelo Hadassah Wizo-Canada Reserach Institute e pelo ICELP - The Internacional Center for the Enhancement of Learning Potential, Jerusalém - Israel. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem. Autora do e-book: "Mamãe, deixe-me crescer" e idealizadora da Revista Psicosol. Ama ler e tem levado bem a sério a sua brincadeira de escrever.

13 comentários em “TDAH, quem tu és?

  1. Vera Lucia Costa Hank on said:

    Solange…
    Como mãe de um filho diagnosticado com TDAH, posso dizer sinceramente, que muitas vezes tive muitas atitudes erradas em relação a ele. Iniciado o tratamento pude pereceber o quanto ele apresentou melhoras em relação a aprendezagem, concentração e até sua letra melhorou significativamente. É preciso investigar o quanto antes para ajudá-los para que não sofram e também não façam ospais sofrerem.
    Parabéns querida amiga você sempre realiza seu trabalho com muita dedicação e amor.
    Beijos

  2. Tenho um filho assim estas dicas que vc deu vai me ajudar muito com ele espero aprender mais com vc Parabéns faz um ótimo trabalho

  3. Boa tarde, Solange!
    Gostaria de saber se você tem consultório em Curitiba e se atende por algum plano médico.
    Muito obrigada. Deus abençoe!

    • Solange Moll on said:

      Olá Fátima! Sou de Blumenau-SC.
      Conheço alguns profissionais em Curitiba, mas para indicar necessito de mais informações sobre o que você está precisando.
      Um abraço.

  4. Irene Alves on said:

    Tenho um filho de 12 anos diagnosticado com TDAH. Já tomou Rivotril, Risperidona, mas só fazia ficar sonolento. Na escola continuava o mesmo conflito. Notas baixíssimas e desobediente. Em casa, uma luta para estudar. Ontem recebeu transferência da escola por causar Buling. Estou aflita com a situação. Qual o conselho que vc me dá?
    Obrigada

    • Solange Moll on said:

      Irene, não sou médica, portanto não posso falar nada a respeito dos medicamentos que foram receitados. Porém, acredito que um tratamento baseado somente no uso de medicamentos pode não ajudar seu filho da maneira desejada. Sugiro que você procure uma avaliação psicopedagógica e psicológica. E ainda, tente descobrir alguma atividade que seu filho tenha interesse em aprender, por exemplo, um instrumento musical, natação, hipismo… etc. Estas atividades ajudam a desenvolver a concentração, atenção e acabam fortalecendo psicologicamente. É muito importante que ele faça alguma atividade em que se sinta reconhecido.
      Espero ter ajudado.
      Solange

  5. Olá,meu filho tem 10 anos.Logo cedo diagnosticamos TDAH.Comecei tratando logo, com medicamento, atendimento psicológico e graças ao nosso esforço e dedicação, não tivemos grandes problemas e ajudamos no seu desenvolvimento como pessoa.O mais importante de tudo isso,é perseverar, paciência,dedicação e principalmente AMOR!!!!!Boa sorte a todos!!!

  6. Djane Fernandes on said:

    Bom Dia! Sra Solange

    Gostaria de saber onde devo levar primeiro uma pessoa que tem todas as características de TDAH. Desde já agradeço.

    • Solange Moll on said:

      Oi, Djane! Depende muito de cada caso. Se você está falando de uma criança o próprio pediatra que já conhece o histórico da criança poderá indicar qual o melhor caminho. É comum precisar de avaliação e acompanhamento de neurologista, psicólogo, psicopedagogo…, mas realmente depende de cada pessoa. Espero ter ajudado. 🙂

  7. cristiane on said:

    Olá, muito bom o texto.
    Acredito que eu, meu filho e outras pessoas da família são portadoras.
    Gostaria de saber se há profissionais em sorocaba e/ou região.
    Também gostaria de saber se os sintomas podem ser surgir e/ou ser agravados na idade adulta. Venho notando em mim e em outra pessoa da família. Tívemos uma série de problemas, como doenças, mortes, etc. (coisas da vida mesmo..) e me parece que os sintomas estão surgindo e/ou se potencializando.
    grata

    • Solange Moll on said:

      Olá, Cristiane! Sou de Blumenau-SC. Entre em contato com a ABPp do seu estado. Eles poderão lhe informar sobre psicopedagogos na sua região. Quanto a segunda pergunta, é comum na idade adulta os sintomas amenizarem. Agora, cada pessoa é única e os sintomas que você descreve devem ser investigados por profissionais. Na minha opinião, com base nas informações que você passou um psicólogo poderá lhe ajudar.

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