O-lá! 😊
Depois que a criança compreende o funcionamento do sistema de escrita alfabética, um novo desafio passa a fazer parte do processo de alfabetização: a ortografia. Nessa etapa, ela precisa aprender que algumas palavras não podem ser escritas apenas com base nos sons da fala, exigindo o desenvolvimento da memória ortográfica e o contato frequente com a escrita correta das palavras.
Diferentemente das palavras que seguem regras previsíveis, existem aquelas cuja grafia precisa ser aprendida gradualmente por meio da leitura, da escrita e de experiências significativas com a linguagem. Pensando nesse desafio, hoje eu trouxe como sugestão o jogo Papa Erros, uma proposta lúdica que favorece a reflexão sobre a escrita correta das palavras.
Por que algumas palavras são mais difíceis de escrever?
Quando a criança chega à escrita alfabética, muita coisa já foi conquistada: ela compreende a relação entre sons e letras e consegue registrar palavras de forma legível. Mas é justamente nesse momento que surge um novo desafio e, muitas vezes, o mais persistente: a ortografia.
Na língua portuguesa, nem sempre existe uma regra que explique por que determinada palavra é escrita de uma forma e não de outra. Existem as chamadas correspondências fonográficas irregulares, isto é, situações em que o mesmo som pode ser representado por letras diferentes.
Um exemplo clássico é:
- gigante (com G);
- jiló (com J).
As duas palavras começam com o mesmo som, mas são escritas de maneiras diferentes. Nesses casos, conhecer apenas a relação entre sons e letras não é suficiente. A criança precisa construir, aos poucos, a memória da escrita correta dessas palavras.
Memória ortográfica: por que ela é importante?
Esse é um ponto fundamental no ensino da ortografia.
Nas palavras que seguem regularidades, a criança pode compreender padrões e utilizá-los na escrita. Já nas palavras irregulares, o caminho é diferente: entra em cena a memória ortográfica.
Isso acontece quando a criança tem oportunidades de:
- encontrar frequentemente determinada palavra na leitura;
- utilizá-la em diferentes situações de escrita;
- refletir sobre sua grafia;
- registrar essa palavra diversas vezes em contextos significativos.
Não se trata de decorar mecanicamente, mas de construir familiaridade com a escrita correta ao longo do tempo.
Como destacam Artur Gomes de Morais e Tarciana Pereira da Silva Almeida (2022, p. 21):
“[…] pensamos que é mais importante ajudar a criança a, desde cedo, escrever ‘homem’, ‘hoje’ e ‘hora’, palavras que reaparecerão nos textos de que será autora, do que cobrar, aos 7 ou 8 anos, que ela não erre ao escrever palavras raras como ‘harpa’, ‘holofote’ ou ‘hélice’.”
Essa reflexão nos convida a priorizar palavras que realmente fazem parte do cotidiano da criança e que aparecerão com frequência em suas produções escritas.
Foi pensando nisso que desenvolvi o Papa Erros. Na seleção das palavras, procurei utilizar exemplos de uso frequente, tornando o aprendizado mais significativo e funcional.
O que a criança desenvolve com este jogo?
O Papa Erros possibilita trabalhar:
- ortografia de palavras frequentes;
- palavras com S/Z;
- palavras com X/CH;
- palavras com C/Ç/SC;
- palavras com R/RR;
- palavras com G/J;
- entre outras dificuldades ortográficas;
- construção da memória ortográfica;
- atenção e concentração;
- reflexão sobre a escrita.
Quando utilizar este jogo?
O Papa Erros é indicado para crianças que já compreenderam o princípio alfabético e iniciaram a aprendizagem da ortografia. Pode ser utilizado em sala de aula, atendimentos individuais, pequenos grupos ou como atividade complementar para favorecer a reflexão sobre a escrita correta das palavras.
Sugestão de uso
- Deixe que cada criança escolha o seu “monstro” (o seu lado do jogo).
- Coloque as cartas em uma pilha.
- Na sua vez, cada criança pega uma carta, lê a frase para o colega e informa qual palavra deverá ser soletrada.
- Se o colega soletrar corretamente, nada acontece.
- Se cometer um erro, deverá puxar o seu lado da tira, fazendo com que o monstro “coma” uma pastilha.
- Perde quem ficar primeiro sem nenhuma pastilha.
Dica: Para favorecer a construção da memória ortográfica, incentive as crianças a escreverem as palavras trabalhadas durante ou após a partida. A escrita complementa a reflexão realizada durante o jogo e contribui para a internalização da grafia correta.
Quando o desafio deixa de ser como escrever e passa a ser como escrever corretamente, entramos no campo da ortografia. Nesse processo, compreender que algumas palavras seguem regras e outras dependem da memória ortográfica faz toda a diferença. Recursos lúdicos como o Papa Erros tornam essa aprendizagem mais significativa, participativa e prazerosa.
Referência Bibliográfica:
MORAIS, Artur Gomes de. Jogos para ensinar ortografia: ludicidade e reflexão. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.
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É para você imprimir, montar e jogar.
Perguntas frequentes
1. Em que fase da alfabetização este jogo é indicado?
O Papa Erros é indicado para crianças que já compreenderam o funcionamento do sistema de escrita alfabética e iniciaram o aprendizado da ortografia.
2. O principal objetivo deste jogo é ensinar regras ortográficas?
Não. O principal objetivo é favorecer a reflexão sobre a escrita correta das palavras e contribuir para a construção da memória ortográfica, especialmente em palavras que não seguem regras simples.
3. Quais dificuldades ortográficas podem ser trabalhadas?
O jogo permite trabalhar diferentes correspondências ortográficas, como S/Z, X/CH, G/J, R/R, C/Ç/SC, entre outras, utilizando palavras frequentes no cotidiano da criança.
4. Este jogo pode ser utilizado em sala de aula?
Sim. Pode ser utilizado em sala de aula, atendimentos individuais, pequenos grupos ou como atividade complementar para consolidar a aprendizagem da ortografia.
5. Por que trabalhar palavras de uso frequente?
Porque são palavras que a criança utilizará com maior frequência em suas produções escritas. Quanto mais contato ela tiver com essas palavras em situações significativas, maiores serão as oportunidades de construir a memória ortográfica.
6. Como potencializar a aprendizagem durante o jogo?
Além de soletrar, é interessante que as crianças também escrevam as palavras trabalhadas. A combinação entre leitura, oralidade, escrita e reflexão favorece a consolidação da grafia correta.
7. Este jogo pode ser utilizado com crianças com dificuldades de aprendizagem?
Sim. O Papa Erros pode ser utilizado com crianças com diferentes perfis de aprendizagem, incluindo aquelas com dislexia, autismo e outras condições, desde que a proposta seja adaptada às suas necessidades e mediada por um professor, psicopedagogo ou outro profissional responsável.